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id da página: 9411 Gênesis Dia 6

Genesis Dia 6

dia

Sexto Dia: (Gen 1:24-31)

Versículos: Gen 1,24, Gen 1,25, Gen 1,26, Gen 1,27, Gen 1,28, Gen 1,29, Gen 1,30, Gen 1,31

Com efeito, o Sábado edênico se distingue nitidamente dos outros dias terrestres que guardam vestígios tangíveis da obscuridade; assim sendo, mesmo do sexto dia, aquele da atualização do estado humano tal como o vivemos e que resume e domina os cinco dias precedentes. Estes são, como ele, precedidos e afetados pelos sete ciclos da clarificação dos elementos terrestres a partir do caos, ciclos — cuja existência não ressalta do começo do Gênesis onde, no versículo I, 2, é simplesmente questão da “terra informe e vazia” e das “trevas cobrindo o abismo” cósmico. Segundo a exegese esotérica, o Gênesis revela estes ciclos implicitamente no capítulo XXXVI, 31-39, onde são designados simbolicamente como os sete “reis de Edom” e cuja Escritura menciona expressamente a “mortalidade”. Estes “reis” ou ciclos que precedem os “sete dias” bíblicos só se destacaram imperfeitamente do estado “informe” da terra; “por isso — diz o Zohar (III, 292 b) — eles não puderam subsistir, até que o Ancião sagrado (o Ser supremo) os tivesse firmado (não enquanto tais, mas pela sua integração nos “sete dias” do Gênesis), e que o Artesão (o Verbo, Filho ou Espírito de Deus, manifestando-se pelo fiat lux), tivesse dado forma à sua obra”. Em cada um dos dias bíblicos, a começar por aquele do fiat lux formador, se refletem as sete Sephiroth cosmológicas e se integra, portanto também, — à luz própria de cada um deles, e de uma maneira durável, — o resultado da clarificação sêptupla e primitiva dos elementos terrestres. Cada um destes dias implica, portanto, ele próprio, sete graus hierárquicos; assim, para retornar ao sexto dia, que nos interessa no imediato enquanto ciclo da cristalização do estado humano, nele se refletem igualmente os “sete reis mortais de Edom” ou da clarificação do caos. Nestas sete fases do sexto dia se realiza a palavra do criador (Gên., I, 24): “Que a terra faça sair seres animados segundo a sua espécie”, isto é, toda a hierarquia sêptupla dos seres povoando o estado humano extraparadísico e se estendendo a partir das prefigurações infrahumanas ou animais imediatas deste último até o sétimo grau, o mais perfeito deste dia, aquele do homem, criado na véspera do Sábado. Mas este homem, nascido na fase final do sexto dia, não é ainda aquele do sétimo dia; a sua perfeição, eminentemente ligada à natureza criada e terrestre, faz, por sua vez, apenas prefigurar aquela que se caracteriza pela predominância espiritual do homem imortal, situado pelo Criador diretamente no Jardim do Eden ou do Sábado. Quanto ao homem do sexto dia, a sua natureza é constituída do bem e do mal, de uma vida passageira, terminando, portanto, pela morte, ao passo que a natureza do Adam paradisíaco é feita de verdade e de vida puras; mas, dotado do livre arbítrio, o homem edênico também tem a possibilidade de escolher a natureza do homem mortal, escolha à qual ele finalmente sucumbiu, conforme se irá descrever amplamente no capítulo intitulado “A Queda de Adão”.

Lembre-se, contudo, que se se fala de um homem do sexto dia e de outro do sétimo, trata-se na realidade apenas de dois estados diferentes do ser humano, que contém as suas possibilidades respectivas e atualiza estas, segundo a sua situação e o seu comportamento em um ou outro destes estados. Por isso, o ser humano está, em princípio, apto a passar de um ao outro, do inferior ao superior e vice-versa; do inferior ao superior, pois, criado na virtualidade de sua natureza mortal na véspera do Sábado, foi destinado, na verdade, a entrar — ou reentrar — na imortalidade que reina no sétimo dia; e do superior ao inferior, como testemunha a sua queda do Eden para o nosso mundo extraparadísico, que é o do sexto dia. Este último reflete ao mesmo tempo a sexta Sephirah criadora e a sexta fase da clarificação dos elementos terrestres, que só saem completamente das trevas do caos na sétima fase, a qual conserva, contudo, um resíduo puramente virtual da obscuridade primordial. (Leo Schaya)