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id da página: 4236 Orígenes – Tratado dos Princípios – Prólogo de John Behr

Origenes In Principiis Prologus

Orígenes — Tratado dos Princípios

ORIGENES. On first principles. Volume 1. In: Oxford early Christian texts. Introduction and Translation John Behr. First edition ed. Oxford: Oxford University Press, 2017

  • Os problemas textuais e estruturais de "Peri Archon" e a busca por sua compreensão

    • O desafio representado pela estrutura, propósito e título da obra "Peri Archon" de Orígenes, conforme observado por Brian Daley.
    • A transmissão do texto por meio de oito manuscritos medievais que apresentam a divisão em quatro livros e diversos títulos de capítulos.
  • A divisão em quatro livros e a estrutura tripartite proposta por Basilius Steidle

    • A confirmação da autenticidade da divisão em quatro livros a partir do testemunho do próprio Orígenes e de Pamphilus.
    • A proposta de Basilius Steidle de uma estrutura tripartite temática, organizada em torno da Trindade, dos seres intelectuais criados e do mundo material.
  • A problemática dos títulos de capítulos na edição de Koetschau e a diversidade manuscrita

    • A crítica de Marguerite Hari à abordagem conservadora de Koetschau na reprodução dos títulos de capítulos.
    • A constatação da grande variação nos títulos de capítulos entre os manuscritos, com alguns apresentando nenhum título e outros, como os Códices Bambergensis e Casinensis, fornecendo títulos extensos.
    • A hipótese geral de que a base da divisão em capítulos e alguns títulos remontam a Rufino, com acréscimos posteriores de copistas.
  • Os pontos de referência externos para a compreensão da estrutura: o Prefácio de Orígenes e o relato de Photius

    • A importância do Prefácio de Orígenes, que enumera itens da pregação apostólica e eclesiástica, como guia para a estrutura da obra.
    • O testemunho de Photius na "Bibliotheca" sobre o conteúdo dos quatro livros do texto grego, corroborando a divisão quadripartite, mas com a indicação de que "Sobre o Fim ou Consumação" estava no início do Livro 4.
  • Os Dois Ciclos

    • A refinamento da estrutura em dois ciclos principais e nove tratados por Crouzel e Simonetti
      • A síntese do relato de Photius, dos títulos de capítulos de Koetschau/Butterworth e do esquema de Crouzel e Simonetti para elucidar a progressão temática.
    • As origens e influências da estrutura bipartida em manuais filosóficos helenísticos
      • A sugestão de Steidle sobre paralelos entre a obra de Orígenes e a "filosofia escolar" contemporânea, com seus ciclos de ensino repetitivos.
      • A influência dos estudos de Eduard Norden sobre manuais introdutórios (Eisagogai) e sua estrutura bipartida, com uma primeira parte resumida e uma segunda de desenvolvimento perspectivado.
      • A argumentação de Hari e Dorival para enquadrar "Peri Archon" no gênero dos manuais de filosofia sistemática, como a "Epitome" de Alcinous, que trata dos primeiros princípios partindo dos elementos primários.
      • A menção à obra "Peri Archon" de Longino, contemporâneo de Plotino e Orígenes, como um possível paralelo.
      • A caracterização de Hari do primeiro ciclo como global e integrado e do segundo ciclo como focado em questões particulares, correspondendo ao programa do Prefácio e constituindo uma "física cristã".
    • A posição cética de Charles Kannengiesser em relação às analogias filosóficas e sua proposta de uma gênese composicional alternativa
      • O ceticismo de Kannengiesser quanto às analogias com manuais filosóficos distantes no tempo e a crítica à imposição da estrutura bipartida.
      • A sugestão de Kannengiesser de que o primeiro ciclo seria a obra "Peri Archon" propriamente dita, e o segundo, um acréscimo de conferências de teor antimarcionita.
      • A proposta de Kannengiesser de buscar modelos para a estrutura bipartida em escritos patrísticos, alexandrinos e bíblicos mais próximos de Orígenes, como as cartas de Paulo, tratados de Filon, Justino, Ireneu e Clemente de Alexandria.
  • A Divisão em Capítulos

