Resumo das considerações de Guénon sobre Kardec, sua doutrina espírita e ramificações, conforme extratos de sua obra "O Erro Espírita".
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A expulsão da família Fox da igreja episcopal metodista e a hostilidade inicial da população de Rochester
- A intervenção do quaker George Willets para evitar um tumulto e a possível morte da família Fox
- As afinidades da seita dos quakers com o espiritismo, incluindo tendências humanitárias e a manifestação de "inspiração" por meio do tremor
- A possível influência da existência de seitas como a dos quakers na aceitação das primeiras manifestações espiritualistas
- A "curiosa coincidência" do fundador dos quakers, George Fox, e seus discípulos terem supostamente o poder de curar doenças
- A relação análoga, no século XVIII, entre os feitos dos convulsionários jansenistas e o sucesso do "magnetismo animal"
- A explicação de Allan Kardec para o caso dos convulsionários, intervindo, além do magnetismo, "espíritos de uma natureza mais elevada"
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A identificação de Hippolyte Rivail, discípulo do pedagogo suíço Pestalozzi, como o fundador da escola espírita francesa sob o nome de Allan Kardec
- A adoção do nome céltico Allan Kardec, considerado de uma existência anterior, por conselho dos "espíritos"
- A publicação das obras fundamentais para os espíritas franceses, como Le Livre des Esprits e Le Livre des Médiums
- A natureza coletiva da redação das obras de Allan Kardec, produto de uma colaboração que ia além da colaboração dos "espíritos"
- A declaração de Allan Kardec de que compôs suas obras com a ajuda de "comunicações" recebidas por ele e outros, revisadas e corrigidas por "espíritos superiores"
- A questão de como distinguir os "espíritos superiores" dos demais, dada a possibilidade de "comunicações" contraditórias
- A correção da opinião errônea de que Allan Kardec escreveu sob inspiração, sendo na realidade um magnetizador que obtinha as "comunicações" por meio de seus "sujeitos"
- A atribuição da coordenação dos "documentos de ultratumba" principalmente a diversos membros do grupo formado ao seu redor, e não apenas a Rivail
- A preferência dos colaboradores por manter anônima sua participação, possivelmente para não levantar dúvidas sobre a autenticidade das "comunicações"
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A crítica do famoso médium inglês Dunglas Home à doutrina de Allan Kardec, classificada entre as ilusões do mundo
- A afirmação da boa fé de Allan Kardec, cuja sinceridade projetava uma "nuvem magnética" sobre o espírito sensitivo de seus médiums
- A reprodução servil, pelos médiums magnetizados, dos próprios pensamentos de Allan Kardec, funcionando como "máquinas de escrever"
- A correção arbitrária das doutrinas publicadas por Allan Kardec quando não conformes aos seus desejos
- A atribuição da correção não apenas a Allan Kardec, mas a todo o seu grupo
- A influência das demais pessoas presentes nas sessões no teor das "comunicações"
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A colaboração de indivíduos dotados de faculdades mediúnicas diversas no grupo de Allan Kardec, incluindo um "médium desenhista"
- A descrição de uma sessão onde um médium, inspirado por Bernard Palissy, executou desenhos de "gosto requintado", incluindo a casa de Mozart no planeta Júpiter
- A identificação do médium desenhista como o célebre dramaturgo Victorien Sardou, que planejava reunir os desenhos em um "álbum do outro mundo"
- A participação no mesmo grupo do autor dramático Eugène Nus, que posteriormente se separou do espiritismo e se tornou um dos primeiros adeptos franceses da Sociedade Teosófica
- A menção a Camille Flammarion como um dos últimos sobreviventes da primeira "Sociedade Parisiense de estudos espíritas"
- O discurso de Flammarion nas exéquias de Allan Kardec em 1869 e suas posteriores negações de ser espírita
- As tendências e simpatias espíritas evidentes nas obras gerais de Flammarion, incluindo coleções de observações de fenômenos "psíquicos" nem sempre seriamente controlados
- A nomeação de Flammarion como membro honorário da Sociedade Teosófica quando esta foi introduzida na França
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A contradição entre a presença de um elemento "intelectual" nos meios espíritas e o nível manifestamente baixo de toda a literatura espírita
