LAYTON, Bentley; BRAKKE, David. The Gnostic Scriptures. second edition ed. New Haven (Conn.) London: Yale University Press, 2021
ATO IV: A HISTÓRIA SUBSEQUENTE DA RAÇA HUMANA
Aos olhos gnósticos, o ato final do drama ainda está em andamento. Um salvador celestial foi enviado para “despertar” a humanidade gnóstica, para lhes dar conhecimento (gnosis) de si mesmos e de deus, para libertar suas almas do destino e da escravidão ao corpo material, e para ensinar-lhes como escapar da influência dos governantes malévolos. Para neutralizar o espírito maligno desses governantes, um espírito bom foi concedido aos gnósticos. Conforme cada alma responde e adquire conhecimento, ela ou escapa e retorna a deus ou reencarna em outro corpo; um “castigo eterno” especial é reservado para os apóstatas da seita.
Algumas versões deste ato final do mito se restringem a questões teológicas gerais e falam da vinda final de um salvador sem detalhes históricos. Outras se detêm em uma descrição futurista da destruição final dos governantes malignos e da morte, enfatizando assim o resultado da vinda do salvador. Ainda outras versões se referem a eventos na história bíblica que o cristianismo não gnóstico via como partes do pano de fundo da encarnação (Noé e o dilúvio, genealogias da humanidade, os profetas de Israel, João Batista) e prosseguem para falar de Jesus de Nazaré, sua crucificação, sua ressurreição e seus ensinamentos pós-ressurreição, ou sua ascensão. O papel especial de Jesus nestas versões resulta de ele ser a encarnação de um Christos preexistente, um Verbo preexistente, um Seth preexistente, ou Barbelo.