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id da página: 11187 Karl Renz – Neti Neti – Bhakta e Jnani Karl Renz

Karl Renz Neti Neti Bhakta Jnani

RENZ, Karl. Undecided. Neti-Neti. Edited By MANJIT ACHHRA. Mumbai: Zen Publications, 2015

Bhakta e Jnani. Dois nomes diferentes de não-posse absoluta

A Definição de Maya e o Conceito de Diferença

K: Maya é o lugar onde você tem diferenças. Dois – isso é Maya; onde há diferenças, onde você tem tempo e objetos do tempo. Tudo isso é Maya. O não-tempo é Maya também. Tempo e não-tempo são diferentes, então até isso é Maya.

K: Qualquer coisa de que você possa fazer um oposto, qualquer coisa que você possa nomear, qualquer coisa que você possa enquadrar, qualquer coisa que você possa imaginar – é Maya. Mas Aquilo que você pode chamar de Realidade não é algo que você pode imaginar. Você pode imaginar o nome Realidade, mas com isso você não pode imaginar a Realidade. Todo o resto que você pode imaginar, que você pode experimentar ou não-experimentar, é tudo Maya. Você também pode chamar de um sonho.

K: Sempre que você vê seu irmão, você vê Maya. [Risos] Quando você é irmã de alguém, você pode ter certeza de que isso é Maya. O que quer que você possa imaginar como vida ou existência, especialmente quando você nasce, você está realmente estabelecido em Maya.


A Ilusão do Aprisionamento e a Armadilha do Esforço

K: O problema é que você nunca esteve nela! Mas agora, ao tentar sair dela, você imagina estar nela. Então você se torna um "eu" imaginário que precisa sair de algo. Isso se torna bem real porque o que quer que você imagine ser é a sua realidade. Agora, tentar sair de Maya confirma Aquele que quer sair.

K: Esperar que fazendo ou não fazendo você sairia de Maya, coloca você no sonho. Não há nada que você possa fazer ou deixar de fazer para sair de Maya, porque o problema é que não havia ninguém em Maya em primeiro lugar.

K: A derradeira medicina de Maharaj é não se encontrar: procurar por toda parte, mas não se encontrar em lugar algum. Agora você acredita que se encontrou, como alguém que nasceu como um corpo. Isso é miséria, você sabe – uma crise existencial permanente! É natural desejar sair dela. Mas qualquer coisa que você faça a partir dessa posição te confirma. É uma armadilha perfeita. Quanto mais você quer sair da prisão, mais você continua prisioneiro: uma armadilha totalmente perfeita feita por você mesmo. Fantástico!


A Posição Absoluta e a Natureza da Realidade

K: Você não era nascido antes, você não é nascido com este corpo, e depois deste corpo é Aquilo que não é nascido. No nascimento, ninguém nasce. Então, ninguém está em Maya. Você ainda é Aquilo que você é, anterior ao nascimento e que será após a morte. Essa é a sua posição Absoluta.

K: O Fantasma [a pessoa, o ego] é que se considera nascido. O Ser jamais considerará nada. Sua natureza nunca considera nada.

K: A única Realidade que foi, é e será é Aquilo que você é. A Vida, vivendo a si mesma numa ideia de um ‘eu’ imaginário, ainda é Vida. A Vida nunca nasce e nunca morre e a vida que você pode experimentar agora já se foi – nunca aconteceu.

K: Tudo isso são sombras da vida. Todas as sombras deste universo são experimentadas pela Vida. Mas não há nenhum experimentador aqui que seja real. O único Experimentador Absoluto é a própria Vida.

K: Somente a Vida é Realidade e o que quer que você realize agora, é o quê? Uma vida semelhante a um sonho. O Experienciador Absoluto não é diferente aqui ou ali. É apenas diferentes formas de percepção.


A Ilusão de Causa e Efeito e a Busca Inútil

K: Não há causa e não há efeito na Realidade. Você chama de Maya porque só em Maya há causa e há efeito. Há diferenças e então você faz a causa diferente do efeito. Isso é Maya, quando algo vem de algo, então você torna isso Maya. É uma ilusão.

K: A causa de todos os seus problemas é o pensamento-raiz ‘eu’ que acredita existir.

Q: A linguagem é uma ferramenta para sair de Maya?

K: Pela linguagem você não pode sair de onde você nunca esteve. Eu nunca fiz nada. Eu nunca me realizei. Eu digo a você que eu nunca realizei o meu verdadeiro ser. Jamais haverá alguém que realize seu verdadeiro ser – nem mesmo o Ser. Não há necessidade de realização para mim para ser o que Eu Sou.

K: Para o que Eu Sou e o que você é, nada jamais aconteceu. Como pode a linguagem tirar você daquilo onde nada jamais aconteceu? A linguagem é parte dos acontecimentos.

K: O buscador absolutamente melhor nunca encontrará o que está procurando. Talvez o problema todo seja que você nunca se perdeu, como pode se encontrar?


O Paradoxo da Existência e o Ser Natural

K: Você é o paradoxo. Você quer fazer disso algo que possa ser conhecido e com isso você sofrerá, eu lhe digo. O que quer que você tente entender agora é um mal-entendido.

K: O Ser [Self] desistiu do Ser ao ser o que é. Isso não é um fazer. É apenas ser o que você não pode não ser.

K: "Quem Sou Eu?" não é uma técnica que se pronuncia. Você é a resposta a essa pergunta. Não é como alguém que pergunta "Quem Sou Eu" e depois alguém esperando por uma resposta em algum lugar. Não. Você é a resposta a essa pergunta, Quem Sou Eu – o Silêncio. Não há resposta nisso, mas você é a resposta.

K: Em que pese a pergunta ‘Quem’, em que pese a pergunta ‘Sou’, em que pese a pergunta ‘Eu’, você é. Você é a resposta Absoluta a tudo o que você pode questionar.

K: Essa quietude por si só pode satisfazer você. Não há mais anseio. Não há ideia de lar. Não há ideia, nem conceito algum de existência ou não-existência. Apenas ser isso encerra toda a busca e todo o anseio.

K: Ser o que você não pode não ser – terminado! Ser o que você não pode não ser, o que é apesar da presença ou ausência de qualquer tipo – que nunca precisa de nada. Esse é o seu estado natural, que é Samadhi.