- O reflexo da mentalidade dos elementos mais inferiores do grupo em qualquer obra coletiva, de acordo com a "psicologia das massas"
- O caráter sentimental predominante do espiritismo, mesmo entre os literatos convertidos, como Victor Hugo por influência de Mme Girardin
- A competência limitada dos cientistas que adotam pontos de vista espíritas, restrita a um domínio especializado e sem valor fora dele
- A pouca relação entre a intelectualidade propriamente dita e as qualidades requeridas para o sucesso nas ciências experimentais modernas
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A verificação de que as "comunicações" estavam em harmonia com as opiniões do meio socialista de 1848, onde se recrutaram os primeiros adeptos
- A influência dos socialistas "místicos" ou "pseudomísticos" de 1848 na elaboração da doutrina espírita
- A frequência de Rivail, maçom, a chefes de escolas socialistas e a leitura de suas obras como fonte das ideias expressas por seu grupo
- A influência certa de Fourier e de Pierre Leroux na introdução da ideia da reencarnação no espiritismo
- A constatação contemporânea da aproximação, pelo Dr. Dechambre, entre as ideias espíritas sobre a hierarquia dos seres e as de Pierre Leroux e Fourier
- A concepção "progressista" ou "evolucionista" ligada à ideia de reencarnação, expressa na fórmula de Allan Kardec: "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei"
- A atribuição da constituição da doutrina espírita francesa a espíritos "encarnados" (Allan Kardec e seus colaboradores) e a influências "filosóficas" indiretas, e não a iniciados
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O desprezo dos ocultistas, incluindo Papus, pelo espiritismo, considerado uma "filosofia primária"
- A crítica de Papus à falta de seleção entre os adeptos do espiritismo, recrutados nas classes médias e principalmente no povo
- A contradição entre a atitude de "vulgarizador" de Papus e as pretensões ao esoterismo, incompatíveis com o verdadeiro esoterismo
- A lógica do espiritismo em rejeitar todo esoterismo e seu caráter "democrático" em concordância com uma intensa necessidade de propaganda
- O reconhecimento da justeza das críticas ocultistas, apesar de sua origem em uma escola que também nada tem em comum com um esoterismo verdadeiro
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A diversidade considerável das teorias espíritas segundo as escolas, sendo comum apenas a hipótese da comunicação com os mortos
- As divergências sobre pontos importantes como a reencarnação, admitida por uns e rejeitada por outros
- O caráter especial do espiritismo, que baseia sua doutrina inteiramente nos ensinamentos dos "espíritos", uma contrafação da "revelação" religiosa
- A redução dos milagres às proporções dos fenômenos de sessão, das profecias aos "mensagens" recebidos e a assimilação dos fundadores das religiões a médiums poderosos
- A atitude dos espíritas que se dizem cristãos, sem reconhecer a divindade de Cristo, considerado apenas um "espírito superior"
- A atitude dos espíritas franceses da escola de Allan Kardec e dos que aderem ao "neocristianismo" imaginado pelo autor de vaudeville Albin Valabrègue
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A descrição do "estado de perturbação" que segue imediatamente à morte, segundo Allan Kardec
- A surpresa e a incredulidade do espírito ante a morte violenta ou inopinada, persistindo até o desprendimento completo do perispírito
- A ilusão do espírito que se vê com um corpo semelhante ao anterior e não compreende por que os vivos não o ouvem
- O "singular espetáculo" de um espírito assistindo ao próprio enterro como se fosse de um estranho, até compreender a verdade
- A não reunião imediata dos que perecem ao mesmo tempo em uma morte coletiva, cada um indo por seu lado na perturbação pós-morte
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A variação da situação dos "espíritos" e de sua maneira de ver as coisas segundo o grau de seu desenvolvimento moral e intelectual
- As estadas de curta duração na Terra dos espíritos de ordem elevada, que encontram poucos atrativos nas coisas humanas, a menos que chamados para concorrer ao progresso da humanidade
- A permanência mais frequente na Terra dos espíritos de ordem média, que consideram as coisas de um ponto de vista mais elevado que durante a vida
- O caráter "sedentário" dos espíritos vulgares, que constituem a massa da população ambiente do mundo invisível, conservando ideias, gostos e inclinações terrenas
