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id da página: 8080 Descida Verbo Sete Céus

Descida Verbo Sete Céus

Ascensão de Isaías — Resenhas e comentários


Contribuição, tradução e anotações de Antonio Carneiro

La Descente du Verbe à travers les Sept Cieux — In: l'Ascension du Prophète Isaïe


O livro sobre a “Ascensão do Profeta Isaías”, relato apócrifo (isto é, que não está elencado no cânone oficial católico e ortodoxo dos escritos religiosos judaicos e cristãos) é, no entanto, conservado por inteiro pela Igreja Ortodoxa Etíope(Vide: Cristianismo Etiópico), conta a visão do profeta contemplando o Cristo que atravessa os sete céus por duas vezes, uma para descer rumo a terra, a outra para subir em direção aos espaços superiores.

O mistério da “Encarnação do Filho de Deus” revela-se com uma intensidade agitante. O autor afirma que esse mistério "foi escondido de todos os céus, de todos os príncipes e de todos os deuses do mundo" (As. 11,16), no que se aproxima do ponto de vista teológico desenvolvido por São Paulo em (1 Cor. 2,8).

O profeta acrescenta: "Escutei a voz do Altíssimo, o Pai de Nosso Senhor, dizendo a meu Senhor o Cristo, que será chamado Jesus: sai e desce todos os céus; depois Tu descerás ao firmamento e a esse mundo. Tu Te transformarás segundo a forma daqueles que estão no quinto céu, e Tu zelarás a Te transformar segundo a forma dos anjos do firmamento. Que nenhum desses anjos saiba que Tu estás comigo o Senhor dos sete céus e de seus anjos, afim de que Tu julgues e aniquiles os príncipes, os anjos e os deuses desse mundo" (As. 10,7-12).

O mesmo texto descreve a descida do Verbo nos céus superiores, sétimo e sexto: Lá, apareceu não escondido, mas, em todo esplendor de sua majestade divina. Serafins e querubins recebem, no sétimo céu de pronto, a revelação do segredo divino: o mistério da Encarnação começa a se fazer cumprir. A Palavra de Deus, o Verbo Criador desce de seu trono real em uma sublime e impensável involução.

No sexto céu, tronos e potestades recebem por sua vez a revelação do segredo, a divindade do Verbo que desce resplendido sem modificação nas altíssimas esferas do reino de Deus.

São Irineu de Lião escreveu: "Por sua novidade, a descida do Cristo lança os anjos no estupor. O Cristo desce através dos sete céus se assemelhando a forma dos filhos destes" (Contra as heresias I 30,11-12).

Revelado aos altíssimos céus da liturgia celeste, o segredo divino permanece inacessível ao quinto céu, o último dos céus superiores: "E quando desceu no quinto céu, vi que se transformou segundo o aspecto dos anjos que estavam lá. Seu aspecto sendo como o deles, não o glorificaram" (As. 10,20).

Nosso Senhor Jesus Cristo - "Filho único de Deus, Nascido do Pai antes de todos o séculos, Deus nascido de Deus, Luz nascida da Luz, Verdadeiro Deus nascido do verdadeiro Deus, Engendrado não criado, Consubstancial ao Pai, Por quem tudo foi criado" - para retomar os termos do Credo de Nicéia—Constantinopla, se despoja progressivamente do visível, do tangível de sua glória a medida que, do quinto céu onde ninguém O reconheceu mais, desce os quatro céus inferiores.

Continuando sua descida através dos quatro céus inferiores, o Verbo não foi reconhecido por nenhum dos anjos, nem por nenhum outro dos habitantes dessas regiões: "Mudo de forma em cada céu, segundo a aparência dos que lá se acham, afim de não ser reconhecido por minhas potestades" (Santo Epifânio de Chipre — “Panarion” 21,2-4). "Quando venho do Pai, que atravesso os céus, estando revestido da Sabedoria e da Força do Pai, sou então semelhante aos seres celestes, anjos e arcanjos. Quando atravesso os céus sob seus aspectos, sou como um deles. Encontro as ordens, as potestades, as dominações; os arcanjos Miguel, Gabriel, Uriel e Rafael seguiram-me até o quinto firmamento, uma vez que, tal potestade me tendo sido dada pelo Pai, parecia a um de entre eles. Em seguida assustei os arcanjos com minha palavra, lhes dizendo para voltar em direção ao altar do Pai e de O servirem a sua maneira até que retornasse a Ele" (Epístola dos Doze Apóstolos 24).

São Gregório de Nazianzo, Padre da Igreja do século IV e bispo de Constantinopla, escreveu em uma homilia sobre a Ascensão: "Quando as potestades hiper cósmicas acompanhavam o Senhor na descida, elas ordenaram aos anjos que estão ao redor da terra e à quem foi confiado o cuidado da vida humana de levantar suas portas dizendo: levantai-vos, portas eternas, e o rei da glória entrará. Mas como Aquele que carrega tudo n’Ele, onde quer que Ele se dirija proporciona àqueles que O recebem, Ele não se torna somente homem com os homens, mas vindo entre os anjos Ele se assemelha à natureza deles. Também os porteiros interrogavam aqueles que falavam, dizendo: quem é esse rei de glória?"


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