ELORDUY, Carmelo. Chuang- Tzu. Análisis y traducción Carmelo Elorduy. Caracas: Monte Avila Editores, 1991
O caráter Tao tem muitas significações mais ou menos aparentadas entre si. Significa caminho, dizer, arte ou método e as mais afins a nosso propósito: razão, verdade e muito especialmente em Lao-tse e Chuang-tzu, a Suprema Razão ou Verdade. Poderíamos tê-lo traduzido por Logos, que também tem a maior parte dessas significações, mas preferimos deixar a mesma palavra chinesa. Em Chuang-tzu, como nos livros sapienciais hebreus, está usado quase sempre como sinônimo de sabedoria. Tanto a Sabedoria Suprema e transcendente como a imanente aos seres, em especial ao homem.
A segunda frase é clara. O Tao é anterior a todos os seres, não uma forma ou modalidade deles. Em si mesmo, não neles, tem a razão de sua existência.
O c. 23 p. 169, 12 diz também:
No c. 32 p. 238, 5:
Pouco antes o chamou de o Grande Princípio.
No c. 24 p. 185 diz também:
Esta doutrina é comum no taoísmo. Lieh-tzu a exprime com a mesma firmeza: "O Tao é o que vive eternamente sem ter origem de onde provenha". Lao-tse o coloca também no ápice supremo, acima dos seres, anterior e independente em sua existência a todo outro ser. No c. 51 diz: "O Tao, sua majestade, e o Te, seu preço ou estimabilidade, os têm, não por vontade alheia, mas por si mesmos." No c. 42 diz: "O Tao gera o Um, este gera o Dois, o Dois gera o Três e o Três gera os dez mil seres." No c. 25: "O homem tem por norma a Terra, a Terra o Céu, o Céu o Tao, e o Tao é sua própria lei Tao fa tzu jan." Mais tarde analisaremos a expressão tzu jan que aqui Lao-tse usa.
A existência do Tao está tão bem alicerçada no taoismo que nunca se a põe em dúvida. É o fundamento no qual se apoia todo o sistema taoista. Chama-se a Ele fundamento e raiz de todas as coisas. "Ele cria e sustenta todos os seres sem que eles se deem conta; por isso se Lhe chama Raiz e Fundamento". c. 22 p. 155, 4.
Várias vezes se fala das opiniões dos antigos sobre a origem dos seres, dizendo uns que sempre os tem havido e outros que, a princípio, existiu o nada c. 2 p. 16, 6; c. 12 p. 83, 8; c. 23 p. 169, 12. Mas adverte-se que o existir yu e a realidade shih referem-se apenas ao âmbito dos seres.
Nomes e realidades são domínios das coisas. O anonimato e a carência de realidade se dão no vazio dos seres. Pode-se falar d'Ele, mas quanto mais se fala, mais se afasta" c. 25 p. 194.
"Se houve quem os fizesse ou não, diz pouco depois, refere-se ao mundo das coisas. Como pode referir-se à Grande Imensidão? O Tao não pode haver (como coisa assinalável); o Haver não pode não haver". Seu mesmo nome Tao não Lhe é próprio, senão coisa emprestada".
Plotino diz: "É preciso inquirir a origem dos seres que vêm d'Ele (do Primeiro); mas há que cessar de inquirir como foi gerado o Primeiro, porque não foi gerado. É o primeiro e não se pode já ir mais adiante." PLOTINO, Enéada VI 8, 10 p. 146 ed. Bréhier
Chuang-tzu, para designar a existência do Tao, usa o caráter tsun subsistir, mas Lhe nega o caráter yu, que parece envolver mais a ideia de ter ou estar contido em um lugar.
Pode-se afirmar com toda segurança do Tao de Chuang Tzu o que o historiador G. Fraile diz do Uno de Plotino: