Juan Mateos e Juan Barreto: Excertos de "Vocabulário Teológico do Evangelho de São João"
Jesus e "o mundo/esta ordem". Jesus não pertence a esta ordem, que pratica o pecado (Jo 8,21.23.34), a violência e o homicídio (Jo 8,44; cf. 10,1: ladrão e bandido); ele pertence a "o que é de cima", à esfera de Deus e do Espírito (Jo 8,23) (Céu II).
Em consequência, Jesus, que é rei (Jo 18,37), tem realeza que não pertence a esta ordem, pois não usa da força para defender nem impor o seu direito (Jo 18,36). Opõe-se assim a figura de Jesus-rei à do "chefe do mundo" (Jo 12,31; cf. 12, 15).
A mesma menção de "o chefe do mundo/desta ordem" acha-se no contexto sociopolítico da aclamação messiânica (Jo 12,31; cf. 12,13) e no discurso da Ceia (Jo 14,30), quando Jesus vai se enfrentar com Judas, que agirá como delegado e representante de todos os poderes (Jo 18,3). A mesma coisa, na instrução que Jesus dá aos seus sobre a missão, aparece quando menciona "o chefe desta ordem", personificando os sistemas de poder que perseguirão os discípulos (Jo 16,11).
A sentença que será pronunciada contra a ordem injusta decorrerá na expulsão do seu chefe (Jo 12,31). "Ser lançado fora" da esfera divina, presente em Jesus, significa ficar privado da vida, no âmbito da reprovação divina (Jo 3, 36); daí o fato de ter saído condenado (Jo 16,11). Será a morte-exaltação de Jesus (Jo 12,32) que realizará este juízo e pronunciará esta sentença, pois em "a sua hora" o sistema injusto fará sua opção definitiva, dando remate ao escrito em sua Lei: Odiaram-me sem razão (Jo 15,25;19,28s); manifestará sua obstinação no pecado (Jo 15,22) e este o levará à morte (Jo 8,21.23) (Juízo I, II).
Efeito da eleição de Jesus ou da entrega que o Pai lhe faz dos discípulos é "tirá-los do mundo" (Jo 15,19;17,6). Por isso eles, como Jesus, não pertencem ao mundo (Jo 17, 14.16). Esta é uma expressão do êxodo do Messias; o mundo aparece como a terra de escravidão, porque nele se pratica o pecado (Jo 8,34). "Tirar do mundo" equivale a fazer passar da morte para a vida (cf. 5,25).
Também os discípulos serão objeto do ódio do mundo como Jesus (Jo 15,18). Ele os perseguirá e vigiará sua mensagem, como fizeram com Jesus (Jo 15,20), e lhes dará morte, pensando com isso dar culto a Deus (Jo 16,2). Na missão no meio do mundo será o Espírito que lhes dará segurança e os confirmará em sua posição (Jo 16,7-11).
Jesus não roga pelo mundo (Jo 17,9) inimigo de Deus, mas, pelo contrário, vem denunciá-lo da parte do Pai (Jo 8,26) e abrir um processo (Jo 9,39), que terminará na sentença contra ele (Jo 12,13) e o seu chefe (Jo 16,11) (Juízo III).
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