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id da página: 6588 McEvilley – Configuração do Pensamento Antigo – Pluralismos na Grécia e Índia Thomas McEvilley

McEvilley Pluralismos

Thomas McEvilley — Configuração do Pensamento Antigo

Primeiros pluralismos na Grécia e Índia

  • Reação contra o monismo eleata e a multiplicação das substâncias por parte de Empédocles

    • Tentativa de resgatar a pluralidade do mundo sensível do abraço asfixiante do Uno eleata
    • Intensificação progressiva da reação contra o caráter religioso arcaico do complexo do monismo no pensamento de Anaxágoras e dos atomistas Leucipo e Demócrito
  • Mudança do questionamento filosófico após Demócrito

    • Continuação da reação contra a apropriação eleata da realidade, porém com mudança de forma ou estágio
    • Abandono do Problema do Um e do Múltiplo e adoção do Problema do Conhecimento
    • Prioridade da distinção entre numênico e fenomênico sobre a distinção entre Um e Múltiplo
    • Realização de uma mudança da metafísica para a epistemologia, com uma guinada em direção ao sujeito
    • Substituição da questão "A realidade é Una ou Múltipla?" por "Somos competentes para fazer tal juízo?"
    • Adoção subsequente de questões sobre a competência para julgar a própria competência e o significado de ser competente
    • Condução da rejeição do noumenalismo eleata ao fenomenalismo sofístico de Protágoras
  • Contribuição de Empédocles e Zenão para a contratradição da filosofia grega

    • Contribuição involuntária da multiplicação das substâncias eleatas por Empédocles para a grande contratradição
    • Contribuição da dialética de Zenão de Eleia para a mesma tradição opositora
    • Crescimento paralelo do ceticismo e do materialismo a partir de Demócrito em oposição à tradição metafísica platônico-aristotélica
    • Culminância da dicotomia, do ponto de vista da história posterior, na antinomia do século II d.C. entre Sexto Empírico e Plotino

ANAXÁGORAS

  • Contexto biográfico e filosófico de Anaxágoras

    • Nascimento de Anaxágoras em Clazômenas por volta de 500 a.C., durante o domínio persa, e sua condição de aluno de Anaxímenes
    • Busca de uma concepção de matéria que conformasse aos postulados de Parmênides sem invalidar a realidade da experiência
    • Solução por meio do conceito de mistura, tal como a de Empédocles
  • Doutrina da mistura e separação como base do devir

    • Afirmação de que "Nada vem a ser ou perece, mas é misturado ou separado de coisas existentes"
    • Correção de chamar o vir-a-ser de "mistura" e o perecer de "separação"
    • Explicação de Simplício baseada no axioma eleata de que nada vem a ser do que não é
    • Defesa da preexistência de todas as coisas naquilo de que se originam, implicando que "em tudo há uma porção de tudo"
  • Inovação conceitual de Anaxágoras: a interpenetração infinita

    • Adoção de um novo conceito de substância, diferente da multiplicação conservadora de Empédocles
    • Formulação do princípio de que "em tudo há uma porção de tudo"
    • Combinação do axioma eleata com um axioma de infinitude: "Todas as coisas são infinitas em número"
    • Conclusão, observada por Simplício, de uma infinitude ao quadrado: cada uma das coisas infinitas contém a infinitude de todas as coisas
    • Caráter revolucionário do conceito, apontando para meta-infinidades e interpenetração ontológica
  • Solução para o problema da magnitude infinita através da divisibilidade infinita

    • Aplicação do princípio zenoniano da divisibilidade infinita: "No pequeno não há um mínimo, mas sempre um menor"
    • Possibilidade de conter traços infinitesimais de todas as coisas em qualquer escala, por menor que seja
    • Diferença entre as coisas aparentes consistindo apenas nas proporções da mistura
    • Designação ocasional dessa infinitude interpenetrada como "o Uno"
  • Paralelo com o ensino de Uddalaka Aruni na Chandogya Upanishad

    • Encapsulação por Radhakrishnan do ensino de Uddalaka: "A matéria é infinitamente divisível" e não há transformação, mas combinação de partículas preexistentes
    • Paralelo com Anaxágoras na concepção do vir-a-ser como combinação e do perecer como separação
    • Comparação com o Jain Tattvartha Sutra: "Agregados são formados por divisão e união"
  • Discrepância fundamental: a ausência do conceito de infinito em Uddalaka

    • Limitação do ensino de Uddalaka a três formas de Ser: fogo, água e terra, cada uma contendo partes das outras duas
    • Ausência de evidência da articulação do conceito de infinito ou divisibilidade infinita na Índia naquele período
    • Contrastação com a formulação do conceito de infinito na Grécia por Zenão no século V a.C.
  • Articulação tardia de conceitos de infinitude na Índia

