WOJTYLA, Karol. Personne et acte. Gwendoline Jarczyk. Paris: Centurion, 1983
O conceito de "pessoa em ato", conforme proposto neste trabalho, deriva de pesquisas anteriores, em especial da análise de M. Scheler e de sua ética dos valores. Scheler, como é sabido, desenvolveu sua ética material dos valores com o objetivo de contestar a ética a priori da forma pura (ou do puro dever), que, por herança de Kant, dominou o século XIX.
Independentemente de sua relação com Husserl, a crítica de Scheler seguiu a linha fenomenológica de "retorno ao objeto". Esse debate central, que visava a recuperar a objetividade na ética e na moral, toca na raiz do problema do sujeito, ou seja, da pessoa humana.
Essa nova perspectiva, contrastante com a filosofia tradicional (aqui entendida como a pré-cartesiana, especialmente a herança de Aristóteles e, entre as escolas católicas, a de São Tomás de Aquino), levou-me a uma tentativa de reinterpretar certas formulações dessa tradição. A primeira pergunta que surgiu na mente de quem, à época, estudava Santo Tomás (certamente um estudante modesto) foi: qual a relação entre o ato, interpretado como actus humanus pela ética tradicional, e o ato como experiência?
Essa e outras questões me guiaram, gradualmente, a uma formulação mais sintética, que resultou neste estudo, "Pessoa e Ato".
O autor deste trabalho deve tudo, por um lado, aos sistemas de metafísica, antropologia e ética aristotélico-tomistas e, por outro, à fenomenologia, principalmente na interpretação de Scheler e, através da crítica de Scheler, também a Kant. Ao mesmo tempo, um esforço pessoal foi empreendido para alcançar a realidade do homem-pessoa vista por meio de seus atos.