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id da página: 3201 Arte da Prece – Oração de Jesus

Prece Oratio Iesu

  • A Oração de Jesus na Igreja Ortodoxa

    • A Oração de Jesus como método predominante para alcançar a oração interior e sua identificação prática com a própria oração interior.
    • A recomendação da Oração de Jesus pelas autoridades espirituais como um "caminho rápido" para a oração incessante e como o melhor e mais fácil meio para concentrar a atenção e estabelecer a mente no coração.
    • A qualificação do termo "fácil" aplicado à oração, entendendo-a como um podvig ou ato de luta ascética, um "martírio oculto" segundo o Bispo Ignatii.
    • A compreensão da "facilidade" da Oração de Jesus em um sentido estritamente relativo.
  • A fórmula e o instrumento da Oração de Jesus

    • A forma usual da Oração de Jesus: "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim".
    • As variações possíveis da fórmula, incluindo o acréscimo de "pecador" ou o uso do plural "tem piedade de nós".
    • O elemento essencial e constante em todas as formas: a invocação do Nome Divino.
    • O uso do rosário ortodoxo, ou komboskini (vervitsa, lestovka, tchotki), como auxílio para a recitação, diferenciando-se do rosário ocidental por sua estrutura de cordão com nós.
  • Os três graus da oração aplicados à Oração de Jesus

    • O primeiro grau, da oração oral: a recitação vocal ou silenciosa com os lábios, exigindo um ato deliberado de vontade para concentrar a atenção no significado da Oração, sendo uma tarefa árdua que requer persistência humilde.
    • O segundo grau, da oração mental: a repetição interior da Oração sem movimento exterior, com uma concentração da atenção que se torna mais fácil e com a Oração adquirindo um ritmo próprio, como um "pequeno riacho murmurante" segundo o staretz Parthenii.
    • O terceiro grau, da oração do coração: a Oração dominando toda a personalidade, identificando seu ritmo com o movimento do coração até se tornar incessante, tornando-se uma fonte inesgotável de paz e alegria.
  • A prática da Oração de Jesus no tempo

    • A prática inicial da Oração de Jesus em períodos delimitados do dia, conforme a direção de um staretz.
    • A continuação ininterrupta da Oração de Jesus naqueles que adquiriram o dom da oração incessante, mesmo durante atividades externas, conforme a frase de Teofano: "As mãos no trabalho, a mente e o coração com Deus".
    • A disposição natural de dedicar o máximo de tempo possível à recitação da Oração sem distrações.
  • As raízes bíblicas e históricas da Oração de Jesus

    • A reverência pelo Nome de Deus no Antigo Testamento e a continuidade dessa tradição no respeito cristão pelo nome "Jesus" desde o início.
    • A importância de três textos do Novo Testamento para a invocação do Nome:
      • A declaração de Jesus na Última Ceia: "Até agora nada pedistes em meu nome... Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará".
      • A afirmação de São Pedro diante dos judeus: "E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos".
      • As palavras de São Paulo: "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra".
    • O desenvolvimento da prática da invocação do Nome Divino na Oração de Jesus com base nessas passagens bíblicas.
    • A fundamentação bíblica das outras partes da Oração de Jesus em orações do Evangelho, como a dos cegos, "Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim", e a do Publicano, "Ó Deus, tem piedade de mim, pecador".
    • A combinação dos elementos bíblicos na fórmula desenvolvida da Oração de Jesus: "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador".
    • O desenvolvimento inicial da Oração de Jesus com o surgimento do monaquismo no Egito do século IV, onde os Padres do Deserto promoviam a oração contínua através de fórmulas curtas e repetitivas.
    • A variedade inicial de fórmulas ejaculatórias e a gradual preeminência da Oração de Jesus devido à presença do Santo Nome.
    • A menção explícita da invocação do Nome de Jesus por São Diádoco de Fótice e São Nilo de Ancira no século V.
    • O aparecimento do texto completo da Oração de Jesus na Vida de Abba Filémon, do século VI ou VII.
    • A conclusão de que as origens da Oração remontam à veneração do Nome no Novo Testamento, embora sua forma desenvolvida só seja atestada explicitamente a partir do século VI.
  • A tradição hesicasta e sua difusão histórica

