MARION, Jean-Luc. Au lieu de soi: l’approche de saint Augustin. Paris: Presses universitaires de France, 2008
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A questão dos nomes divinos na teologia cristã
- A inevitabilidade da questão de nomear o inominável para o teólogo cristão.
- A proliferação infinita de nomes divinos como passo indispensável diante da inadequação de qualquer nome.
- A formulação de Santo Agostinho sobre a multiplicidade de nomes dignos para Deus: "Deus vero multipliciter quidem dicitur, magnus, bonus, sapiens, beatus, verus, et quidquid aliud non indigne dici videtur".
- O problema de decidir sobre a dignidade e a hierarquia entre os nomes divinos.
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A invocação solene das Confessiones como tratado de teologia especulativa
- A abertura das Confessiones com um elenco de nomes divinos que opera pela via positiva (catáfase) e pela via negativa (apófase).
- A superação tanto da predicação quanto da denegação por um terceiro modo de elocução: a denominação por meio do louvor no modo vocativo.
- A conclusão de que, sobre Deus, não basta falar sobre ele, mas é necessário falar a ele no modo do louvor.
- A estrutura das Confessiones como um louvor duplamente radicalizado, iniciando e concluindo com a citação das Escrituras.
- A insuficiência de qualquer nome único devido à incompreensibilidade de Deus, que exige a multiplicação dos nomes.
- A ignorância douta (docta ignorantia) como conhecimento apropriado ao incompreensível, aprendida do Espírito de Deus.
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A ausência do termo Ser na abertura das Confessiones e a interpretação ontológica dos comentadores
- A observação de que o termo Ser (esse) não aparece na invocação inicial das Confessiones.
- A afirmação comum entre os comentadores de que Santo Agostinho define Deus pelo esse, culminando numa "ontologia teológica" ou "metafísica do Ser".
- O questionamento sobre uma possível incoerência em Santo Agostinho ou uma dificuldade dos leitores modernos em impor o horizonte do Ser.
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Os argumentos para a ligação entre Deus e o Ser em Santo Agostinho
- O argumento de autoridade escriturária a partir de Êxodo 3:14, "Ego sum qui sum", associado a Platão.
- A interpretação da tautologia do Ser como o nome por excelência de Deus.
- A formulação extrema que identifica Deus com o próprio fato de Ser: "bonum est, quidquid aliquo modo est: ab illo enim est, qui non aliquo modo est, sed est est".
- O redobramento do esse em ipsum esse e em idipsum esse.
- A sugestão de uma interpretação tomista avant la lettre, onde o ipsum esse garantiria a essência divina.
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A primazia do termo idipsum sobre o ipsum esse na denominação agostiniana de Deus
- A contestação da conclusão anterior pela análise do termo preferencial de Santo Agostinho, idipsum.
- O uso decisivo de idipsum na experiência contemplativa de Ostia: "erigentes nos ardiore affectu in idipsum".
- O uso litúrgico e comunitário de idipsum no louvor do Sanctus: "tu Domine, qui non es alias aliud et alias aliter, sed idipsum et idipsum et idipsum, 'sanctus, sanctus, sanctus, Dominus Deus omnipotens'".
- A caracterização de idipsum como um puro deítico que indica sem significar, praticando uma denominação estrita.
- A dificuldade de tradução de idipsum, frequentemente substituído por "être même" ou "Ser mesmo".
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A tradução tendenciosa de idipsum por ipsum esse e a influência da interpretação metafísica
- A constatação de uma leitura equivocada constante nas traduções, que substituem idipsum por ipsum esse.
- Exemplos de substituição inconsciente em passagens das Confessiones.
- A explicação de que as distorções provêm de um escrúpulo conceptual que impõe a decisão tomista sobre o nome mais próprio de Deus.
- A admissão consciente por um tradutor de que a tradução por "Ser mesmo" é uma interpretação no "sentido metafísico".
- O questionamento da legitimidade de aplicar retrospectivamente uma interpretação "metafísica" ao idipsum agostiniano.
- A operação de substituir um conceito metafísico de Ser por uma denominação radicalmente bíblica e apofática.
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A proveniência bíblica e o estatuto apofático de idipsum
- O argumento decisivo para suspender a interpretação metafísica: a proveniência bíblica de idipsum do Salmo 121:3.
- A interpretação agostiniana de idipsum como "a própria coisa" na qual se deve participar, tornando-se a denominação última de Deus.
- A autorização de uma exegese bíblica literal que confere a idipsum um estatuto teológico radical, resistente ao ipsum esse.
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A especificação de idipsum nos Comentários aos Salmos 121
- O caráter radicalmente apofático de idipsum: "Quid est idipsum? Quomodo dicam, nisi idipsum?... quidquid aliud dixero, non dico idipsum".
- A definição negativa de idipsum como o que é sempre do mesmo modo, imutável, em oposição ao modo de ser mutável da criatura.
- A introdução de Êxodo 3:14 (Sum qui sum) somente após idipsum e a partir de sua apófase, sendo por ele abarcado e significado.
- A atribuição de Êxodo 3:14 também a Cristo, o Filius visibilis, no contexto da kenosis.
- A função de idipsum governada não pelo Ser, mas pela caridade de Deus e pela perspectiva da divinização por Cristo.
- A equivalência final entre idipsum e o Sanctus do louvor litúrgico.
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O primado da imutabilidade sobre o Ser na interpretação agostiniana de Sum qui sum
- A subordinação do esse à imutabilidade no pensamento agostiniano: "Esse, nomen est incommutabilitatis".
- A diferença entre o criador e a criatura como diferença de modos de ser (imutável/mutável), organizando o ser a partir de uma distinção mais originária que a ontológica.
- A designação direta de idipsum pela imutabilidade, sem mediação do Ser.
- A interpretação de Sum qui sum a partir da imutabilidade de idipsum, e não o inverso.
- A diferença divina marcada originariamente pela imutabilidade, que determina a diferença nos modos de ser, e não pelo Ser.
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A aparente exceção do Sermão 7 sobre o Salmo 6 e a confirmação da divergência com a ontologia tomista
- A dificuldade representada pelo texto que interpreta a eternidade de Deus com o léxico do Ser: "Aeternitas ipsa Dei substantia est... Non est ibi nisi: Est".
- A oposição de Étienne Gilson, que vê neste texto a prova dos "limites últimos da ontologia" de Santo Agostinho em comparação com o princípio tomista "Deum est suum esse".
- A constatação de que a suposta "insuficiência ontológica" de Santo Agostinho atesta a ilegitimidade de impor uma hermenêutica ôntico-ontológica a um pensamento que se move em um horizonte diferente da metafísica.
- A conclusão de que Santo Agostinho, mesmo usando ocasionalmente ipsum esse, não pensa Deus como Ser, para não fazer do Ser um deus.