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A palavra “místico”, que passou da religião grega à literatura europeia, é representada em árabe, persa e turco — as três principais línguas do Islã — pelo termo “Sufi”. Contudo, tais expressões não são precisamente sinônimas, pois “Sufi” possui uma conotação religiosa específica e é restrita, pelo uso, àqueles místicos que professam a fé maometana. E a palavra árabe, embora com o tempo tenha adquirido a alta significação do termo grego — lábios selados por santos mistérios, olhos fechados em êxtase visionário — possuía um sentido mais modesto quando se difundiu pela primeira vez (cerca do ano 800 d.C.). Até recentemente, sua derivação era objeto de controvérsia. A maioria dos sufis, contrariando a etimologia, derivava o termo de uma raiz árabe que exprimia a noção de “pureza”; tal interpretação faria de “Sufi” o “puro de coração” ou “um dos eleitos”. Alguns estudiosos europeus o identificaram com sophos no sentido de “teosofista”. No entanto, Nöldeke, em um artigo escrito há vinte anos, demonstrou conclusivamente que o nome derivava de suf (lã) e era originalmente aplicado àqueles ascetas muçulmanos que, em imitação dos eremitas cristãos, vestiam-se com roupas grosseiras de lã como sinal de penitência e renúncia às vaidades mundanas.
Os primeiros sufis foram, de fato, mais ascetas e quietistas do que místicos. Uma consciência esmagadora do pecado, aliada a um temor — difícil hoje de conceber — do Dia do Juízo e dos tormentos do fogo do Inferno, descritos com tanta vivacidade no Alcorão, levava-os a buscar a salvação na fuga do mundo. Por outro lado, o Alcorão advertia que a salvação dependia inteiramente da vontade inescrutável de Alá, que guia os bons pelo caminho reto e desvia os ímpios. O destino de cada um estava inscrito nas tábuas eternas de Sua providência, e nada poderia alterá-lo. Apenas uma coisa era certa: se estavam destinados a ser salvos por meio do jejum, da oração e das obras piedosas — então seriam salvos. Tal crença conduz naturalmente ao quietismo, à submissão completa e incondicional à vontade divina, atitude característica do sufismo em sua forma mais antiga. A força motriz da vida religiosa muçulmana durante o século VIII era o medo — medo de Deus, medo do Inferno, medo da morte, medo do pecado —, mas o motivo oposto já começava a fazer sentir sua influência, e produziu, na santa mulher Rabiʿa, ao menos um exemplo notável de autodoação verdadeiramente mística.
Até então, não havia grande diferença entre o sufi e o zelote maometano ortodoxo, exceto pelo fato de que os sufis atribuíam importância extraordinária a certas doutrinas corânicas e as desenvolviam em detrimento de outras que muitos muçulmanos poderiam considerar igualmente essenciais. Deve-se reconhecer também que o movimento ascético foi inspirado por ideais cristãos e contrastava fortemente com o espírito ativo e amante dos prazeres do Islã. Em uma frase célebre, o Profeta condenou as austeridades monásticas e ordenou ao seu povo que se dedicasse à guerra santa contra os infiéis; e deu, como é bem sabido, o mais convincente testemunho em favor do matrimônio. Embora sua condenação do celibato não tenha sido sem efeito, a conquista da Pérsia, da Síria e do Egito por seus sucessores pôs os muçulmanos em contato com ideias que modificaram profundamente sua visão da vida e da religião. Os leitores europeus do Alcorão não podem deixar de notar a vacilação e a inconsistência de seu autor ao tratar das questões mais elevadas. Ele próprio não tinha consciência dessas contradições, nem elas constituíam obstáculo para seus devotos seguidores, cuja fé simples aceitava o Alcorão como a Palavra de Deus. Mas a fissura existia, e em breve produziu consequências de longo alcance.
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