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id da página: 8453 Celtas – Irlanda

IRLANDA

IRLANDA


VIDE: Celtas, Druidas


René Guénon: O REI DO MUNDO

En efecto, es Irlanda el que, entre los países célticos, proporciona el mayor número de datos relativos al Omphalos; antaño estaba dividida en cinco reinos, de los cuales uno llevaba el nombre de Mide (que permanece bajo la forma anglicisada de Meath), que es la antigua palabra céltica medion, «medio», idéntico al latín medius1 . Este reino Mide, que había sido formado de porciones sacadas de los territorios de los otros cuatro, había devenido el patrimonio propio del rey supremo de Irlanda, al que los otros reyes estaban subordinados2 . En Ushnagh, que representa bastante exactamente el centro del país, estaba erigida una piedra gigantesca llamada «ombligo de la Tierra», y designada también bajo el nombre de «piedra de las porciones» (ailna-meeran), porque marcaba el lugar donde convergían, en el interior del reino de Mide, las líneas separativas de los cuatro reinos primitivos. Allí se tenía anualmente, el primero de mayo, una asamblea general enteramente comparable a la reunión anual de los Druidas en el «lugar consagrado central» (medio-lanon o medio-nemeton) de la Galia, en el país de los Carnutos; y aquí se impone igualmente la aproximación con la asamblea de los Anfictiones en Delfos.

Esta división de Irlanda en cuatro reinos, más la región central que era la residencia del jefe supremo, se vincula a tradiciones extremadamente antiguas. En efecto, por esta razón, Irlanda fue llamada la «isla de los cuatro Señores»3 , pero esta denominación, lo mismo que la de «isla verde» (Erin), se aplicaba anteriormente a otra tierra mucho más septentrional, hoy día desconocida, quizás desaparecida, Ogygia o antes Thulé, que fue uno de los principales centros espirituales, si no incluso el centro supremo de un cierto periodo. El recuerdo de esta «isla de los cuatro Señores» se encuentra hasta en la tradición china, lo que parece no haber sido precisado nunca; he aquí un texto taoísta que da fe de ello: «El emperador Yao se esforzó mucho, y se imaginó haber reinado idealmente bien. Después de que hubo visitado a los cuatro Señores, en la lejana isla de Kou-chee (habitada por «hombres verdaderos», tchenn-jen, es decir, hombres reintegrados al «estado primordial»), reconoció que lo había estropeado todo. El ideal, es la indiferencia (o más bien el desapego, en la actividad «no actuante») del sobre-hombre4 , que deja girar la rueda cósmica»5 . Por otra parte, los «cuatro Señores» se identifican a los cuatro Mahârâjas o «grandes reyes» que, según las tradiciones de la India y del Tíbet, presiden en los cuatro puntos cardinales6 ; corresponden al mismo tiempo a los elementos: el Señor supremo, el quinto, que reside en el centro, sobre la montaña sagrada, representa entonces el Éther (Akâsha), la «quintaesencia» (quintaessentia) de los hermetistas, el elemento primordial del que proceden los otros cuatro7 ; y tradiciones análogas se encuentran también en la América central.


Études Traditionnelles 41 200-201 (1936)