- A instrução dos "espíritos errantes" por meio da observação do que passa nos lugares que percorrem e da escuta dos discursos dos homens iluminados e de espíritos mais elevados
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As peregrinações dos "espíritos errantes" em mundos particularmente afetos aos seres errantes, espécies de campos de repouso
- A impossibilidade de todos os "espíritos" irem a todos os lugares indiferentemente, com regiões habitadas pelos bons interditas aos espíritos imperfeitos
- As relações entre os espíritos de diferentes ordens, que se veem, se distinguem, se evitam ou se aproximam segundo a analogia ou antipatia de seus sentimentos
- A formação de grupos ou famílias de espíritos unidos pela simpatia e pela meta que se propõem, sem confusão entre o vício e a virtude
- A comunicação entre os espíritos por meio do fluido universal, veículo da transmissão do pensamento, um "telégrafo universal" que liga todos os mundos
- A constatação da individualidade pelo perispírito, que faz dos espíritos seres distintos uns dos outros, como o corpo entre os homens
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A afirmação de que os "espíritos" conservam todas as sensações dos vivos, não por órgãos especiais, mas pelo "perispírito" inteiro
- A consideração das faculdades mais materialmente dependentes do organismo corporal, como a percepção sensível, como "atributos do espírito", que "fazem parte de seu ser"
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A descrição de Léon Denis da vida dos espíritos de ordem inferior, envoltos em fluidos espessos, sofrendo as leis da gravitação e atraídos para a matéria
- O contraste com a vida do espírito avançado, essencialmente ativa, sem fadigas, transladando-se com a rapidez do pensamento
- A percepção direta, sem intermediário, por todas as partes do ser do espírito elevado, cujas percepções são muito mais claras e multiplicadas que as nossas
- A libertação do espírito avançado de todas as necessidades corporais, como alimento e sono
- A vida dos espíritos inferiores, que voltam para participar da vida dos humanos, levando consigo hábitos, necessidades e preocupações materiais
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A existência de "multidões imensas" na erraticidade, à procura de um estado melhor, constituindo o vestíbulo dos espaços luminosos
- A agitação dos espíritos no plano invisível, formando assembleias para receber instruções, grupos para festejar um recém-chegado ou combinando fluidos
- A ação do espírito sobre os fluidos do espaço, combinando-os e dispondo-os à sua vontade, prestando-lhes cores e formas
- A execução, pela mediação desses fluidos, de obras que desafiam toda comparação: quadros cambiantes, luminosos, reproduções de vidas humanas, dramas do infinito
- O reconhecimento da superioridade do espírito por sua "vestimenta fluídica", envoltura tecida com os méritos e qualidades adquiridas na sucessão de suas existências
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A questão da conservação do sexo pelos "espíritos" e suas consequências para a teoria da reencarnação
- A negação de Allan Kardec: "Os espíritos não têm sexo como vós o entendeis, pois os sexos dependem da organização"
- A divergência entre os discípulos de Allan Kardec, levando o periódico Le Fraterniste a formular a questão em 1913
- A resposta de Léon Denis, após consulta a seus "guias espirituais": o sexo subsiste, mas permanece neutro e sem utilidade, retomado na reencarnação
- A opinião mais fiel a Allan Kardec de Gabriel Delanne: os espíritos são assexuados, podendo os sexos alternar para o mesmo espírito
- A intervenção de ocultistas como Papus, invocando Swedenborg: existem sexos para os seres espirituais, mas sem relação com seus análogos terrestres
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A confissão francamente materialista do ocultista dissidente Ernest Bosc, que concebe a vida no além "absolutamente como neste baixo mundo"
- O protesto de Bosc contra a enormidade de associar íncubos e súcubos, considerados demoníacos, aos "amigos do Espaço" espíritas
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A questão das reencarnações na Terra ou em outros planetas, segundo o grau de evolução dos "espíritos"
- O ensino de Allan Kardec sobre a pluralidade de existências terrestres e a passagem para mundos superiores, como Júpiter, considerado muito superior à Terra
