DA SABEDORIA SUBLIME (al-hikmat al’-uluwiyah) NO VERBO DE MOISÉS
- Da sabedoria sublime (al-hikmat al-uluwiyah) no verbo de Moisés
- O favor divino na formação de Moisés
- O assassinato dos meninos israelitas por Faraó como um meio de afluir a vida de cada criança para Moisés.
- Moisés como a síntese das vidas primordiais das vítimas, representando um favor divino excepcional.
- A prefiguração na predisposição psíquica de cada criança se encontrando em Moisés.
- A influência da juventude e a mediadora da água
- As sabedorias de Moisés sendo numerosas e inspiradas pelo Mandamento divino (al-amr).
- Moisés nascendo como uma síntese de muitos espíritos vitais, que eram forças ativas.
- A ação do jovem sobre o adulto pelo poder atrativo e a proximidade do jovem com o Senhor.
- O Enviado de Deus se expondo à chuva, por ela vir "toda fresca de seu Senhor", e fascinando o mais nobre dos homens por sua proximidade com Ele.
- A água como mediadora da qual Deus "criou toda coisa viva".
- O simbolismo da arca e o governo divino do mundo
- A sabedoria implicada em Moisés ter sido posto em uma arca (at-tabut) e abandonado ao Nilo.
- A arca correspondendo ao receptáculo humano (an-nasut) de Moisés e o Nilo ao conhecimento que ele teve de assimilar.
- A alma governando o corpo por ordem divina e sendo dotada das faculdades para realizar o que Deus quer.
- A arca como o símbolo onde habita a Paz (as-sakinah) do Senhor.
- A lição divina a Moisés de que o espírito, o rei, rege por meio das faculdades do receptáculo humano.
- O governo de Deus sobre o mundo por meio do próprio mundo e sua "forma" qualitativa.
- A forma essencial do mundo sendo os Nomes divinos e as Qualidades transcendentes de Deus.
- A criação de Adão como protótipo que sintetiza as categorias da Presença divina: a Essência (adh-dhat), as Qualidades (as-sifat) e as Atividades (al-af'al).
- A palavra do Profeta: "Deus criou Adão em Sua forma".
- O homem perfeito (al-insan al-kamil) como o espírito do mundo.
- A servidão de tudo o que está no mundo ao homem, conforme a palavra corânica: "Deus lhes tornou servível o que está nos céus e na terra, o todo d'Ele".
- A diferença de conhecimento entre o homem universal e o homem animal.
- A salvação pelo conhecimento e a natureza da existência
- A perda aparente de Moisés na arca, que na realidade significou sua salvação.
- A alma sendo vivificada pelo conhecimento depois de sua morte na ignorância, conforme a palavra corânica: "... ou aquele que estava morto e que Nós vivificamos, dando-lhe uma luz com a qual ele caminha entre os homens".
- A ignorância como um estado indefinido, sem termo de parada.
- A guia divina levando o homem à perplexidade (al-hayrah) diante da Realidade suprarracional.
- A existência sendo inteira perplexidade, ou seja, instabilidade e movimento, que é vida.
- A natureza da água que comunica a vida à terra e provoca o movimento, conforme a palavra corânica: "E você vê a terra deserta, e quando Nós descemos sobre ela da água, ela treme e concebe e produz todos os tipos de casais em beleza".
- A natureza da terra sujeita à dualidade e polaridade.
- O Ser divino que assume a multiplicidade de Nomes e aspectos, e a unidade essencial da multiplicidade do mundo.
- Deus aparecendo como múltiplo em virtude das formas de Sua própria revelação, e sendo o "lugar de revelação" (majla) onde as formas se revelam umas às outras.
- A história de Moisés e a misericórdia de Deus
- O encontro da família de Faraó com Moisés e o nome "Musa" (água e árvore) dado a ele.
- Faraó querendo matar a criança, mas sua mulher, que havia atingido a perfeição, se opondo a isso por inspiração divina.
- A palavra do Profeta de que a mulher de Faraó e Maria atingiram a perfeição entre os homens.
- A palavra da mulher de Faraó: "Ele será uma consolação para mim e para você".
- Moisés como consolação para a mulher de Faraó, por ela receber a perfeição, e para Faraó, por sua fé antes de se afogar.
- A submissão a Deus apagando os pecados precedentes.
- A salvação de Faraó como um sinal de ajuda divina, conforme a palavra corânica: "para que você seja um sinal para aqueles que viverão depois de você".
- A palavra corânica: "não desespere do Espírito de Deus senão o povo dos descrentes".
- A mãe de Moisés sendo consolada ao recuperá-lo como sua nutriz.
- A nutrição do ser e as vias sagradas
- A analogia da nutrição de Moisés por sua mãe com o conhecimento das diferentes vias sagradas (shara'i).
- A palavra divina: "A cada um de vocês Nós demos uma via (shir'atan) e uma direção (minhajan)".
- A proveniência de um ser, que corresponde à nutrição pelo leite materno, assim como a planta se nutre de sua raiz.
