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id da página: 9814 Henry Corbin – No Islame Iraniano II – Kay Khosraw e Parsifal Henry Corbin

Corbin Khosraw Parsifal


CORBIN, Henry. En Islam iranien: aspects spirituels et philosophiques II. Paris: Gallimard, 1991

  • O risco de uma identificação material entre a gesta do Graal e a gesta iraniana do Xvarnah, que desconsidera as analogias espirituais em favor de uma tese histórica vulnerável.
  • A necessidade de valorizar as analogias na forma como Sohrawardi o fez, ou seja, através da compreensão da filiação espiritual entre os Khosrawânians (teósofos da antiga Pérsia) e os Ishraqiyun (teósofos do Irã islâmico).
  • A impossibilidade, para a ciência positiva, de explicar um evento espiritual que se cumpre na "história da alma" e remodela o passado.

  • A distinção entre a "arque-história" dos reis kayânidas e do Graal e a história material de Júlio César. A arque-história é uma realidade de outra dimensão, onde os eventos são reais mas não se encaixam em uma cronologia.
  • A linhagem do Graal e a linhagem dos Doze Imãs como exemplos de uma hierohistória que escapa à história e à sucessão eclesiástica oficial, sendo guardiãs de uma "Luz" sagrada.

  • A "encontro" entre a cavalaria iraniana e a celta como um evento espiritual que ocorre no plano do Malakut e não pode ser explicado por um encontro histórico de Druidas e Magos.
  • A necessidade de acomodar a percepção à natureza desses eventos espirituais para compreendê-los, em vez de lhes impor categorias da ciência positiva.

  • O paralelismo entre a gesta de Kay Khosraw e a de Parsifal como um ponto de partida para a compreensão da hierohistória. Sohrawardi, ao se tornar o "testemunho ativo" desses eventos, demonstra que sua espiritualidade é escatológica, e que o "retorno ao Oriente" é a conquista que se completa em universos superiores.
  • A narrativa de Sohrawardi marca a transição da epopeia heroica iraniana para a epopeia mística.

  • A temática central dos relatos místicos de Sohrawardi: o "Grand Renoncement" de Kay Khosraw, sua retirada para um local invisível e sua espera eschatológica como um dos sete príncipes imortais do mundo.
  • A analogia da ocultação de Kay Khosraw com a do rei Artur, que se retira para a ilha mágica de Avalon, e com a do Douzième Imã.

  • A descrição do castelo místico de Kang-Dêz como um ponto focal da geografia sagrada, inacessível aos profanos e situado no "oitavo clima" ou "Oriente intermediário".
  • O castelo de Kang-Dêz e o castelo do Graal, assim como o var de Yima, são arquétipos de um "lugar sagrado" que simboliza a imortalidade e o refúgio dos eleitos.

  • A dualidade entre a fornalha celestial de Kang-Dêz e a fortaleza subterrânea de Afrasiyab. Essa bipolaridade se reflete no dilema de Kay Kâûs, que, em sua ambição, tenta conquistar o céu com meios materiais, mas fracassa e perde seu Xvarnah.
  • A figura do rei ferido, Kay Kâûs e, por extensão, Amfortas, que espera pelo herói que irá restaurar a ordem, o Xvarnah ou o Graal.

  • A hierohistória de Kay Khosraw, desde a intercessão de sua Fravarti antes de seu nascimento até sua apoteose final. A sua missão é cumprir a vontade de sua entidade celestial pré-existente, e sua vitória sobre as trevas é um evento metafísico.
  • A busca de Kay Khosraw e Parsifal como uma jornada de iniciação e de purificação. A destruição da fortaleza de Afrasiyab simboliza a superação do "antítipo", a sombra que se deve destruir para entrar no "centro do mundo".

  • A importância do ta'wil (hermenêutica) na filosofia de Sohrawardi. O ta'wil não é uma alegoria, mas a ferramenta que permite "reconduzir" os eventos à sua fonte no Malakut, o mundo imaginal.
  • O ta'wil transforma a epopeia heroica iraniana em epopeia mística, revelando o sentido interior de cada evento. Sohrawardi, ao aplicar o ta'wil aos contos de Kay Khosraw, revela a dimensão esotérica da gesta, onde a busca do herói se torna uma busca da luz e da redenção.