    • Formulação rigorosa do infinito em termos lógico-matemáticos apenas por volta de 200 d.C. na escola budista Madhyamika
    • Articulação metafísica da infinitude interpenetrada ao quadrado apenas por volta de 400 d.C. no Avatamsaka Sutra budista
    • Descrição de um universo de infinitudes infinitamente interpenetradas, uma infinitude elevada à potência infinita
  • Prova da separação entre Mente (Nous) e matéria

    • Argumentação de que, se a Mente se misturasse com algo, estaria misturada com tudo, pois tudo contém tudo
    • Impossibilidade de conter qualquer coisa em si mesma, apenas como uma mistura infinita
    • Conclusão de que cada coisa é uma infinitude de infinitudes
  • Dualismo Mente-Corpo e o transcendentalismo de Anaxágoras

    • Definição do Nous como infinito, autônomo, não misturado com nada e solitário por si mesmo
    • Argumento de que, se misturado, o Nous teria participação em todas as coisas e seria impedido de governar
    • Ruptura com o pensamento imanentista anterior, como o de Tales ("Tudo está cheio de deuses") ou Yajnavalkya (o "controlador interno")
    • Posicionamento do princípio orientador do universo como transcendental, independente e causa de todo movimento
    • Permanência de traços de imagética mítica, comparável a Yahweh sobre o oceano primordial
  • Cosmogonia do vórtice e a ação do Nous

    • Narrativa cosmogônica: o Nous impulsiona a massa oceânica e indiferenciada de matéria em um ponto, iniciando um movimento vorticoso
    • Separação centrífuga das substâncias baseada em pesos e densidades no vórtice
    • Relação com as visões de Anaxímenes (condensação/rarefação) e Empédocles (separação dos elementos)
  • Rejeição do ciclo cósmico e do reencarnacionismo

    • Abandono do ciclo de mistura e separação de Empédocles em favor de um processo linear e infinito
    • Rejeição do reencarnacionismo, percebendo a conexão entre as doutrinas
    • Delineamento de uma infinitude quasi-materialista sem elementos arcaicos de retorno a uma Idade de Ouro

FINITO VS. INFINITO

  • Reavaliação da suposta aversão grega ao infinito

    • Questionamento da ideia de que a preferência pela clareza e especificidade indicava aversão ao infinito
    • Reconhecimento do fascínio grego pelo conceito de infinito como um de seus produtos característicos
    • Distinção entre a apreciação da separação das coisas e a apreciação do mistério do infinito
    • Contraste com a ideia indiana de o indivíduo se dissolver no Uno, não enfatizada no discurso grego sobre o infinito
  • A precisão do infinito em Zenão

    • Compreensão de Zenão do infinito não como uma coisa, mas como um processo preciso
    • Caracterização do objeto intelectual-estético da infinitude zenoniana como logicamente e matematicamente preciso
  • A finitude como condição de cognoscibilidade

    • Preocupação de pitagóricos, Parmênides e Empédocles com a cognoscibilidade do universo
    • Necessidade de limites para que o universo possa ser inspecionado e conhecido dentro de uma vida humana
  • Anaxágoras como modernizador e a expansão infinita do universo

    • Redução das duas forças motrizes de Empédocles (Amor e Ódio) a uma única (Mente)
    • Substituição do universo cíclico de Empédocles por um universo em expansão linear e eterna
    • Expansão infinita do movimento vorticoso como processo mundial
    • Possíveis ressonâncias religiosas no conceito de Mente, descrito como "puro" (katharos)
  • Ressonâncias posteriores na filosofia indiana

    • Paralelos conceituais com o conceito de alayavijñana do Budismo Mahayana
    • Recorrência do conceito de infinitude interpenetrada no Avatamsaka Sutra
    • Alcanço de posições similares às do Budismo Mahayana meio milênio depois através da rejeição do monismo hilozoico upanishádico-pré-socrático

ATOMISMO GREGO

  • Contexto biográfico e filosófico de Demócrito

    • Nascimento de Demócrito de Abdera por volta de 460 a.C. e sua condição de aluno de Leucipo
    • Preocupação em reconciliar a experiência humana com os postulados eleatas
    • Associação anedótica com professores estrangeiros e viagens ao Egito, Pérsia, e possível contato com Gimnosofistas na Índia
    • Reputação de filósofo risonho e disciplinas de teste das impressões sensoriais
    • Obra extensa, mas não sobrevivente, e sua importância ofuscada por Platão
  • Fundamentos do atomismo de Leucipo e Demócrito

    • Comprometimento com o postulado eleata do não-ser através da afirmação da existência do vazio (vazio)
    • Multiplicação do Ser único, esférico e indivisível de Parmênides em uma multidão de seres plenos e indivisíveis (átomos)
    • Percepção de que o Ser parmenídico era efetivamente um átomo gigante
    • Movimento mecânico dos átomos no vazio, combinando-se e separando-se para formar o mundo aparente
  • Fenomenalismo e a distinção entre realidade e aparência