  • Sistema Cabírico dos Antigos Irlandeses Segundo M. Pictet
    • O conhecimento do sistema cabírico dos Irlandeses, conforme descrito por M. Pictet, é indispensável para a compreensão da religião dos Gauleses e para a formação da teoria das religiões em geral.
    • O sistema religioso irlandês tinha como centro a ilha sagrada, com a montanha de Ouisnéach como chefia do culto e residência dos sacerdotes, onde mantinham o fogo sagrado.
    • O deus gaélico, Bath ou Baoth (Hu gaélico), manifestava-se sob aparências fabulosas, cindindo-se hermafroditicamente em Bath e Eire, e subdividindo-se em duas tríades (uma masculina e outra feminina).
    • O Deus supremo dos Gaels (Galls ou Gaels) era inefável, sendo chamado A E ("o Ele", o Ser por excelência) e também Comdhia ("o Deus uno e múltiplos").
    • O nome Comdhia pode se referir a uma divindade panteísta que contém todos os deuses e espíritos em sua unidade, ou a uma tríade (visto que o termo foi empregado para designar a Trindade cristã).
    • Indícios de uma trindade irlandesa são a subdivisão de divindades secundárias em três personalidades (sendo que uma delas tomou o nome de Threide ou "Três-Deuses"), e o uso de três linhas espirais no monumento de Droghéda como símbolo da Trindade cristã.
    • Outros nomes de Deus incluem: o Magnífico, o Forte, sábio e bom, o Alto, a Grande-Cabeça (que lembra a Grande-Face dos Cabalistas), Jonn (que parece ibérico) e Monn ou Mann (que recorda Mann germânico, Manou indiano, Ménès egípcio, Minos cretense e Manitou americano).
    • A personalidade divina que se manifesta fora da esfera superior e infinita é Samhan, o ministro do Deus absoluto.
    • O nome Samhan significa "semelhante ao sol", o que, ao ser um termo de comparação que exclui a identificação do deus com o rei dos astros, é um "enérgico desmentido" a Dupuis, cuja teoria é derrubada por uma palavra imaginada há quatro ou cinco mil anos por um "sacerdote bárbaro".
    • Samhan (provavelmente uma das pessoas da tríade suprema) é o Deus chefe dos deuses associados, mestre de todas as coisas e, ao mesmo tempo, criador e criatura, servindo ao deus desconhecido que dá vida ao mundo.
    • Samhan é o rei das almas, que guia, julga e, sob uma forma assustadora, pune nos infernos, o que lhe valeu os nomes de Bâl-Sab ("senhor da morte") e "mau espírito".
    • Samhan se divide em duas personalidades: uma benfeitora e celeste, e outra infernal e temida (que os sacrifícios buscam desarmar), sendo que Bâl ou Béal é a mesma pessoa que Samhan.
    • Bâl é a personificação do fogo sagrado que se tornou sensível e reside no centro do mundo.
    • Samhan é um deus metafísico incorporado ao mundo e ao sol, que são símbolos fundamentais da sociedade nacional e religiosa, sendo que a sociedade pura era representada pela associação dos doze Cabires.
    • Samhan era a "ídolo" adorada por um rei da Irlanda sob o nome de "Cabeça de todos os deuses", rodeada por doze pequenas figuras de bronze.
    • Os doze Cabires eram representados por círculos de pedras brutas, cuja rusticidade é a prova de um afastamento em relação ao que é puramente humano na religião.
    • Os doze deuses dançavam uma ronda chamada a "magia de Samhan", sendo a sucessão dos tempos, anos e revoluções da esfera efeito da potência de Samhan.
    • A esfera é oblíqua, com o norte próximo ao zênite e o sul próximo ao nadir.
    • A parte oriental (metade tenebrosa e metade luminosa) é habitada por seis deuses (linha masculina) que se movem em direção ao polo boreal (ascendente), enquanto a parte ocidental é habitada por seis deusas (linha feminina) que se movem em direção ao polo austral (descendente).
    • No polo austral, inclinado para o nadir, reside Axire (Mãe dos deuses e, consequentemente, dos homens), a mesma que Axiéros dos mistérios gregos.
    • Axire é a caverna mística, a habitante dos lugares profundos, a lua escura e a terra, mãe do sol-criança, confundindo-se com as águas imensas e primitivas.
    • Ela é o ponto de partida dos Cabires machos e o termo dos Cabires fêmeas.
    • Axire simboliza os profanos cheios de pobreza e escuridão, do meio dos quais os iniciados são tirados "como do seio de um dilúvio".
    • O fogo celeste e divino torna Axire (as águas primordiais e estéreis) fecunda em seus elementos obscuros e pesados, sendo sua morada figurada pela caverna subterrânea de Droghéda.
    • Aesar (Março), que preside ao primeiro mês do ano, é a "calor da primavera que nasce do inverno" e a "terra nova que se liberta das águas do dilúvio", sendo o primeiro dos seis deuses machos ascendentes ao oriente.
