O Simbolismo Literário
Certo! Alá não despreza nem mesmo a semelhança de um cínife. Alcorão II.26
- A natureza dos signos linguísticos como símbolos de referentes específicos por primeira intenção, distinguindo-se o significado literal e histórico do significado alegórico inerente aos seus referentes primários.
- A função expressiva da linguagem, que opera mediante semelhanças, conforme afirma São Boaventura, servindo as imagens mentais como suportes de contemplação e não como objetos da mesma.
- A concepção de que a validade de uma imagem ou símbolo reside na analogia verdadeira e na adequação ao referente, e não na verosimilhança visual, conforme exposto por Platão.
- A definição de simbolismo adequado como a representação de uma realidade num determinado nível de referência por uma realidade correspondente noutro nível, como no exemplo dantesco do Sol como tipo de Deus.
- A crítica ao erro comum de atribuir a símbolos tradicionais uma origem na "imaginação poética" individual, quando na realidade constituem a linguagem técnica e transcendente de uma tradição espiritual universal.
- A distinção entre le symbolisme qui sait e le symbolisme qui cherche, sendo o primeiro a linguagem universal da tradição e o segundo próprio de poetas individualistas e autoexpressivos.
- A necessidade de precisão na iconografia, tanto verbal como visual, e a consequente exigência de uma interpretação hermenêutica para compreender a escrita expressiva.
- A crítica ao método que pretende reconstruir a forma "original" de uma história eliminando os seus elementos miraculosos, quando estes são precisamente os portadores das verdades mais profundas.
- A valorização da filosofia que começa no espanto, segundo Platão e Aristóteles, e a utilidade do pensamento simbólico tradicional para a compreensão e a crítica literária.
- A demonstração, através do símbolo do "fio de ouro" em Blake e das suas variantes em Dante, nos Evangelhos, em Platão, em Homero e em tradições islâmicas, hindus e chinesas, da natureza universal e atemporal da linguagem simbólica tradicional.
- A exploração do símbolo da "carruagem de fogo" e a sua análise como representação das potências sensíveis da alma, do veículo corporal e do espírito, com as suas implicações éticas e espirituais.
- A interpretação de episódios tradicionais, como a hesitação de Lancelot em subir para o carro em Chrétien, à luz de analogias cósmicas e de arquétipos como o Herói Solar e a libertação da Psique.
- A compreensão de que os contos populares e as fábulas genuínas possuem referências metafísicas e podem ser interpretados como variantes de um Urmythos humano universal.
- A constatação de que muitas palavras e expressões da linguagem corrente são clichés de um pensamento tradicional, cujos significados originais e precisos, baseados em conceitos como a coincidência da luz e do som ou a imanência do Fogo, se perderam.
- A refutação da objeção de que a atribuição de significados abstratos aos símbolos é uma leitura posterior e subjectiva, argumentando com o carácter abstracto da arte "primitiva" e o estilo parabólico das escrituras.
- O reconhecimento do perigo da interpretação subjectiva dos símbolos e a necessidade de uma disciplina de estudo baseada em literaturas extensas e contextos inteligíveis para compreender a sua significação precisa e consistente.
- A afirmação de que a linguagem universal do simbolismo tradicional é o meio pelo qual as verdades mais elevadas têm sido expressas, constituindo-se como o único idioma verdadeiramente inteligível para a tradição metafísica.