- A concepção do Sol não como um mundo habitado por seres corporais, mas como um lugar de reunião de espíritos superiores
- A explicação da reencarnação em Júpiter de espíritos que não eram considerados de primeiro rank na Terra por meio de missões ou existências intermediárias
- A possibilidade de comunicação interplanetária para "espíritos superiores", que, embora habitando certos mundos, não estão confinados a eles
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As descrições fantásticas da vida em outros planetas, como Júpiter e Mercúrio, fornecidas por "espíritos" através de médiums
- O relato de Dunglas Home sobre um folheto que descrevia o papel do cristal em Júpiter, incluindo casas de cristal e cerimônias místicas
- A descrição do arroz que brota no planeta Mercúrio sob a forma de uma planta que alcança a altura de carvalhos, escalada pelos habitantes para devorar seu fruto
- A pobreza de imaginação e o caráter terrestre dessas fantasias, que denotam uma fonte de ordem sensível e imaginativa
- A influência de obras de ficção, como as de Wells, nas descrições dadas por "videntes" espíritas
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A impossibilidade de um estudo completo da questão da reencarnação no presente contexto, devido à sua complexidade e ampla difusão
- O direcionamento da argumentação contra o espiritismo kardecista e todas as demais escolas "neoespiritualistas" que adotaram a ideia
- A refutação não dirigida ao espiritismo em geral, já que a reencarnação não é um elemento essencial, ao contrário da manifestação dos mortos
- A oposição inicial unânime dos espíritas americanos e ingleses à teoria reencarnacionista, criticada violentamente por Dunglas Home
- A posterior aceitação da reencarnação por alguns espíritas anglo-saxões após sua penetração por vias estranhas ao espiritismo
- A adoção da reencarnação como um verdadeiro "dogma" pelo espiritismo francês, seguida pelo teosofismo, ocultismo papusiano e outras escolas
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As divergências entre espíritas e outras escolas sobre detalhes da reencarnação, como a constância do sexo e a duração do intervalo entre encarnações
- A variação nas opiniões sobre o sexo nas reencarnações: constante, alternado ou sem lei fixa
- A divergência sobre o local das reencarnações: sempre na Terra, em outros planetas do sistema solar ou em qualquer astro
- A flutuação na duração do intervalo entre encarnações, desde a reencarnação imediata até longos intervalos
- A variação nas opiniões dos teosofistas e de Papus sobre a duração mínima do intervalo entre encarnações, mostrando a falta de uma lei estabelecida
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A origem real da ideia de reencarnação nos socialistas franceses da primeira metade do século XIX, como explicação da desigualdade das condições sociais
- A extensão da explicação reencarnacionista a todas as desigualdades, intelectuais e físicas, por Allan Kardec e Léon Denis
- A invocação da justiça de Deus para explicar a desigualdade pela pluralidade de existências anteriores progressivas
- A alegação de Papus de que, sem a noção da reencarnação, a vida social é uma iniquidade, determinada pelo estado anterior do espírito
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A ilusória natureza da explicação reencarnacionista das desigualdades, que apenas desloca a dificuldade sem resolvê-la
- A persistência da desigualdade no ponto de partida, se os homens estão mais ou menos afastados dele, pela qual não poderiam ser responsáveis
- A contradição inerente à suposição de que homens perfeitamente iguais poderiam tornar-se desiguais, pressupondo uma potencialidade preliminar de desigualdade
- A ilusão do problema das desigualdades, mal colocado devido à intervenção de considerações morais e sentimentais onde não têm lugar
- A harmonia universal exigindo que cada ser ocupe o lugar conforme sua própria natureza, sendo as diferenças e desigualdades necessárias para essa harmonia
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A declaração de Allan Kardec de que o "dogma da reencarnação está fundado na justiça de Deus e na revelação"
- A invalidade da primeira razão, a justiça de Deus, conforme demonstrado pela análise da ilusão da explicação das desigualdades
- A inexistência da segunda razão, a revelação dos "espíritos", conforme estabelecido anteriormente
