ELORDUY, Carmelo. Chuang- Tzu. Análisis y traducción Carmelo Elorduy. Caracas: Monte Avila Editores, 1991
No taoísmo, a imanência do Tao é como no cristianismo a onipresença de Deus. Doutrina muito importante por suas grandes consequências para a perfeição humana, fim primordial da escola. Com sua onipresença, o Tao é vida de todos os seres, luz que descobre a verdade; lux percipiendae veritatis, que diz Santo Agostinho do Uno dos platônicos, fonte da felicidade (fons vivendae felicitatis), e ordem e harmonia do mundo.
A imanência do Tao aos seres está já suficientemente assinalada em Lao-tse. “Com nome, diz no cap. 1, é Mãe dos dez mil seres”. O Tao, em si, não tem nome, tem-no o dos seres em que pulsa. “Feita sua obra, diz no cap. 2, não fica com ela, mas tampouco se vai dela”.
“É o arcano dos seres e a riqueza do homem bom” cap. 62. No cap. 10 chama-lhe Virtude Arcana que gera e cria sem se apoderar, os faz e não se apoia neles, é superior e não os domina.
Chuang-tzu é muito mais explícito neste ponto. Repete continuamente que o Tao penetra todos os seres e não gosta de ser obstruído e detido:
“É comunicável, cap. 6 p. 45, 6 s. mas não pode ser apanhado. Pode ser possuído mas não visto... “Faz espíritos tanto aos seres espirituais como a Deus (Ti)”... “Hsi Wei o obteve e uniu o Céu com a Terra. Fu Hsi o obteve e pôde penetrar (talvez vestir-se) no pneuma primordial. A Ursa Maior o obteve e pode permanecer invariável desde os tempos mais antigos. O sol e a lua o obtiveram e brilham sem se extinguirem desde o princípio dos tempos”.
Segue a enumeração de personagens míticos. Todos eles obtiveram seu poder do Tao. Antes citou-se um texto importante do cap. 31 p. 232 que diz que tudo vive por Ele e morre sem Ele. No cap. 12 p. 80, 3:
“O abismo é a morada do Tao. Limpíssima é sua pureza. Sem Ele nem os metais nem as pedras sonoras teriam a sonoridade que possuem”.
“Tung Kuo-tzu, cap. 22 p. 157,10, perguntou a Chuang-tzu: Isso que se chama Tao, onde se encontra? Chuang-tzu lhe contesta: Em todas as partes. Tung Kuo-tzu: Se o precisar mais, talvez o entenda. Chuang-tzu: Numa formiga. Como em coisa tão baixa? Responde-lhe: No grão de milho. Como numa coisa ainda mais baixa? Diz-lhe: Num tijolo. Replica: Como ainda mais baixo? Diz-lhe: No excremento e na urina. Tung Kuo-tzu já não se atreve a replicar-lhe. Chuang-tzu lhe diz: A pergunta de Vossa Mercê não chega ao fundo da realidade. Quando o chefe Huo perguntava ao inspetor do mercado de porcos pelo peso destes, este costumava pisar o porco em suas partes mais baixas (patas)”. Se aquelas haviam engordado bem, muito mais as altas. Assim, se o Tao está nessas coisas desprezíveis, quanto mais o estará nas mais nobres. “Não te era necessário que o determinasse mais. Ele não foge das coisas.”
O Tao, pois, transborda o mundo criado mas não está ausente dele. “Imenso é o espaço das seis dimensões, diz o cap. 22 p. 155, 4, com tudo não ultrapassa e sai fora d'Ele. Pequeno é o pelo outonal do gado e também depende d'Ele sua formação.” Plotino diz que não se busque nada fora d'Ele. Ele abraça todas as coisas. Melhor dito, está dentro das coisas, em sua nascente.