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id da página: 3148 Vedanta – Elliot Deutsch – Brahman e Mundo

Deutsch Brahman Mundo

Vedanta – Elliot Deutsch – Brahman e Mundo


DEUTSCH, E. Qu’est-ce que l’Advaita vedānta ? S. Girard. Paris: Les Deux Océans, 1980

  • Brahman e o Mundo: A Questão Fundamental da Relação entre o Absoluto e o Universo Fenomênico

    • Formulação da questão central sobre a relação entre Brahman, o Absoluto, e o mundo, conforme abordada nas Upanisads e no Vedanta clássico.
    • Menção às diversas respostas fornecidas pelas Upanisads, muitas seguindo um modelo de emanação do tipo Samkhya.
    • Afirmação upanisádica da não dualidade: "Brahman é um, sem segundo", onde todas as distinções são transcendidas.
    • Explicação de que o Advaita Vedanta, particularmente em Shankara, aborda a relação utilizando as noções de satkaryavada e vivartavada.
    • Identificação das três noções fundamentais que fundamentam a explicação: maya (ilusão), avidya (ignorância) e adhyasa (sobreposição).
  • A Experiência da Não Dualidade e a Natureza da Maya

    • Descrição da experiência imediata e intuitiva do Brahman como saccidananda: plenitude do ser, consciência autoiluminante e bem-aventurança infinita.
    • Caracterização do estado de nirvikalpa samadhi, onde o mundo complexo desaparece e apenas o Brahman é percebido como verdadeiramente real.
    • Conclusão de que a percepção de um mundo independente e substancial deve fundamentar-se em um erro, definido como maya.
    • Definição de maya como a característica de toda experiência que decorre da distinção entre sujeito e objeto, entre o eu e o não-eu.
    • Associação de maya com a transformação do impessoal em pessoal e com a imposição de limitações (upadhis) à Realidade.
    • Atribuição a maya de todos os apegos, aversões, medos, cognições e enunciados lógicos que falham em realizar a unicidade do Real.
    • Caracterização de maya como sem início (anadi), inconcebível (acintya) e indescritível (anirvacaniya), sendo o próprio nível da Aparência.
  • As Duas Perspectivas da Análise Advaita: Metafísica e Epistemológica

    • Explicação do método do Advaita Vedanta de tratar os problemas tanto em termos metafísicos quanto epistemológicos, usando essas perspectivas como corretivas mútuas.
    • Finalidade soteriológica da análise: conduzir a mente do nível da Aparência para o nível do Real, realizando o Brahman.
    • Compreensão de que questões como a criação só surgem do ponto de vista da consciência racional e empírica, dentro da Aparência.
  • Maya como Poder Metafísico e como Ignorância Epistemológica

    • Definição metafísica de maya como o poder (shakti) do Brahman pelo qual o mundo da multiplicidade vem a existir.
    • Uso da analogia do prestidigitador para ilustrar a transição para a perspectiva epistemológica: o Brahman, como o mágico, cria ilusões que não o afetam.
    • Definição epistemológica de maya como ignorância (avidya), com seu duplo poder de ocultar a Realidade (avarana shakti) e de distorcê-la (vikshepa shakti).
    • Caracterização positiva da maya como produtora de uma ilusão (bhava rupam ajnanam), e não apenas como uma negação.
  • O Estatuto do Mundo Fenomênico: Nem Real nem Irreal

    • Afirmação de que o mundo fenomenal é maya, mas não um mero produto da imaginação subjetiva.
    • Citação de Shankara para sustentar a percepção de entidades externas: "não pode haver nenhuma não-existência (de entidades externas), pois as entidades externas são verdadeiramente percebidas".
    • Definição de "real" como aquilo que é permanente, eterno, infinito e nunca subjugado por outra experiência (trikalabadhyam), qualidades que pertencem apenas ao Brahman.
    • Conclusão de que o mundo não é real (sat), mas também não é totalmente irreal (asat), possuindo uma realidade aparente ou prática (vyavaharika).
    • Definição do mundo como sadasadvilaksana (outro que o real e o não-real) ou anirvacaniya (indescritível).
    • Esclarecimento de que o mundo só é uma ilusão do ponto de vista da experiência do Absoluto, mantendo sua realidade empírica do ponto de vista relativo.
  • Avidya e o Mecanismo da Adhyasa (Sobreposição)

    • Equiparação dos termos maya e avidya nos escritos de Shankara e dos Advaitins posteriores, com predominância de avidya para explicar a alienação.
    • Definição de adhyasa por Shankara como "a apresentação, por meio da memória, de algo previamente percebido sob a forma de outra coisa".
    • Explicação de adhyasa como a suposição não real dos atributos de uma coisa como sendo os atributos de outra coisa, ilustrada pelo exemplo clássico da corda e da serpente.
    • Aplicação primordial da adhyasa ao eu: a sobreposição recíproca do Ser (Atman) e do não-ser.
    • Citação de Vidyarana no Panchadasi: "a sobreposição ao Ser daquilo que não existe realmente" é o obstáculo ao autorreconhecimento.
    • Exemplo de sobreposição causal: atribuir causalidade ao Brahman e características do Brahman a Isvara, o Criador.
  • Isvara como Causa do Mundo na Perspectiva Fenomênica