- A aparente ilicitude de uma coisa segundo uma via sagrada e sua licitude segundo outra, devido à renovação contínua da criação sem repetição.
- A aversão de Moisés contra as nutrizes simbolizando a divergência das vias sagradas.
- A verdadeira mãe de uma criança sendo aquela que a amamenta, pois ela quer conservar a vida da criança.
- A mãe que gera o embrião sendo beneficiada por ele, pois ele a protege do mal da retenção do sangue matricial.
- A destinação divina de Moisés à sua própria mãe como nutriz para que ela fosse consolada.
- O conhecimento de Moisés e o assassinato do Egípcio
- Moisés sendo salvo da angústia da arca e perfurando as trevas da natureza física pelo conhecimento.
- Moisés sendo provado "por muitas provas" e instruído sob muitas aparências para adquirir paciência.
- A primeira prova sendo o assassinato do Egípcio por Moisés, um ato por impulsão divina do qual ele não tinha consciência.
- A preservação interior de todo profeta do pecado antes de uma inspiração.
- Al-Khidr mostrando a Moisés o assassinato do garoto e dizendo: "Eu não o fiz de minha própria iniciativa".
- A ação de al-Khidr lembrando a Moisés seu próprio estado de preservação inconsciente.
- A fuga e o movimento de amor
- A perfuração da barca por al-Khidr para salvar as pessoas de um "violento", análogo à arca de Moisés.
- A mãe de Moisés, inspirada e segura de que o nutriria, jogando-o no Nilo por medo de Faraó.
- O provérbio: "O que o olho não vê, não aflige o coração".
- A esperança da mãe de Moisés de que Deus o lhe devolveria.
- A fuga de Moisés "por medo" sendo, na realidade, por amor da salvação.
- O amor como a impulsão de todo movimento, ainda que hajam causas secundárias aparentes.
- O princípio do movimento como a passagem do mundo do estado de repouso para a manifestação.
- A palavra do Profeta: "Eu era um tesouro escondido. Eu quis ser conhecido, e Eu criei o mundo".
- O movimento da não-existência para a existência como o movimento do amor se manifestando.
- O "mundo" também amando se contemplar como existente.
- A perfeição do conhecimento e do ser
- A Essência divina amando a perfeição (al-kamal) e o conhecimento.
- A perfeição divina se exprimindo na manifestação do conhecimento relativo assim como do conhecimento eterno.
- O Ser (al-wujud) sendo eterno e não-eterno, o ser de Deus em Ele mesmo e o Ser divino refletido nas "formas" do mundo imutável.
- O devir (huduth) como a manifestação do Ser por uma parte para a outra.
- O movimento do mundo nascido do amor da perfeição.
- O alívio (naffasa) dos Nomes divinos de seu estado de contração.
- O amor ao repouso (ar-rahah) que só é atingido pela existência formal.
- A distinção entre os sábios que sabem que o movimento é motivado pelo amor e os iludidos pelas causas secundárias.
- A fuga de Moisés por medo, sendo a causa consciente, mas o amor da salvação sendo a causa implícita, imanente.
- A linguagem dos profetas
- Os profetas usando uma linguagem concreta para se dirigirem à coletividade.
- A linguagem figurada para o comum, por eles conhecerem o grau de intuição dos sábios.
- A linguagem revestida de formas acessíveis para que o fraco de espírito não vá ao fundo das coisas.
- O homem de compreensão sutil, o "mergulhador", que pesca as pérolas da sabedoria.
- A diferença entre os sábios, por sua compreensão intuitiva.
- O significado da expressão de Moisés: "e eu fugi do meio de vocês por medo", em vez de "eu fugi do meio de vocês por amor da salvação".
- O encontro em Midian e a lição de al-Khidr
- Moisés chegando em Midian, tirando água para as duas filhas e se retirando à sombra divina.
- Moisés dizendo: "ó meu Senhor, eu sou pobre a respeito do bem do qual Você me dota".
- A reconstrução do muro por al-Khidr sem salário, o que Moisés repreendeu.
- A lembrança de al-Khidr a Moisés de sua própria ação de tirar água sem recompensa.
- O lamento do Enviado de Deus de que Moisés não tivesse se calado para que Deus contasse mais de suas ações.
- O estado inconsciente de Moisés que o fez agir daquela forma e negar a mesma coisa em al-Khidr.
- A justificação divina e a misericórdia para com aqueles que esquecem.
- A palavra de al-Khidr a Moisés: "Deus me deu um conhecimento que você não aprendeu".
- O reconhecimento da perfeição e imparcialidade de al-Khidr.
- A citação de al-Khidr a Moisés: "Eu possuo uma ciência que Deus me ensinou e que você não conhece; e você possui uma ciência que Deus lhe ensinou e que eu não conheço".
- A distinção das ciências também no seio da comunidade maometana, com o relato do Profeta sobre a fertilização da palmeira: "Vocês são mais sábios que eu nas coisas de seu mundo".