    • A crítica à divisão em capítulos estabelecida por Koetschau e Butterworth e a proposta de reagrupamentos temáticos
      • A análise do caso de "Princ." 3.3, cujo título "A sabedoria tripla" foi uma inserção de Merlin sem suporte manuscrito, e a demonstração de que o bloco "Princ." 3.2-3 trata de forma contínua "as potências adversas".
      • A demonstração de que "Princ." 3.4 inicia o tema das tentações de origem humana ("da carne e do sangue"), após o tratamento das tentações das potências adversas.
      • A reavaliação de "Princ." 1.4 como uma continuação da discussão sobre o Espírito Santo iniciada em "Princ." 1.3, e não como um capítulo independente sobre a "Queda ou decadência".
      • A compreensão de "Princ." 1.5-6 como um bloco coeso sobre os seres racionais, onde a discussão sobre "o fim ou consumação" em "Princ." 1.6 serve para entender o princípio da diversidade entre as criaturas.
      • A interpretação de "Princ." 2.1-3 como um único tratado sobre "o mundo", abrangendo a perpetuidade da natureza corporal, seu início e causas, e a disposição (cosmos) das criaturas racionais.
      • A correção do título de "Princ." 1.7 para "Os seres celestes" (sol, lua e estrelas), em vez de "Coisas corpóreas e coisas incorpóreas", clarificando a sequência: seres racionais, seres celestes, anjos.
      • A observação de que em "Princ." 2.10 a ressurreição é discutida como preâmbulo para o tratamento do juízo.
  • Teologia e Economia

    • A distinção fundamental entre os tratamentos no primeiro e no segundo ciclo
      • A ilustração da diferença por meio do tratamento de Cristo: no primeiro ciclo ("Princ." 1.2.1), foca-se na natureza divina e humana; no segundo ("Princ." 2.6.1), na Encarnação e mediação.
      • A caracterização do primeiro ciclo como "teologia" (tratamento da natureza divina) e do segundo como "economia" (tratamento da obra salvífica de Deus no mundo).
      • A aplicação dessa distinção a outros temas: Deus (bodilho versus Deus das Escrituras), Espírito Santo (poder santificador versus atuação nos profetas e apóstolos), seres racionais (sua disposição versus suas lutas).
  • A Pregação Apostólica e a Pregação Eclesiástica

    • A análise do Prefácio de Orígenes e a distinção entre dois níveis de doutrina na tradição
      • A identificação no Prefácio de uma distinção entre os pontos entregues com clareza máxima pelos apóstolos (pregação apostólica) e os pontos apenas afirmados, cujos fundamentos ficaram para investigação (pregação eclesiástica).
      • A listagem da pregação apostólica: a unidade de Deus, a pessoa e obra de Jesus Cristo, a associação do Espírito Santo ao Pai e ao Filho, a substância e vida da alma, o juízo final, a ressurreição, o livre-arbítrio e a existência do diabo e de suas potências.
      • A listagem da pregação eclesiástica: a natureza (gerado ou não-gerado) do Espírito Santo, a condição anterior e posterior a este mundo, a natureza e modo de existência dos anjos e potências adversas, e a natureza animada ou inanimada dos astros.
    • A correspondência entre a distinção do Prefácio e a estrutura interna de "Peri Archon"
      • A identificação de pontos de transição na obra onde Orígenes explicitamente passa a tratar "segundo a fé da Igreja" ou "a pregação eclesiástica", como em "Princ." 1.7.1 e "Princ." 2.10.1.
      • A caracterização da pregação apostólica como o núcleo do anúncio evangélico (Deus, Cristo, Espírito, salvação das criaturas racionais) e da pregação eclesiástica como corolários que exigem investigação (livre-arbítrio, conflito espiritual, temporalidade da criação).
    • O lugar das Escrituras na estrutura da obra
      • A proposta de considerar "Princ." 4.1-3, sobre o caráter divino e os dois níveis de significado das Escrituras, não como parte do segundo ciclo, mas como uma seção distinta e propósito fundamental de toda a obra, conforme sugerido por Brian Daley.