VIDE: SKANDALON; REINO DOS PEQUENINOS
FILOSOFIA MODERNA
Hannah Arendt: FILOSOFIA MORAL
[...] o pensamento religioso, em contraste com o filosófico, fala sobre o pecado original e a corrupção da natureza humana. Mas nem mesmo ali escutamos falar de um mal deliberado: Caim não queria se tornar Caim quando matou Abel, e até Judas Iscariote, o maior exemplo do pecado mortal, se enforcou. Em termos religiosos (e não morais), parece que todos devem ser perdoados, porque não sabiam o que estavam fazendo. Há uma única exceção a essa regra, e ela ocorre no ensinamento de Jesus de Nazaré, o mesmo que tinha pregado o perdão para todos aqueles pecados que de uma ou outra maneira podem ser explicados pela fraqueza humana, isto é, em termos dogmáticos, pela corrupção da natureza humana por meio da queda original. Ainda assim esse grande amante de pecadores, daqueles que transgrediram a norma, menciona certa vez no mesmo contexto que há outros que causam skandala, ofensas vergonhosas, pelas quais "era melhor que uma pedra de moinho fosse dependurada ao redor do pescoço, e eles fossem lançados ao mar". Era melhor que nunca tivessem nascido. Mas Jesus não nos diz qual é a natureza dessas ofensas escandalosas: sentimos a verdade de suas palavras, mas não podemos determiná-la.