Raymond Marcel, grande estudioso da obra de Marsilio Ficino, traduziu e publicou seu "Comentário sobre o Banquete de Platão", composto em 1469 para esclarecer sobre seu método, para em seguida, traduzir esta obra, que tem como subtítulo "Da Imortalidade das Almas", e que se qualifica como sua obra mestra.
Segundo Marcel, todo o pensamento de Ficino oscila entre dois polos: Deus e a alma. Quem quer que aborde sua obra não deve jamais esquecer que sua única preocupação foi de buscar e de provar que o mundo e a vida não têm sentido a não ser na medida que a alma permanece unida a Deus, seu princípio e seu fim.
O Banquete, que tem por tema a definição do amor, foi uma eloquente ilustração da dialética platônica e Ficino usou esta oportunidade de comentar este diálogo para revelar aos seus leitores esta hierarquia de seres e de valores que permitia ao homem se elevar por etapas da matéria a Deus. assim o Comentário sobre o Banquete se tornou uma propedêutica que abria ao espírito humano novas perspectivas para definir a natureza da alma e não somente em função de sua origem, no caso divina, mas sobretudo em função de seu lugar e de seu papel no universo.
Na Teologia Platônica, a mensagem socrática "Conhece-te a ti mesmo", se torna ponto de partida de uma metafísica, cuja única meta era demonstrar que a imortalidade da alma se impunha, de fato se afirma como exigência, tanto por sua essência, seu poder, suas prerrogativas e sobretudo seu destino. Ficino não funda uma nova filosofia, mas oferece às apologia piedosas e edificantes do cristianismo uma apologética sábia, fortalecida pelo Humanismo renascentista.
Índice:
- CAP. I
- CAP. II
- CAP. III
- CAP. IV
- CAP. V
- CAP. VI
- CAP. VII
- CAP. VIII
- CAP. IX
- CAP. X
- CAP. XI
- CAP. XII
- CAP. XIII
- CAP. XIV
- CAP. XV
- CAP. XVI
- CAP. XVII
- CAP. XVIII