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id da página: 7921 Karl Renz – Neti Neti – nada saber Karl Renz

Karl Renz Nada Saber


Karl Renz. Undecided: Neti-Neti. Mumbai: Zen Publications, 2015

P Outro visitante: Existe algum processo para saber a hora da nossa morte?

K: Depende do que se quer se tornar. Qual é o seu objetivo?

P: O meu objetivo é sair deste círculo de reencarnação...

K: Porque se quer sair do círculo, se está no círculo. Uma coisa vem com a outra. Agora se acredita estar no círculo, tentando sair do círculo. Mas com isso, se permanece no círculo. Tentar se livrar da ideia cria a ideia. Agora se está aprisionado e porque se quer sair da prisão, se é o prisioneiro. O que fazer? Tentar com mais empenho. O que se seria fora da prisão? O que se faria ao sair dela?

P: Não sei...

K: Mas sabe que está aprisionado e afirma não saber em que prisão. Mas sabe que quer sair e que não é aqui que quer estar. Pensa que está em uma prisão, mas nem sabe o que a prisão é. Mas quer sair dela. Nem sabe o que a roda da reencarnação é, mas quer pará-la.

P: Claro, não sei nada. Risos Não sei onde estou agora...

K: Não se sabe onde se está agora e não se sabe para onde ir. Se essa realmente fosse a tua verdadeira natureza, estarias bem feliz. Se esse realmente fosse o teu conhecimento agora, que não se sabe onde se está e não se sabe onde não se está – de onde se veio, onde se está e para onde se vai, se estaria bem feliz. Mas o seu problema é que pensas saber de onde vieste. Afirma algo que não sabe, como sua realidade.

P: Não sei...

K: É um falso não saber, porque há um ‘eu’ na frente disso. Sempre que há um ‘eu’ na frente disso – ‘eu’ sei ou ‘eu’ não sei – é um falso saber e um falso não saber. É sempre ‘eu’ sabendo e ‘eu’ não-sabendo. Um reclamante que afirma saber e um reclamante que afirma não saber. Um reclamante que afirma ser algo e quando tem um pouco de entendimento afirma ser nada – ‘Eu sou algo, eu sou nada. Eu sei, eu não sei.’

É tudo um fantasma tentando sobreviver. Se sabe que isso não é mais verdade, então é melhor ir para o lugar do não-saber, porque quando se não sabe, não se tem que defender. É um lugar mais seguro. No lugar mais seguro do não-saber se pode permanecer como um fantasma que não sabe. Mas não aqui. Aqui se será alvejado; sabendo ou não sabendo. O não-saber é a mesma coisa que o saber, porque há um ‘eu’ na frente disso. Há um ‘eu’ que é identificado e há um ‘eu’ que não é identificado. Ambos têm que ser falsos. O que quer que o ‘eu’ afirme é falso.

Então, qual é a sua pergunta? Hoje é a última conversa e eu gosto quando o tempo acaba. É como quando as pessoas envelhecem, elas vão mais a templos e igrejas e rezam mais. Elas têm a sensação de que se eu não fizer isso agora, talvez não tenha mais tempo depois. Elas se tornam espirituais – por via das dúvidas. Porque em breve eu terei ido e não sei o que acontecerá e talvez haja um Deus, então por via das dúvidas eu rezo. Por via das dúvidas de que o Senhor exista, eu acredito no Senhor. O que se faz aqui? Se pensa que por via das dúvidas o conhecimento possa deixar a pessoa, então já agora se entra no não-saber.