    • Definição de Isvara como Brahman dotado de atributos, considerado a causa do mundo enquanto se está sob o domínio de maya e avidya.
    • Identificação de uma aplicação específica da avidya: a sobreposição de uma atividade ao Brahman e dos efeitos às causas.
  • As Teorias do Satkaryavada e do Vivartavada

    • Apresentação da resposta advaita à questão da relação Brahman-mundo, baseada em duas teorias interligadas: satkaryavada e vivartavada.
    • Definição de satkaryavada como a teoria de que o efeito preexiste na causa.
    • Definição de vivartavada como a teoria de que o efeito é apenas uma manifestação aparente da causa.
    • Comparação com outras escolas: o parinamavada do Samkhya (transformação real) e o asatkaryavada de outras correntes (o efeito é independente).
  • Argumentos de Shankara a Favor do Satkaryavada

    • Argumento baseado na percepção: a não-diferenciação entre causa e efeito é por vezes diretamente percebida, como no caso do tecido e dos fios.
    • Argumento baseado na experiência prática: a produção específica de efeitos a partir de causas específicas indica que o efeito preexiste na causa.
    • Argumento da regressão ao infinito (anavastha) contra o asatkaryavada: a necessidade de postular relações infinitas entre entidades independentes.
    • Argumento baseado na mudança de forma: uma substância permanece a mesma mesmo com mudanças em sua aparência externa, como no exemplo de Devadatta em diferentes posições.
  • A Necessidade Prática de Isvara e o Conceito de Lila

    • Interpretação do alcance prático dos argumentos do satkaryavada: estabelecer um fundamento espiritual para a experiência e um ideal para a ação.
    • Afirmação de Isvara como causa material e eficiente do mundo do ponto de vista fenomênico.
    • Citação de Shankara: "aqueles que refletem sobre a criação pensam que a criação é o desdobramento de Isvara".
    • Caracterização da atividade criadora de Isvara como lila (jogo), um transbordamento espontâneo de energia por puro prazer, sem propósito ou motivo.
    • Explicação de que lila isenta Isvara de qualquer responsabilidade pelo mal ou por consequências morais, tornando a questão do "porquê" da criação sem sentido.
  • A Afirmação Final do Vivartavada como Não Transformação Real

    • Caracterização do satkaryavada e da atividade de Isvara como verdades apenas no plano fenomênico, negadas na experiência do Brahman.
    • Distinção crucial entre o parinamavada do Samkhya (transformação real) e o vivartavada do Advaita (manifestação aparente).
    • Ilustração com o exemplo da lua que parece múltipla para um olho com visão dupla, sem se tornar realmente múltipla.
    • Fundamentação de que apenas o Brahman é Real, portanto, um "efeito" é apenas uma designação verbal.
    • Citação que resume a posição: "Brahman parece ser suscetível de todo comportamento fenomênico... enquanto que em sua verdadeira natureza, Brahman existe apenas em seu aspecto não modificado".
  • Síntese da Posição Advaita sobre a Criação

    • Conclusão de que a criação é apenas uma verdade aparente (vivartavada).
    • Reafirmação da dupla afirmação do mundo: como realidade empírica e como "efeito" de Brahman, ambas com valor prático para despertar a mente para o Real.
    • Explicação da função do vivartavada: conduzir a mente, através da negação (apavada), à subjugação do mundo pelo Brahman, onde todas as questões de relação se dissolvem.
  • Avaliação da Análise Advaita: Validade e Fecundidade Filosófica

    • Condição para reconhecer o problema como legítimo: afirmar o Brahman ou aceitar a possibilidade de uma experiência espiritual de não dualidade.
    • Defesa da doutrina da maya como a colocação ontologicamente correta do mundo diante da afirmação do Brahman.
    • Reconhecimento da indescritibilidade última do mundo, só inteligível através da categoria epistemológica da avidya.
    • Elogio à caracterização geral do processo de adhyasa como convincente e passível de verificação prática.
    • Avaliação do vivartavada como mais convincente que o satkaryavada, criticando a noção racionalista de causalidade implícita no debate.
    • Discussão sobre o recurso a Isvara, considerado teoricamente problemático, mas justificado como conteúdo de experiência ou condição necessária para a experiência espiritual.
    • Elogio ao conceito de lila por evitar o dualismo insolúvel da teologia ocidental, subordinando tanto Isvara quanto o mundo ao domínio de maya.
    • Defesa do ensino final sobre a causalidade: nenhuma relação causal pode ser estabelecida entre níveis de ser diferentes, como Brahman e mundo.
    • Conclusão de que o vivartavada constitui a resposta correta, garantindo a não dualidade e mostrando como fazer da aparência do mundo matéria de experiência, privilegiando o amor à sabedoria sobre a satisfação intelectual estrita.