- A preferência dos partidários e adversários da reencarnação por discutir se é ou não "consolador", um critério puramente subjetivo, em vez de sua veracidade
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A distinção necessária entre os termos "reencarnação", "metempsicose" e "transmigração", para evitar confusões
- A definição de reencarnação como o retorno do ser completo a um novo corpo, voltando a um estado por que já passou
- A distinção essencial da reencarnação em relação à transmigração, por implicar o retorno a um estado já vivido
- A distinção essencial da reencarnação em relação à metempsicose, por concernir ao ser real e completo, e não a elementos psíquicos
- A rejeição pelos espíritas da metempsicose dos antigos, especificamente da transmigração do homem para os animais, e reciprocamente
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O erro de Papus ao confundir reencarnação com transmigração e ao definir erroneamente a metempsicose
- A afirmação errônea de Papus de que a reencarnação "foi ensinada como um mistério esotérico em todas as iniciações da antiguidade"
- A definição equivocada de Papus da metempsicose como "travessia pelo corpo material de corpos de animais e de plantas"
- A teoria enigmática de Papus sobre espíritos humanos exercendo a função de "gênios das espécies animais" no plano astral
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A invocação de textos conciliares e evangélicos pelos partidários da reencarnação, com interpretações distorcidas
- A opinião de Orígenes sobre a preexistência das almas no mundo inteligível, confundida com a reencarnação por Papus
- A afirmação extraordinária de Allan Kardec, através do "espírito" de San Luis, de que o dogma da ressurreição da carne consagra o dogma da reencarnação
- O apoio do abade J. A. Petit à opinião de que a reencarnação foi admitida por Cristo e que a ressurreição da carne é um vestígio mal compreendido
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A invocação de textos evangélicos, como a conversa sobre a vinda de Elias e o diálogo com Nicodemos, em favor da reencarnação
- A interpretação de Allan Kardec do texto sobre Elias e João Batista como prova da reencarnação do espírito de Elias no corpo de João Batista
- A negação formal de João Batista: "És tu Elias? E ele lhes disse: Eu não o sou"
- A declaração do anjo Gabriel a Zacarias de que João Batista iria "ante o Senhor no espírito e na virtude de Elias", indicando pertença à sua "família espiritual"
- A interpretação de Papus da história do cego de nascença como uma parábola sobre castigo por pecados anteriores, contrariando o texto que diz: "Não é que ele haja pecado, nem aqueles que o trouxeram ao mundo"
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O ridículo lançado sobre as extravagâncias reencarnacionistas por espíritas antirreencarnacionistas como Dunglas Home
- A observação de Home sobre a consolação das "bravas gentes" em acreditar que foram um grande personagem antes do nascimento
- A impossibilidade material de conciliar as pretensões de uma dúzia de damas a terem sido a esposa do mesmo augusto personagem, como Maria Antonieta
- A constatação de Home de nunca ter encontrado um "simples João Ninguém" entre as reencarnações pretensas
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A crítica de Papus às "exagerações" de alguns espíritas que se pretendem reencarnações de grandes homens, comprometendo a causa
- O perigo do orgulho, levando os partidários da doutrina a se imaginarem como grandes personagens da história
- A proposta de Papus para moderar as pretensões: ter a intuição de ter vivido em uma época ou meio, mas não a certeza do ser exato que se foi
- A crença ridícula de Papus em um "apartamento" de Cristo onde espíritos se reencarnam obedecendo a leis específicas, como pais sempre chamados José e Maria
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A existência de "videntes" e fundadores de seitas que anunciam a próxima reencarnação de Cristo ou se pretendem sua reencarnação
- O exemplo de Mlle Marguerite Wolff, que anunciava a "próxima reencarnação de Cristo na França" e acreditava ser Catarina de Médici reencarnada
- A opinião de alguns espíritas de que o retorno de Cristo já é um fato consumado pelo espiritismo, através de "comunicações" em sessões
- A história de uma Sociedade secreta anglo-americana que ensinava a identidade de São Paulo e Apolônio de Tiana, com suposta base em um manuscrito
