Traduzido de MAÎTRE ECKHART. Et ce néant était Dieu... : Sermons LXI à XC. Paris: Albin Michel, 2000
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- A afirmação de São João sobre a natureza divina e a relação do homem com Deus: "Deus é o amor, e aquele que permanece no amor, esse permanece em Deus, e Deus permanece nele".
- A finalidade da proposição "Deus é amor" para assegurar que se permaneça próximo ao Uno.
- A primeira razão pela qual se afirma que Deus é amor: Deus é um bem que persegue com seu amor todas as criaturas, para que elas desejem amar a Deus e O persigam em retorno, pois Deus tem prazer em ser perseguido pela criatura.
- A segunda razão pela qual se afirma que Deus é amor: todas as criaturas perseguem Deus com seu amor, pois não há homem tão miserável que peque por maldade, mas sim por amor ao prazer, que é uma busca pela paz, que é amável, e porque, sendo Deus o amor e a origem, todas as criaturas, mesmo as privadas de intelecto em sua tendência natural, desejam o amor e aproximar-se de sua origem.
- A citação de Santo Agostinho sobre a insuficiência de todos os dons divinos sem a doação de Si mesmo: "Senhor, se me desses tudo o que podes conceder, isso não me bastaria se Tu mesmo não te desses a mim".
- A exortação de Santo Agostinho sobre o objeto do amor humano: "Ó homem, ama o que podes alcançar pelo amor, e guarda o que à tua alma pode bastar".
- A terceira razão pela qual se afirma que Deus é amor: Deus difundiu seu amor em todas as criaturas e, no entanto, permanece Uno em Si mesmo, pois em toda criatura existe algo amável, o que leva os homens a amarem coisas diversas, mas o que verdadeiramente permanece e é amável é Deus de modo límpido, quando se separa o bem da criatura em que ele aparece.
- A analogia da imagem pintada sobre um muro para ilustrar a relação entre a criatura e a bondade divina: quem ama a imagem no muro ama também o muro, mas se o muro fosse removido e a imagem permanecesse por si, então se amaria uma imagem límpida.
- O princípio para o amor límpido a Deus: amar tudo o que é amável e não aquilo em que algo amável aparece.
- O ensinamento de São Dionísio sobre o desconhecimento de Deus pela alma: "Deus tornou-se um nada para a alma", o que significa que para ela Ele é desconhecido.
- A consequência do amor dirigido às coisas com sua bondade, e não à bondade em si, que é o pecado.
- A ilustração da nobreza dos anjos e a insuficiência de toda a nobreza natural para encontrar Deus, pois perante Ele tudo é como malícia, é uma límpida malícia e menos que malícia, é um límpido nada, encontrando-se Deus somente no Uno.
- A quarta razão pela qual se afirma que Deus é amor: Deus deve amar todas as criaturas com seu amor, quer o saibam quer não, pois a sua natureza o obriga a dar, sendo a dignidade do homem necessária apenas para receber o dom.
- A recusa em pedir a Deus o seu dom ou em Lhe agradecer pelo dom, pois se fosse digno de recebê-lo, Ele teria de dá-lo, quer Lhe fosse agradável quer penoso.
- A petição correta: pedir que se seja tornado digno de receber o dom de Deus e agradecer por Ele ser tal que tem de dar.
- A fundamentação última: "Deus é amor" porque ama o homem com o amor com que ama a Si mesmo, e se Lhe fosse retirado isso, retirar-Lhe-ia toda a sua deidade.
- A distinção entre ser bem-aventurado pelo amor de Deus pelo homem e ser bem-aventurado pelo amor do homem a Deus e por estar no amor de Deus.
- A explicação da reciprocidade da inhabitação divina: "Aquele que está no amor, esse está em Deus, e Ele está nele".
- A omnipresença de Deus como fundamento para a omnipresença da alma que está no amor, pois estando ela em Deus e Deus nela, e sendo Deus omnipresente, a alma deve, por necessidade, ser omnipresente.
- A descrição da natureza de Deus e da alma em união: Deus é um todo sem todo, e a alma com Ele um todo sem todo.
- A indicação do sermão como pertencente à categoria "De sanctis".
- O anúncio do término do sermão e a intenção de proferir outro sermão, seguido de uma invocação: "Que Deus nos ajude em nossas necessidades!".