Um dos seguidores de Gurdjieff mais ativos, próximo a Mme. de Salzmann, com quem conduziu a tradução da principal obra de Gurdjieff, "Récits de Belzébuth à son petit-fils", para o francês.
Um punhado de textos díspares, os mais antigos datando de mais de cinquenta anos... qual seria, então, o “propósito”?
Digamos logo de início: não me considero um escritor, e isto não é o (bem magro) tomo I de minhas obras completas... De todo modo, uma coisa é certa: não haverá tomo II.
Mais simplesmente, alguns amigos pediram-me, não sem insistência, que reunisse alguns escritos, artigos e conferências. E, afinal, disse sim...
Quanto à escolha... acumulei em minhas gavetas dossiês cheios de documentos do tempo em que era globetrotter, fotógrafo e jornalista de profissão, alguns relatos de colóquios dos quais participei e os cadernos íntimos onde anotava minhas impressões sobre tudo o que me parecia responder a uma busca já sentida como essencial.
Para dizer toda a verdade, sempre que me acontecia, ao longo dos anos, mergulhar o nariz nesses papéis, saía deles, no mínimo, perplexo e um tanto desamparado. Em seguida, prometia a mim mesmo, para concluir, fazer deles, no próximo São João, a mais selvagem e vingativa das fogueiras!
Assim, o pouco que aqui conservo pode ser considerado, literalmente, como salvo das chamas.
“Há um heroísmo em agir sem outra sanção senão o enlevo de um progresso no sentido que é verdadeiramente o nosso.”
Essa frase de meu tio Élie Faure nunca deixou de acompanhar-me desde a adolescência. E, de década em década, encontra em mim maior ressonância, como um apelo a libertar-me, entre outras coisas, da pueril fascinação pelos resultados, pelos “progressos” acumulados como um patrimônio: de despojamento em despojamento, o ser ganha vida.
É, pois, nesse espírito que procurei reunir essas folhas dispersas, começando pelas mais antigas (I).
De devaneios em revoltas passa-se a outro estágio, o dos estudos, das interrogações sobre a cultura, depois à redescoberta das perspectivas tradicionais (II).
Mas tudo isso só adquire sentido em função do que secretamente o anima desde 1938, isto é, desde meus primeiros contatos com madame de Salzmann e o ensinamento de Georges Ivanovitch Gurdjieff. E reservei para o fim os diversos testemunhos que me foi dado fazer, seja no estrangeiro, seja na França (III, IV, V).
Pelo caminho, recorri a Luc Dietrich. Amigo precioso e companheiro entre todos, ele cuidara, no fim de 1943, de enviar a cada um de seus íntimos um caderno de perguntas de caráter confidencial. Escolhi entre elas o que melhor evocava, através de minhas respostas, o itinerário secreto que se me abria desde a infância.
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