Historiador acadêmico e pesquisador da história do cristianismo, no século XX. (VISITE)
Um posicionamento deste autor, conforme salientado por Harold Bloom (BLOOM, Harold. Javé e Jesus: Os Nomes Divinos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2021), serve para ilustrar algo de seu pensamento na historiografia cristã:
É tarde demais, na história ocidental, para qualquer auto-ilusão de natureza religiosa ou humana quanto à apropriação da Bíblia Hebraica pelo cristianismo. E, certamente, tarde demais, na história judaica, para não se entender com plena clareza o caráter e o efeito desse ato cristão de usurpação total. A melhor descrição preliminar que conheço é a de Jaroslav Pelikan:
O que a tradição cristã fez foi tomar como suas as Escrituras Judaicas, de modo que Justino pôde dizer a Trifo que as passagens acerca de Cristo “estão contidas nas vossas Escrituras, ou melhor, não vossas, mas nossas”. Na realidade, algumas passagens constavam exclusivamente das “nossas”, isto é, do Antigo Testamento cristão. Os teólogos cristãos sentiam-se tão seguros em sua posse das Escrituras que chegavam a acusar os judeus não apenas de as compreender e interpretar mal, como também de falsificar textos sagrados. Quando encontravam diferenças entre o texto hebreu do Antigo Testamento e a Septuaginta, aproveitavam-se do achado para comprovar suas acusações .... A crescente facilidade com que apropriações e acusações podiam ser feitas era proporcional à plenitude da vitória cristã sobre o pensamento judaico. Entretanto, essa vitória se deu, em grande parte, espontaneamente. O maior responsável foi o movimento da história judaica, e não a força superior da exegese, da erudição ou da lógica cristã.