    • Aesar é o fogo-princípio depositado pelo céu no seio da desordem de Axire, sendo o primeiro elo da cadeia cabírica.
    • Aesar dá o impulso ascendente que se comunica a toda a linha, até que a ronda mística retorne sobre si mesma e desça a ocidente (linha feminina).
    • Aesar é seguido por Aïn (Abril), o filho de Séathar (deus forte, sábio e bom), que se cinde em uma tríade (Taulac, Fan e Mollac), sendo estas deidades presididas pelo fogo.
    • Acima de Aïn surge Céaras (Maio), outro deus do fogo, em cujo mês se acendia um grande fogo no horizonte oriental fora da cidade de Tarah para fazer nascer o dia divino.
    • Céaras é um revelador na pessoa de Oghma (seu irmão), que é civilizador e inventor do alfabeto, sendo seus filhos Brid ou Brit (deusa da poesia, que deu nome aos Bardos) e Midr ou Mithr (os raios de sol).
    • Mais alto está Lufe (Junho), seguido pela tríade Géamhar (o trigo em erva), Dius (espiga e constelação) e Tath (a colheita), que formam um pequeno ciclo inteiro em Julho.
    • O Cabire superior e último macho é Néith (Agosto), cuja casa está ao norte da esfera, não longe do zênite, sendo um deus dos combates que mantém o mundo sob sua lei.
    • A Cabire que segue é Nath (Setembro), que sai do topo da esfera (o front de Néith-Jupiter) como Minerv ou Athana, sendo a deusa da ciência, das artes e da sabedoria.
    • Mais abaixo está uma tríade em Outubro (Brighit, Ceachd e Cann) que preside à sabedoria material (a dos ferreiros e médicos), à saúde e à lua cheia (que é precursora das trevas).
    • No horizonte ocidental, Aedh (Novembro) preside ao fogo que se extingue, e seu nome significa "o olho", pois ocidente e oriente são as pálpebras do mundo que se abrem e se fecham.
    • Abaixo do horizonte, Céara (Dezembro) preside ao trigo (como Ceres) e à provisão que se consome, e sua filha Porsaivean é o trigo confiado à terra.
    • Mais abaixo ainda, Eo-Anu (Janeiro) é o mundo sagrado morto e sepultado sob a neve, sendo chamado Bidghoe ("a Ilusão"), que tem apenas a aparência dos bens de Céara.
    • Bâl ou Béal, a Grande-Cabeça, é o centro dos deuses-mês, o Samhan dominador, que dá à associação o caráter divino do número ímpar, que é ele próprio.
    • É Samhan que, no nono mês (morada horizontal de Aedh), aguardava as almas, julgava-as e admitia os justos no lugar de felicidade, precipitava os maus no lugar de tormentos, e condenava os que não haviam cumprido a medida de uma vida plena a recomeçar a existência terrestre.
    • Os condenados à reencarnação eram provavelmente os não iniciados, que o sacrifício de um carneiro preto não podia expiar.
    • Samhan, presidente dos deuses cabires (mutuamente confederados), era a cabeça do corpo completo dos Tromdhe (deuses associados), cuja unidade criadora (o número ímpar) dava o elemento divino aos círculos de pedras místicos.
    • Os sacerdotes irlandeses, à semelhança dos dos Kimris e dos Pelasges, tomavam os nomes dos deuses, tornando-se seus representantes visíveis e, em certa medida, sua realização.
    • A união íntima dos iniciados com a associação divina exigia uma cerimônia religiosa, sendo esta cerimônia iniciatória o objeto de uma vaga lembrança de Strabon sobre mistérios de um deus comparado a Baco em uma ilha vizinha da Inglaterra.
    • Os mistérios expressavam a morte mística dos adoradores que nasciam uma segunda vez, e o fim da grande ano que recomeçava.
    • Um dos objetivos dos mistérios era reavivar a espera pela destruição do mundo e seu significado simbólico, que é a decadência da religião nacional em meio à impiedade e a guerras de extermínio, antes de uma nova criação.
    • Antes da renovação, a lua (que era ameaçadora em Cann) tornava-se Eirinn (a Erynnis grega), uma fúria enlouquecida de dor pela morte do Sol, e os iniciados, a seu exemplo, se entregavam a orgias delirantes e macerações sangrentas.
    • Samhan é nefasto nos Cabires descendentes, sendo seu emblema a lagarta, que representa os instintos de destruição do espírito mau.
    • A lagarta (que imita as ondulações da água que escoa no outono/inverno) destrói a grama verde (símbolo da vida) e, em sua marcha descendente, a vida desaparece no inverno.
    • Pela sua energia mágica, o deus cativo quebra seus laços e sua prisão, assumindo a forma leve e brilhante da borboleta, emblema do espírito sutil e da alma liberta dos laços do corpo.
    • A borboleta eleva-se, como chefe dos iniciados, até o céu, repousando nas flores (emblemas dos astros brilhantes) e não conservando nada da forma profana da lagarta.