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id da página: 9450 MESTRE ECKHART SERMÃO 62 – Got hât die armen gemachet durch die rîchen Mestre Eckhart

Eckhart Sermon 62



Traduzido de MAÎTRE ECKHART. Et ce néant était Dieu... : Sermons LXI à XC. Paris: Albin Michel, 2000

ES61<= Sermão LXII – Got hât die armen gemachet durch die rîchen =>ES63

  • A relação de interdependência estabelecida por Deus entre ricos e pobres, na qual "Deus fez os pobres em vista dos ricos e os ricos em vista dos pobres".

    • A obrigação moral de emprestar a Deus, com a promessa de que "Emprestai a Deus, e Ele vo-lo restituirá".
    • A distinção entre crer em Deus e crer a Deus, sendo que "é maior que se creia em Deus do que se creia a Deus".
    • A crítica àqueles que, apesar de afirmarem crer em Deus, não confiam na sua promessa de recompensa, tal como se confia num homem ao emprestar-lhe cinco shilings.
  • A doutrina do desapego total e a recompensa do cêntuplo.

    • A condição para receber o cêntuplo e a vida eterna, que é "deixar todas as coisas".
    • A contradição interna de quem "deixa com vista a essa mesma razão" de receber o cêntuplo, pois tal intenção invalida o desapego e impede a recompensa.
    • A crítica à busca de qualquer coisa em Deus que não seja a própria divindade, pois "quem busca algo em Deus, seja saber, conhecimento ou fervor, ou seja o que for, se o encontra, não encontra, no entanto, a Deus".
  • A primazia da vontade de Deus como único objeto legítimo da busca espiritual.

    • A orientação de que "um homem não deve buscar nada de nada, nem entendimento nem saber nem interioridade nem fervor nem repouso, mas somente a vontade de Deus".
    • A definição da alma justa, que "não deseja que Deus lhe dê toda a sua deidade", pois se consolaria tão pouco com isso "quanto se Ele lhe desse uma mosca".
    • O princípio de que "o conhecimento de Deus fora da vontade de Deus não é nada", enquanto que "na vontade de Deus todas as coisas são e são algo e agradam a Deus e são perfeitas".
  • A oração correta e a unidade indivisível de Deus.

    • A instrução de que "um homem nunca deveria pedir uma coisa efêmera", mas deve pedir "somente a vontade de Deus e nada mais", assegurando que "assim tudo lhe advém".
    • A concepção de Deus como Uno indivisível, onde "em Deus não há nada senão Um, e Um é imparticionável", e quem busca algo mais "não é Deus, é parte".
    • A atitude de receber tudo o que flui da vontade de Deus como um dom, sem questionar se é "por natureza ou por graça".
  • A aceitação da vontade de Deus nas adversidades e a crítica a uma fé condicional.

    • A repreensão àqueles que, ao sofrer ou agir, questionam "se era vontade de Deus", devendo antes ter "certeza de que é vontade de Deus quando está doente".
    • O imperativo de que "um homem deve receber límpida e simplesmente de Deus toda coisa que lhe advém".
    • A crítica à falsa confiança em bens materiais, ilustrada pela réplica àquele que, possuindo colheitas, afirma confiar plenamente em Deus: "Sim, digo eu, tu confias plenamente no trigo e no vinho".
  • A natureza inquieta da alma e o caminho da humildade e abnegação.

    • A doutrina de que "a alma é feita para um bem tão grande e tão elevado que não pode, por essa razão, repousar em nenhum modo" e se apressa para "ultrapassar todo modo até o bem eterno que é Deus".
    • A rejeição da impetuosidade e da obstinação em favor da "suavidade numa humildade confiante e abnegação de si mesmo nisso mesmo e em tudo o que lhe advém".
    • A advertência contra a autopreservação interior, seja através da obstinação em realizar algo, seja pelo cansaço e perda de repouso diante das contrariedades.
  • Os princípios fundamentais da vida espiritual: conselho divino, desapego e a posse de Deus.

    • A súmula de que "disso depende tudo o que se pode aconselhar ou aprender: que um homem se deixe aconselhar a si mesmo e não tenha em vista nada senão Deus só".
    • O auxílio proporcionado a uma consciência ordenada pelo desapego das coisas efêmeras, permitindo ao homem "dar totalmente sua vontade a Deus e depois receber toda coisa igualmente de Deus".
    • O paradoxo de que "quem vê algo em Deus, esse não vê nada de Deus" e a afirmação de que "um homem justo não precisa de Deus", pois "o que tenho, não preciso" e, possuindo a Deus, "não está a serviço de nada".
  • Sinais de crescimento espiritual e a superioridade do desprezo interior sobre as obras exteriores.

    • A rejeição de jejuns e obras exteriores como indicadores de crescimento, em favor da afeição pelas "coisas eternas" e do desprezo pelas "coisas efêmeras".
    • A superioridade de "desprezar em si mesmo" e "considerar como nada para Deus" sobre a doação material, mesmo que esta implique erigir um mosteiro.
  • A orientação da vontade para Deus e a superação da hesitação na ação.

    • A instrução para que "um homem deve em todas as suas obras voltar sua vontade para Deus e ter em vista somente a Deus", avançando sem o temor de agir injustamente.
    • A analogia do pintor, para quem "se quisesse ao primeiro traço considerar todos os traços, nada sairia", e a do viajante, que, se considerasse como daria o primeiro passo, "nada sairia".
    • A conclusão prática de que "se deve ater-se ao que vem primeiro e assim ir para a frente", assegurando que "assim se alcança o que se deve, e isso é como deve ser".