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A negação espírita do "pecado original", por chocar contra sua concepção de justiça e sua teoria "progressista"
- A interpretação de Allan Kardec, através do "espírito" de San Luis, do pecado original como a natureza imperfeita do homem, responsável apenas por suas próprias faltas
- A declaração violenta de Léon Denis de que o pecado original, sob seu aspecto dogmático, é "um ultraje à razão e à moral"
- A alegação de Léon Denis de que "todas as religiões, em sua origem, repousam sobre fatos espíritas"
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A possibilidade de transferência de elementos psíquicos entre indivíduos, explicando casos erroneamente interpretados como reencarnação
- A presença, em cada um, de elementos provenientes da desagregação de individualidades precedentes, geralmente "subconscientes"
- A manifestação mais ampla desses fenômenos em casos anormais, como em médiuns e sujeitos hipnóticos, por fixação ou agregação passageira
- A transferência espontânea de memória, por vezes entre crianças de uma mesma família após uma morte prematura, facilitada pela sentimentalidade
- A explicação dos "crianças prodígios" pela presença de elementos psíquicos previamente elaborados por outras individualidades
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O estudo experimental da reencarnação por meio dos fenômenos de "regressão da memória" sob hipnose
- Os trabalhos do coronel de Rochas sobre as pretensas "vidas sucessivas", expostos em sua obra Les Vies successives
- A continuação das pesquisas por MM. L. Lefranc e Charles Lancelin no "Instituto de pesquisas psíquicas" sob o patronato de Rochas
- A credulidade dos psiquistas que creem na reencarnação porque seus sujeitos lhes contam suas existências anteriores
- O papel dos sujeitos hipnóticos, passando de um experimentador a outro, como propagadores de uma epidemia reencarnacionista
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A estreita ligação da ideia de reencarnação com uma concepção "progressista" ou "evolucionista" no espiritismo kardecista
- A preferência moderna pela palavra "evolução", de ar mais "científico", sobre a palavra "progresso"
- O "verbalismo" pomposo e vazio em uso nas escolas "neoespiritualistas", dando a ilusão do pensamento
- A fabricação de neologismos por quase analfabetos, como a palavra "perispírito" por Allan Kardec, por comparação com o perisperma do fruto
- A apropriação de termos filosóficos ou científicos mal compreendidos, como "evolução", difundidos por obras de vulgarização "cientificista"
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O ensino de Allan Kardec sobre o progresso dos espíritos, que não são bons ou maus por natureza, mas se melhoram passando de uma ordem inferior a uma superior
- A missão dada por Deus a cada espírito para iluminá-lo e fazê-lo chegar progressivamente à perfeição
- A possibilidade de os espíritos permanecerem estacionários, mas não retrógrados, podendo os que seguiram o mal chegar ao mesmo grau de superioridade
- A "transmigração progressiva" como meio de efetuar esta marcha ascendente, passando por mundos diversos
- A comparação da vida do espírito com a vida corporal, percorrendo fases graduais da infância à idade adulta, sem declive ou decrepitude
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A descrição dos efeitos do progresso do espírito na purificação do corpo que reveste, aproximando-se da natureza espírita
- A material menos densa, as necessidades físicas menos grosseiras, a liberdade do espírito e percepções ampliadas nos mundos superiores
- O aperfeiçoar moral dos seres encarnados nos mundos superiores, onde as guerras são desconhecidas e a morte é vista sem temor
- A duração da vida proporcional ao grau de superioridade psíquica e moral dos mundos, como um benefício da Providência
- A determinação do mundo de encarnação pelo grau de elevação do espírito e a submissão dos próprios mundos à lei do progresso
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A "marcha do progresso" na Terra, onde o homem deve progredir sem cessar e não pode retornar ao estado de infância
- A afirmação da lei do progresso como uma condição da natureza humana, que más leis podem retardar, mas não asfixiar
- O apoio mútuo entre o progresso intelectual e o progresso moral, que não marcham pari passu
