Traduzido de MAÎTRE ECKHART. Et ce néant était Dieu... : Sermons LXI à XC. Paris: Albin Michel, 2000
ES64<= Sermão LXV – Deus caritas est et qui manet in caritate in deo… =>ES66
- A explicação da proposição "Deus é amor" segundo quatro aspectos fundamentais.
- O primeiro aspecto: Deus persegue com seu amor tudo o que pode amar e pode produzir amor, para que isso ame a Ele.
- O segundo aspecto: tudo o que Deus criou e que pode produzir amor persegue-O com seu amor para amá-Lo, quer isso Lhe cause prazer ou pena.
- O terceiro aspecto: Deus, sendo amor, expulsa de toda a multiplicidade tudo o que é suscetível de amar, conduzindo-o para a unidade de Si mesmo.
- O quarto aspecto: Deus, sendo amor, dá a todas as criaturas seu ser e sua vida e as sustenta com seu amor.
- A natureza irresistível e sumamente amável de Deus, que obriga todo ser capaz de amar a amá-Lo, quer o saiba quer não, pois mesmo o que parece bom às criaturas é, perante Deus, uma límpida malícia.
- A citação de Santo Agostinho sobre a orientação do amor: "Ama o que podes adquirir por amor, e conserva o que pode bastar à tua alma".
- A dependência da própria natureza divina em relação ao ato de amar a alma humana, pois privar Deus de amar a alma seria privá-Lo de sua deidade, tal como é verdade que Ele é a bondade e a verdade.
- A refutação da opinião de alguns mestres de que o amor em nós é o Espírito Santo, argumentando-se que o amor divino não está contido em nós, pois seriam dois, mas antes nos mantém e somos Um nele.
- A analogia da cor no muro para ilustrar como todas as criaturas são mantidas em seu ser pelo amor que é Deus, e como o perderiam se dele fossem separadas.
- A diferença fundamental entre as coisas espirituais e as coisas corpóreas no que concerne à capacidade de inhabitação mútua, sendo que toda coisa espiritual pode estar inteiramente na outra, ao passo que nenhuma coisa corpórea pode sê-lo.
- A ilustração da natureza dos anjos, cuja felicidade e beatitude podem estar perfeitamente num outro anjo ou na alma humana, sem que esta o conheça, salientando-se a nobreza inefável da natureza angélica.
- A insuficiência de toda a criação, mesmo dada plenamente com Deus, para tornar a alma bem-aventurada, se houver a mais ínfima separação, pois a verdadeira bem-aventurança consiste em que todas as coisas estejam na alma e Deus nela, de modo que onde a alma está, aí está Deus, e onde Deus está, aí está a alma.
- A explicação da inhabitação mútua expressa na frase "Aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele", que fundamenta a verdade de que onde o homem está, aí está Deus, e onde Deus está, aí está o homem.
- A interpretação da promessa divina "Fiel servo, quero estabelecer-te sobre todo o meu bem" em três sentidos.
- O primeiro sentido: Deus estabelece o homem sobre todo o seu bem na medida em que Ele é bom em todas as criaturas, segundo a multiplicidade.
- O segundo sentido: Deus estabelece o homem sobre todo o seu bem no lugar onde todas as criaturas recebem sua beatitude na límpida unidade, que é o próprio Deus.
- O terceiro sentido: Deus estabelece o homem acima de tudo quanto nEle tem nome, acima de tudo o que se pode exprimir por palavras e acima de tudo o que se pode ouvir.
- A interpretação da promessa divina "Fiel servo, quero estabelecer-te sobre todo o meu bem" em três sentidos.
- A petição de Cristo ao Pai "Peço-Te que os faças Um, como Eu e Tu somos Um" e as suas implicações para a união entre Deus e a alma.
- A exigência de que, para que dois se tornem um, um deve perder o seu ser, aplicando-se isto à união da alma com Deus, na qual a alma deve perder plenamente o seu ser para que o outro conserve o seu, tornando-se assim verdadeiramente Um.
- A confirmação desta verdade pela palavra do Espírito Santo: "Devem tornar-se Um como nós somos Um".
- A natureza da oração verdadeira, que não pede coisa alguma particular, pois no estado de união onde todas as coisas estão presentes e são Um em Deus, não se distingue entre indivíduos.
- O princípio de que quando se pede algo, na verdade pede-se nada, e quando não se pede nada, pede-se como convém.
- A afirmação de que pedir por alguém em particular, como Henrique ou Conrado, é pedir o mínimo, e que a oração mais própria é a que não pede por ninguém e não pede nada, pois em Deus não há Henrique nem Conrado.
- A condenação de pedir a Deus algo que não seja Deus próprio, considerando-se tal ato uma impiedade, uma injustiça e uma imperfeição, equivalente a colocar algo junto de Deus, reduzindo Deus a nada e fazendo do nada um deus.
- A invocação final para que todos alcancem o amor de que se falou, com a ajuda de Jesus Cristo. Amém.