    • O desenvolvimento de um corpo de ensino tradicional em torno da Oração de Jesus, designado pelo nome "Hesicasmo".
    • A transmissão ininterrupta da tradição viva da Oração de Jesus dentro da Igreja Ortodoxa a partir do século VI.
    • A transmissão da Oração aos países eslavos pelos missionários gregos e sua imensa influência no mundo ortodoxo, especialmente na Rússia.
    • Os três períodos de prática intensa da Oração de Jesus:
      • A idade de ouro do Hesicasmo no Bizâncio do século XIV, com São Gregório Palamas.
      • O renascimento hesicasta na Grécia do final do século XVIII, com São Nicodemos do Monte Athos e a Philokalia.
      • A Rússia do século XIX, com São Serafim, São João de Kronstadt, os startsi do Mosteiro de Optina, Teofano, o Recluso, e Inácio Brianchaninov.
    • A prática disseminada da Oração de Jesus na emigração russa e sua divulgação no Ocidente.
  • Os elementos fundamentais e o apelo da Oração de Jesus

    • A síntese de dois "momentos" essenciais da devoção cristã: a adoração, expressa em "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus", e a compunção, expressa no pedido de misericórdia.
    • O caráter cristológico intenso da Oração, que é dirigida a Jesus e enfatiza Sua vida terrestre e Sua divindade, salvaguardando contra um misticismo falso que ignora o fato da Encarnação.
    • A advertência contra o uso de imagens mentais ou conceitos intelectuais durante a Oração, conforme ensina Teofano: "Permanece com a consciência e a atenção no coração, clama incessantemente: 'Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim', sem ter em tua mente qualquer conceito visual ou imagem, crendo que o Senhor te vê e te escuta".
    • A simplicidade da Invocação do Nome, uma oração acessível a qualquer pessoa, sem requerer conhecimento especial ou preparação elaborada, resumida no conselho: "simplesmente começa".
  • A simplicidade e as regras básicas para a recitação

    • A ênfase de Teofano na simplicidade da oração: "A obra de Deus é simples: é oração — filhos falando com seu Pai, sem sutilezas".
    • O conselho para o iniciante recitar a Oração "lentamente, suavemente e em voz baixa", com recolhimento, sem pressa, mas também sem ênfase indevida, evitando qualquer sensação de esforço ou emoção artificial.
    • A recomendação de uma pausa breve ao final de cada Oração para manter a mente atenta.
    • A variação no ritmo da recitação, desde a recomendação do Bispo Ignatii de levar cerca de meia hora para cem repetições até as altas contagens diárias mencionadas em Relatos de um Peregrino Russo.
  • O método físico e suas ressalvas

    • A evolução de um "método físico" pelos hesicastas como auxílio à concentração, envolvendo postura corporal e regulação da respiração.
    • A primeira descrição clara desses exercícios físicos no texto Sobre os três métodos de atenção e oração, atribuído a São Simeão, o Novo Teólogo, mas provavelmente de autoria de São Nicéforo, o Solitário.
    • A referência a essas técnicas de respiração por Teofano e Inácio no A Arte da Oração, quase sempre com desaprovação e reticência em descrevê-las.
    • A compreensão do método físico como um acessório, não essencial, útil para alguns, mas não obrigatório para todos.
    • O perigo potencial das técnicas físicas se praticadas de modo incorreto, podendo causar danos à saúde e exigindo a orientação próxima de um diretor espiritual experiente.
    • A recomendação do Bispo Ignatii de não tentar a técnica mecânica a menos que se estabeleça por si mesma, sendo plenamente substituída por uma repetição sem pressa da Oração, pausas breves, respiração tranquila e o encerramento da mente nas palavras da Oração.
  • A Oração de Jesus no contexto da vida eclesial

    • O pressuposto de que a prática da Oração de Jesus requer plena e ativa membresia na Igreja e uma vida sacramental regular, incluindo batismo, liturgia, confissão e comunhão.
    • A rejeição da ideia da Oração de Jesus como um "atalho" que dispensa as obrigações normais da vida cristã.
    • A afirmação do Bispo Justin de que "o caminho mais seguro para a união com o Senhor, depois da Comunhão de Sua Carne e Sangue, é a interior Oração de Jesus", estabelecendo a Eucaristia como fundamento.
  • A universalidade e adaptabilidade da Oração de Jesus

    • A possibilidade de recitar a Oração de Jesus em qualquer tempo e lugar, adaptando-se particularmente às tensões do mundo moderno.
    • A Oração como recomendada tanto para monges, que recebem o rosário em sua profissão, quanto para leigos, independentemente de sua ocupação no mundo.
    • A adequação da Oração de Jesus para todas as etapas da vida espiritual, desde a mais elementar até a mais avançada.