    • Irrealidade dos qualidades sensíveis no nível atômico; sua emergência na interação entre os sentidos e os agregados atômicos
    • Declaração de que "Por convenção existem o doce, o amargo, o quente, o frio, a cor; na realidade, porém, só existem átomos e o vazio"
    • Caracterização do conhecimento sensorial como "bastardo" e da mente como capaz de deduzir a verdade atômica
    • Reconhecimento, às vezes, de que "a aparência é a verdade", influenciando o relativismo e o ceticismo posteriores
  • Salvação da pluralidade, mas não das aparências

    • Resgate da pluralidade do elencho eleata através da existência de múltiplos átomos
    • Manutenção da irrealidade do mundo sensível, tal como em Parmênides, mas com um redirecionamento naturalista
    • Transformação da diferença entre verdade e aparência de um fato religioso para um fato naturalista

RELACIONAMENTO?

  • O tratamento negligente da questão da difusão do atomismo

    • Ignorância generalizada ou tratamento breve das relações entre as escolas atomistas grega e indiana
    • Citação de uma opinião desatualizada de Keith, aplicada erroneamente a todas as escolas indianas
  • O atomismo como parte textural do pensamento indiano

    • Presença do atomismo em várias escolas indianas: Ajiivika, Jain, Carvaka, Budista e Nyaya-Vaisesika
    • Candidatura das formas Ajiivika, Jain e Carvaka, possivelmente existentes no século VI a.C., a influenciar Leucipo e Demócrito
    • Dificuldade cronológica devido à sistematização textual tardia

PRIMEIROS ATOMISMOS NA ÍNDIA

  • Forma primitiva de teoria atômica em Uddalaka Aruni

    • Ensino de que partículas minúsculas se agregam para formar substâncias, uma semente do atomismo
    • Indicação de pensamento protocientífico junto com teorias místicas nas comunidades florestais upanishádicas
  • Atomismo Ajiivika de Pakhuda Kaccayana

    • Posição de sete elementos: terra, ar, fogo, água, alegria, tristeza e vida, considerados eternos
    • Inclusão de elementos éticos na lista, diferente das listas gregas
    • Paralelos com Demócrito: elementos inalteráveis, qualidades sensíveis como emergentes, alma definida materialmente, mudança como ilusão
    • Possibilidade de um sistema semelhante ao de Demócrito existir na Índia anteriormente
  • Atomismo Jain e suas características arcaicas

    • Possível origem no século VI a.C., com definições em textos antigos
    • Distinção arcaica entre realidade material e imaterial, com a alma imaterial, mas com partículas de matéria kármica "aderindo" a ela
    • Doutrina de que inúmeros átomos sutis ocupam o espaço de um átomo grosseiro, implicando átomos sem magnitude (pontos monádicos)
    • Suscetibilidade à crítica zenoniana de que nada pode ser construído a partir de pontos sem magnitude
    • Semelhança com a doutrina pitagórica da mônada ponto, atacada por Zenão
    • Atomismo Jain como uma fusão entre o fluxo budista e o fundamento permanente hindu
  • Atomismo Carvaka (Lokayata)

    • Doutrinas conhecidas por exposições tardias e referências nos Nikayas budistas
    • Maximização de que tudo é composto de quatro elementos; a mente é um subproduto temporário; não há vida após a morte
    • Doutrina atribuída a Ajita Kesakambala, contemporâneo de Buda, semelhante ao epicurismo

A QUESTÃO DA DIFUSÃO NOVAMENTE

  • Dificuldades de avaliação diante dos problemas cronológicos textuais
    • Possibilidade de três sistemas atômicos indianos serem anteriores a Leucipo
    • Sugestão de um interesse vivo e disseminação de doutrinas atômicas na Índia como contraponto ao complexo do monismo
    • Possibilidade do atomismo ter sido uma das mercadorias filosóficas transportadas através do Império Persa

LENDO A MUDANÇA

  • Contexto social de dissolução da ordem tradicional

    • Dissoluções sociais paralelas na Grécia pré-socrática e no período Upanishádico inicial na Índia
    • Dissolução de modelos tradicionais como o Védico e o Homérico
    • Surgimento do complexo do monismo como compensação pela ruptura, fornecendo um novo mito de unidade
  • Reações individualistas e a formação de comunidades de afastamento

    • Ganho de força de reações contra valores comunais em favor de valores individuais
    • Formação de comunidades de afastamento que criavam bolhas émicas fortes, como a irmandade pitagórica ou a sangha budista
    • Compensação da dissolução da tradição pela reinstalação de uma estrutura semelhante à tribal
  • Ressonâncias psicológicas e sociais do monismo e do pluralismo

    • Paralelos entre a tendência do ego de se fundir no inconsciente e a dissolução do indivíduo na tribo
    • Tentativa do ego, através da insistência na finitude, de delimitar e controlar o inconsciente ilimitado
    • Emergência de distância da matriz tribal na cristalização da ideia de Mente separada por Anaxágoras
    • Crescente capacidade de ver a sociedade como algo manipulável de fora pela vontade individual