- A contribuição do espiritismo para o progresso pela destruição do materialismo e dos preconceitos de seitas, castas e cores
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O "moralismo" espírita e suas afinidades com as utopias socialistas e humanitárias, situando o "paraíso terrestre" no futuro
- A crença na realização atual do "paraíso terrestre" em outros planetas, com uma concepção ingênua e grosseira dos "mundos superiores"
- A predominância do elemento sentimental na concepção de "superioridade" e a colocação do "progresso moral" acima do "progresso intelectual"
- A definição de Allan Kardec da civilização completa pelo desenvolvimento moral, acima dos hábitos intelectuais e materiais
- As tendências democráticas do espiritismo, expressas nos capítulos sobre a "lei de igualdade" e a "lei de liberdade"
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A crítica do "otimismo" estúpido da crença no "progresso", um erro fundamental do espírito moderno
- O erro de falar de "a civilização" de modo absoluto, quando há sempre "civilizações" com desenvolvimentos próprios
- A regressão intelectual no Ocidente a partir do chamado Renascimento, não compensada por nenhum progresso material
- O caráter ilusório do "progresso moral", um assunto de sentimento e apreciação individual pura e simples
- A natureza de postulado ou artigo de fé da "lei do progresso", justificada por Allan Kardec pela vontade de Deus
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A descrição de Léon Denis da "evolução periespiritual", inspirada em teorias transformistas
- O enriquecimento do perispírito com sentidos novos a medida que as faculdades se estendem e as aspirações se depuram
- A constatação do próprio avanço pelo espírito ao considerar seu "manto fluídico" após cada encarnação
- A adesão de Gabriel Delanne às teorias transformistas, completando a "evolução corporal" com a "evolução anímica"
- A crença na identidade substancial entre a alma dos animais e a do homem, para justificar a evolução anímica
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O elogio entusiástico de Gabriel Delanne ao transformismo, creditado a Lamarck, Darwin, Wallace, Haeckel e outros
- A celebração da liberação intelectual do jugo de uma religião ignorante e dos temores supersticiosos
- A rejeição do homem como "um anjo caído, chorando um paraíso imaginário perdido" e do pecado original
- A afirmação da "descendência animal do homem" com base em fósseis e na embriologia, imposta com "evidência luminosa"
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A impossibilidade de alcançar a perfeição relativa, ou mesmo a absoluta, por um desenvolvimento gradual e progressivo
- A simultaneidade das possibilidades no ser individual integral, em contraste com a sucessão no desenvolvimento embriológico
- A analogia matemática: a adição sucessiva de elementos indefinidos jamais totalizará a série, que exige uma integração única e simultânea
- A nulidade de toda evolução analítica e sucessiva em relação à Perfeição metafísica, idêntica ao Infinito
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A negação espírita da existência do diabo, considerando Satã como "a personificação do mal sob uma forma alegórica"
- O ensino de Allan Kardec de que anjos e demônios são seres humanos nas duas extremidades da "escala espírita"
- A opinião de Charles Lancelin, resumindo "o resultado de suas investigações": o diabo é um fantasma e um símbolo do mal
- A reconstrução histórica fantasiosa de Lancelin, atribuindo o nascimento do diabo verdadeiro à Idade Media
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O caráter de inversão do ordem normal que caracteriza o satanismo, consciente ou inconsciente
- A inversão expressa de símbolos ou fórmulas religiosas nas práticas de bruxaria, como sinal de satanismo consciente
- A possibilidade de satanismo inconsciente, como no caso de Vintras e o uso de uma cruz invertida
- O perigo da intrusão, mesmo involuntária, no domínio religioso, podendo levar insensivelmente da "pseudoreligião" à "contra-religião"
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A tendência dos "videntes" a formar escolas ou de estas se formarem ao seu redor, explorando suas faculdades
- O exemplo da escola espírita especial fundada pela "vidente" Mlle Lucie Grange (Habimélah), com veneração por Vintras
- As "comunicações" recebidas por Habimélah, assinadas por Cristo, Virgem Maria, arcanjos, santos e figuras históricas