BARUZI, Jean. Saint Jean de la Croix et le problème de l’expérience mystique. Paris: Félix Alcan, 1924
• A insuficiência do conhecimento atual sobre as experiências e tradições místicas para uma aplicação rigorosa do método comparativo
• A constatação da impossibilidade de estabelecer um dado universal mediante a determinação de concordâncias
• A compreensão de que qualquer dado só poderia ser constituído por uma análise fundamentada na tradução verbal da experiência
• A centralidade do estudo da linguagem mística como o auxílio mais seguro para a compreensão do fenômeno
• O reconhecimento da carência de materiais linguísticos adequados, como lexicos minuciosos
• A admissão da impossibilidade de comparar as nuanças de expressão dos místicos de uma mesma confissão
• A percepção da dificuldade maior em surpreender analogias precisas entre místicos de Igrejas diferentes
• A natureza intransponível dos obstáculos históricos e a limitação intrínseca dos documentos textuais
• A consciência de que problemas de ordem histórica frequentemente não estão resolvidos nem sequer postos
• A compreensão de que mesmo glossários rigorosos forneceriam apenas documentos mortos
• A incapacidade de distinguir entre tradição incontestável, expressão direta de experiência original e mero recomeço monótono
• A exigência metodológica de partir da experiência individual como via de acesso privilegiada
• O reconhecimento da imprudência de estudar um suposto fato místico de modo arbitrário e longe de um meio circunscrito
• A consciência do risco de eleger um fenômeno de importância mais exterior que real
• A afirmação da potencial fecundidade superior da análise direta de um devenir místico determinado
• Os princípios fundamentais que regem a investigação da experiência mística individual
• O princípio de que a mística, enquanto vida, culmina em indivíduos e somente neles
• A compreensão da inutilidade de toda classificação de estados se não conduzir à experiência ardente de um ser
• A percepção da ilusão que seria examinar um pensamento isolado sem recorrer à história e à crítica
• A importância da escolha de um exemplo complexo e de sutil qualidade para discernir a relação entre pensamento geral e mística
• A exemplaridade de místicos sistemáticos para precisar a relação entre experiência e pensamento
• A possibilidade de precisar aquela relação mediante a leitura de textos que apresentem experiência original e sistematização intelectual
• A menção de Ibn Arabi e Ghazali na mística árabe como figuras particularmente significativas
• A apresentação de São João da Cruz como exemplo muito nítido no cristianismo
• São João da Cruz como caso paradigmático que apresenta dificuldades intrínsecas
• A percepção de um devenir ousado e de crescente esplendor, isento do artifício de trabalho de escola
• A existência de uma doutrina rigorosa e objetiva, constantemente alimentada pelo aporte de uma vida individual
• A dificuldade fundamental da integração da experiência na doutrina sem descrição de sua formação cronológica
• A caracterização da obra são-joanina como penetrada por um drama vivido
• A descrição da obra como dotada de grandeza plástica e nobreza patética
• A compreensão de que toda confidência se submete à disciplina de uma constante transposição
• A formulação da questão central: como atingir o drama ele mesmo?
• A via de acesso ao ritmo da experiência vivida através da técnica poética
• A possibilidade de surpreender o ritmo da experiência para além da construção doutrinal
• A tradução imediata da experiência em canto mediante poemas de qualidade soberana
• A definição da obra inteira como expressão de experiência longínqua e explicação de um devenir lírico
• O florescimento do simbolismo sem perturbação do movimento dialético
• A inserção inicial do simbolismo nos poemas
• O posterior florescimento através do pensamento discursivo
• A preservação do movimento dialético durante as melhores minutes
• A obtenção de dados para pressentir o vínculo concreto entre experiência e doutrina
• A capacidade de pressentir o vínculo, não de atingir a história interior em seus múltiplos desvios
• A metodologia de ir dos poemas à doutrina e da doutrina aos poemas
• A possibilidade de entrever, para além do ritmo dialético, um devenir real
• A indispensabilidade de documentos psicológicos para o estudo biográfico
• A insuficiência das indicações autobiográficas de São João da Cruz
• A pobreza das biografias da tradição carmelita
• O valor das fontes inéditas da Biblioteca Nacional de Madrid
• O potencial das fontes madrilenhas para uma biografia psicológica
• A possibilidade de discernir uma fisionomia concreta mediante crítica severa
• A capacidade de pressentir as origens vivas de modalidades da doutrina
• A viabilidade de escrever uma biografia psicológica dentro de limites definidos
• O problema textual como obstáculo fundamental ao estudo
• A ausência de um texto rigorosamente estabelecido
• A escassez e limitação dos manuscritos autógrafos
• A falta de segurança das transcrições e o caráter mentiroso das edições
• A complexidade da tradição manuscrita e questões de atribuição
• A existência de tradição manuscrita supostamente apócrifa para dois grandes tratados
• A dificuldade de discernir a versão autêntica
• A necessidade de abordar problemas técnicos antes de qualquer estudo
• A metodologia de conduzir do dado ao inexprimido
• A necessidade de penetrar gradualmente na experiência indo do expresso ao inexprimido
• A sequência de investigações: textos, fontes biográficas, temas líricos, movimento da experiência
• O objetivo de alcançar um olhar sobre o pensamento sistemático que não seja abstrato
• A singularidade essencial de São João da Cruz como objeto de estudo
• A justificativa para dedicar-lhe a ferveur de um esforço íntimo
• A caracterização de sua mística como devenir complexo que conduz para além das regiões comuns
• A essência de um ser que vai direto a uma vida despojada e perfeita
• A natureza da obra são-joanina como exigente de atenção metafísica
• A compreensão dos grandes tratados como escritos teóricos
• A necessidade de refletir longe de simplificações e deformações
• A obtenção de um exemplo em sua pureza
• A significação metafísica da experiência em São João da Cruz
• O triunfo sobre os tares nervosos inerentes ao desenvolvimento místico
• A impregnação de valor noético na vida teopática
• A compreensão da experiência mística como pensamento total que se busca
• A questão final sobre a significação metafísica da experiência mística pura
• A interrogação sobre o significado de uma experiência da qual toda dado parcial seria excluída
• A combinação de visão do mundo cada vez mais ampla com vida espiritual cada vez mais pacificada
• A herança intelectual e espiritual de São João da Cruz para o pensamento metafísico