- A dignidade e o poder
- A palavra de Moisés a Faraó: "... e Deus me investiu do poder de julgamento (hukm)".
- A distinção entre a função de representante (khalifah) de Deus na terra e a de enviado (ar-risalah).
- Nem todo profeta é enviado, e nem todo enviado é representante de Deus na terra.
- O representante de Deus julgando pela espada e dispondo do poder temporal.
- A questão da quididade divina e a sabedoria de Moisés
- A questão de Faraó sobre a quididade (mahiyah) divina: "O que é (ma) o Senhor dos mundos?".
- A intenção de Faraó de provar Moisés, e não por ignorância.
- A questão sendo imaginária, para fazer a comitiva de Faraó crer que ele era mais sábio.
- A primeira resposta de Moisés: "O Senhor dos Céus e da terra e do que está entre os dois, se vocês têm a certeza".
- A réplica de Faraó: "em verdade, seu enviado... está possuído".
- A questão sobre a quididade sendo válida no uso dos conhecedores, e a resposta de Moisés sendo a única possível.
- Moisés respondendo pela demonstração da ação, fazendo da relação de Deus com as formas a definição essencial d'Ele.
- A segunda resposta de Moisés, para os que têm razão ('aql): "O Senhor do oriente e do ocidente... se vocês raciocinam".
- A primeira resposta para os que têm a certeza (yaqin), e a segunda para os que se apegam à razão.
- A prisão de Moisés e o poder aparente de Faraó
- Faraó dizendo a Moisés: "Em verdade, se você toma um outro que eu para divindade, vamos pô-lo na prisão".
- A significação sutil da palavra prisão (sijn) como "esconder", "ocultar" ou "velar".
- A resposta de Moisés, que compreendeu o pensamento de Faraó e lhe rendeu justiça em seu próprio plano.
- A dignidade se provando pelo poder e a faculdade de agir sobre o outro.
- A superioridade da Realidade divina manifestada na dignidade de Faraó sobre a de Moisés nessa assembleia.
- Moisés pondo uma barreira à hostilidade de Faraó, dizendo: "E se eu lhe produzo uma coisa evidente?".
- A exigência de Faraó: "Produza-a, pois, se você é sincero", para não parecer injusto.
- A transmutação do vício em virtude e a crença dos mágicos
- Moisés jogando seu cajado ('asa), que se torna um "dragão evidente".
- A desobediência ('asa), que é vício, se transformando em obediência, que é virtude.
- A palavra divina: "Deus muda seus vícios em virtudes".
- O cajado e a serpente como essências diversas em uma única substância.
- O conhecimento dos mágicos que superava a medida do homem e que os fez crer.
- A crença dos mágicos no "Senhor dos mundos, o Senhor de Moisés e de Aarão".
- A afirmação de Faraó: "Eu sou seu Senhor supremo", significando sua autoridade aparente.
- Os mágicos que confirmaram Faraó por ele dizer a verdade em seu plano: "Você não rege senão esta vida terrestre, decida, pois, o que você quer, o reino é seu".
- A ação de cortar e crucificar cumprida pela essência divina revestida de uma forma vã.
- O encadeamento das causas não podendo ser abolido, sendo determinado pelas essências imutáveis (al-a'yan ath-thabitah).
- A palavra de Deus: "Não há mudança para as palavras de Deus".
- A salvação de Faraó e a morte do crente
- A palavra divina sobre a fé que não serve quando se vê o castigo, e a exceção para o povo de Jonas.
- A fé tardia de Faraó não o impedindo de ser atingido pelo castigo na terra.
- Faraó não tendo certeza de sua morte no momento de sua fé.
- A fé de Faraó naquele em quem criam os filhos de Israel: "Eu creio que não há de divindade fora daquela em quem criam os filhos de Israel".
- A salvação de Faraó do castigo infernal em sua alma e a salvação de seu cadáver, conforme a palavra corânica: "Nesse dia Nós o salvaremos quanto a seu corpo, para que você seja um sinal para aqueles que viverão depois de você".
- A condenação de Faraó não sendo baseada em nenhum texto sagrado.
- Deus não pegando a alma de um homem sem que este creia.
- A aversão pela morte súbita, pois a alma é pega no estado em que estava no instante, sem tempo para se arrepender.
- A palavra do Profeta: "O homem é convocado ao julgamento final no estado onde ele morreu".
- A alma sendo uma letra (harf) existencial não ligada ao tempo, sendo pega tal qual.
- A distinção entre o descrente que é consciente da morte iminente e o que não o é.
- A revelação de Deus e o desejo do homem
- Deus aparecendo a Moisés na sarça ardente sob a forma ígnea porque Moisés procurava fogo.
- A revelação divina ocorrendo no objeto de desejo do eleito.
- A citação poética: "Como o fogo de Moisés, que ele viu pelo olho de sua necessidade, E que é a Divindade que ele não reconheceu".
- O favor divino na formação de Moisés