1. PROTOCOLO DA CONFRONTAÇÃO
Ensaiemos enunciar algumas regras capazes de servir de «moderador» da discussão, antes de enfrentar a confrontação entre a ideia que podemos ter da filosofia e o que na Índia classifica-se, certo ou não, sob o mesmo nome. Há, nos parece, três condições prévias à investigação.
1.1. INVESTIGAÇÃO DE UMA DEFINIÇÃO DA FILOSOFIA
A princípio, idealmente, seria desejável estar de acordo sobre uma definição da filosofia, na falta da qual o debate arrisca capengar de cara pelos mal-entendidos. Infelizmente a experiência mostra que há quase tantas definições da filosofia quanto filósofos. A dificuldade é grande em separar a forma da matéria, o continente do conteúdo. Mesmo a admirável definição de Jules Lagneau1 é no fundo solidária de uma certa filosofia individualista — sinão idealista — da consciência. Um marxista não poderia aceitá-la. Mesmo a impossibilidade de uma definição comum entre escolas fenomenológicas e escolas positivistas ou analíticas, etc.
Não podendo dispôr de uma definição formal, devemos nos contentar com um procedimento empírico. Abramos uma História da filosofia reconhecida pela comunidade internacional. O conteúdo dela é extraordinariamente disparate. Assim, ao lado de Kant que permanece sem dúvida para os universitários o protótipo do filósofo, encontrar-se-á não somente Platão mas os neoplatônicos, Santo Agostinho; não somente Aristóteles mas São Tomás, Lutero e Calvino, vide Thomas Müntzer. Em nossos dias enfim, não longe da história das ciências, entrona-se a célebre trindade Nietzsche, Marx, Freud.
NOTAS: