BALTHASAR, Hans Urs von. Cosmic liturgy: the universe according to Maximus the Confessor. San Francisco Calif.: Ignatius Press, 2003
-
Humanidade e Pecado
-
- A dimensão histórica no pensamento de Máximo, o Confessor, situada entre a contemplação natural e o envolvimento concreto nos eventos.
- Os três pontos de virada do drama histórico: a queda da unidade original, a Encarnação como correção do curso, e a Parousia como reunificação final.
- A visão da Parousia como proclamação aberta do novo éon, já presente de modo oculto na vida cotidiana.
- A concepção de Máximo, o Confessor, focada na estrutura formal interna da Encarnação, em detrimento dos atos históricos particulares de Cristo.
- A categoria subjacente de "parousia" como presença divina na filosofia da história dos Padres Gregos.
-
- A interpretação da árvore do conhecimento como a criação fenomênica, comunicadora de alegria e dor.
- A condição original do homem destinada a nutrir-se da árvore após atingir a contemplação verdadeira da natureza.
- O adiamento divino do gozo da árvore para que o homem, pela graça, se tornasse consciente de sua origem e fosse confirmado na impassibilidade e no dom da imortalidade.
- A perspectiva de Máximo, o Confessor, que segue o desenvolvimento rumo ao objetivo final, não olhando para trás em direção às origens perdidas.
- A harmonização das opiniões dos predecessores sobre a teologia da queda como fato histórico.
- A consideração da queda como presente na experiência cotidiana.
- A interpretação mais misteriosa e exaltada que identifica a árvore da vida e a árvore do conhecimento, seguindo Gregório de Nissa e Orígenes.
- A tensão dinâmica entre "imagem" e "semelhança" de Deus no homem, na sua forma clássica.
- A oferta conjunta das duas "árvores" – a do mundo natural e a da deificação pela graça – exigindo uma decisão livre.
- A liberdade da vontade como apetite que busca seu objeto, necessitando nutrir-se de uma das duas "árvores".
- A escolha de Adão pela natureza material como nutriente do intelecto, cometendo-se à dependência dos sentidos e das coisas materiais.
- As duas "árvores" como faculdades de discernimento: o intelecto e os sentidos.
- O pecado original como rebelião contra a lei superior, insubordinação e orgulho.
- O amor próprio (philautia) como essência do pecado, combinando amor pelas coisas corpóreas e egoísmo.
- A tentativa de controlar as coisas sem Deus, antes de Deus e não segundo Deus, como distorção da ordem.
- A consequência da escolha de Adão: o sensível dominou o intelecto, entregando toda a natureza à morte.
-
Passividade e Corrupção
- O lugar do exílio da culpa: o mundo presente da transitoriedade e da corrupção mútua das coisas.
- A dependência misteriosa da morte e da corruptibilidade de um primeiro pecado.
- A introdução das paixões (πάθη) após a queda, segundo o ensino de Gregório de Nissa seguido por Máximo.
- A conexão natural entre o desejo carnal e a morte, com a introdução do matrimônio pela transgressão.
- A concepção conectada à "lei do pecado".
- A constituição corporal original de Adão em um estado consistente, sem acréscimo ou diminuição, dotado de imortalidade e incorruptibilidade.
- A união tão exaltada com Deus que era uma visão direta, superior à contemplação através das coisas criadas.
- A natureza simbólica da realidade paradisíaca: a árvore, a serpente e a nudez de Adão.
- A situação de glória original como realidade pré-histórica ou meta-histórica, da qual a situação histórica foi um reflexo fenomênico.
- A rejeição da abordagem origenista da queda e o exame da solução de Gregório de Nissa baseada na presciência do pecado.
- A concepção de Máximo, o Confessor, na qual a criação e a queda são conceitualmente distintas, mas factualmente simultâneas: o homem deixa sua origem pelo pecado junto com seu existir.
- A perspectiva orientada para o futuro: o encontro da origem no fim, através do desenvolvimento e da realização.
- A experiência da dor como meio providencial para o reconhecimento de Deus e da própria dignidade.
-
Existência como Contradição
- A capacidade natural de prazer do intelecto, voltada para as coisas sensíveis desde o primeiro momento consciente, gerando um prazer não natural.
- A adição providential da dor ao prazer, instituindo a lei da morte para limitar o impulso desenfreado da mente para o sensível.
- A natureza humana como "natureza sintética", na qual alma e corpo necessariamente se abraçam e interpenetram.
- A possessão mútua entre alma e corpo, compartilhando naturalmente a passividade e a dor.
- A reciprocidade natural como contribuição para a beleza do universo, não diretamente conectada ao pecado.
- A distinção entre o estágio da natureza e o estágio do pecado no nível especulativo, embora inseparavelmente interligados na concretude.
- A influência das sombras do platonismo na visão cristã do mundo, com desconfiança em relação a uma natureza autônoma e objetiva.
- A tendência do pensamento oriental para a transcendência do self, absorção e liberação do finito no infinito.
- O projeto de Máximo, o Confessor, de redimir o pensamento impessoal asiático através de uma cristologia pessoal.
- A caracterização dupla do mundo sensível: ao mesmo tempo consequência do pecado e dom gracioso de Deus, punição e providência.
- O ritmo ecástico e irracional da visão de mundo oriental, alternando entre a afirmação entusiástica e a renúncia espiritualizante.
- A ocultação da verdade da realidade criada, baseada na medida e distância fundamentais, pelo choque brusco dos extremos.
- A doutrina de Máximo, o Confessor, sobre o estado original no contexto da tradição oriental gnóstica: a fusão da criação e da queda em um momento.
- O movimento de Máximo, o Confessor, em direção a uma concepção clarificada da natureza, assumindo a inocência fundamental da criatura.
- A compreensão da condição humana concreta como situação entre danação e graça, não como estrutura metafísica.
- A fenomenologia pacífica do estado concreto do homem, onde Deus extrai o bem do pecado.
-
Dialética da Paixão
- A definição da "lei do pecado" como uma condição da vontade contrária à natureza, que introduz um estado patológico na passividade natural.
- A raiz do pathos em uma capacidade natural (passível), mas causado por uma decisão livre da vontade.
- A escolha livre da lei da procriação física como uma realização possível da natureza sensual, manchando-a como culpada.
- A impregnação desta lei como um acompanhamento necessário da natureza, do qual ela não pode se livrar.
- Os πάθη em seu aspecto natural como "impulsos naturais" e "satisfações" não censuráveis, garantindo a continuação da natureza.
- A circuncisão verdadeira como a limpeza das paixões que impedem a verdadeira fecundidade da alma.
- A utilidade das paixões da alma no processo de purificação, transformando-se em desejo ansioso, gosto pela graça divina, medo saudável e arrependimento.
- A "tensão" da parte irascível e o "anseio" da parte desejosa comunicando-se ao intelecto como um todo.
- A raiz e fundação do amor a Deus na capacidade de desejar e na coragem.
- A relação indestrutível do pathos com o egoísmo sensual (philautia), que age como base do pecado.
- A dualidade ontológica da natureza humana traduzida em níveis de conhecimento e ação: a lei da carne e a lei do espírito.
- A operação naturalmente oposta da razão e da sensualidade devido à não similaridade de seus objetos.
- A distinção entre a perda do equilíbrio moral e as consequências naturais desta perturbação: "pecado voluntário" e "pecado físico".
- A distinção entre a "maldição" como efeito ético imediato do pecado e a "maldição" como punição natural.
- A distinção entre "tentação" como desejo sensual, que dá origem ao pecado, e "tentação" como provação, que pune o pecado causando sofrimento.
- A possibilidade do Redentor tomar o lado "físico" de nossas punições sobre si sem qualquer sombra de pecado voluntário.
-
Síntese Sexual
- O ponto focal da questão do pathos no fenômeno da sexualidade.
- A combinação de egoísmo e luxúria carnal passional no pecado central do amor próprio.
- A contradição interna do pecado: o isolamento do pessoa no egoísmo pela luxúria sensual, dividindo a unidade da natureza humana.
- A divisão do Deus único em uma multidão de ídolos pelo amor próprio.
- O aspecto predatório do desejo sensual proveniente da falta de harmonia com o verdadeiro princípio de unidade, Deus.
- A mistura do tormento da dor no desejo sensual, mesmo quando oculto pelo poder predominante da paixão.
- A deformação da natureza como punição pela violência contra ela: o acesso diminuído aos plenos poderes naturais.
- A morte como desdobramento natural da realidade dos tormentos.
- A dialética implacável da historicidade: a fuga da experiência dolorosa caindo nos braços do desejo sensual.
- O "medo da morte" como espinho oculto que leva à procriação, produzindo apenas outra vítima da morte.
- A tragédia subjacente a todo cuidado mundano: tremer pelo que se ama e compartilhar involuntariamente o que não se ama através da impermanência natural.
- A tristeza inerente ao desejo sexual como a contradição obscura sentida na sexualidade.
- O círculo inescapável entre "medo da morte" e "escravidão ao desejo sensual através do amor pela vida".
- A perpetuação da vida como perpetuação da morte.
- A experiência oriental de que toda vida é uma mistura de desejo e dor.
- A morte habitando potencialmente em todo devir, como um juízo sobre a natureza.
- A natureza como terreno amaldiçoado, um "deserto", solo infrutífero.
- A negação de que o ato sexual ou o matrimônio sejam intrinsecamente repreensíveis, para não culpar o Criador da natureza.
- A imposição de algo naturalmente bom ou indiferente como uma "punição", tornando-se um sinal externo da vontade interna pecaminosa.
- O papel educativo positivo da sexualidade como um modo de união, o primeiro nível das sínteses progressivas que unificam o mundo.
- O homem como mediador natural do mundo com Deus através de sua capacidade de unidade.
- A união sexual como um primeiro eco confuso da unidade e do amor unificador de Deus.
- A base do mal na devassidão situada na excitação irracional do desejo, não no desejo em si, que é uma força benéfica.
- A impossibilidade de unidade moral real sem primeiro a união na dependência de Deus.
- A sombra da paz movendo mesmo pessoas conflituosas em sua busca ignorante pela satisfação passional.
- A dualidade trágica na lei dupla do desejo no homem, gerando prazer com dor da consciência ou alegria intelectual com tristeza dos sentidos.
- A situação última do homem como uma "batalha imortal" entre aparência e ideia, exibindo o poder do espírito que prefere a virtude.
- A perda trágica de equilíbrio no homem como um sinal de pecado herdado, não como destino.
- A impossibilidade do homem livrar-se sozinho da tragédia, exigindo a solução da contradição como um dom de Deus.
- O desenvolvimento da doutrina da Encarnação com rigor geométrico a partir da antropologia do pecado original.
- A Encarnação como restauração do estado de incorruptibilidade.
- A restauração do equilíbrio pelo rebaixamento do intelecto orgulhoso e pela elevação da carne esvaziada pela paixão e morte.
- Os requisitos para romper a dialética do pecado: uma morte que não fosse punição natural pelo pathos pecaminoso e um nascimento virginal.
- A "necessidade" como a coesão interna do plano divino de salvação, lido fenomenologicamente a partir dos fatos da história sagrada.
- A exigência de uma superação interior radical da condição humana através da aceitação livre do "mal físico" e da morte.
- A necessidade de um ser humano super-humano para realizar tal aceitação.
- A tomada sobre si de toda a "transgressão do pecado voluntário de Adão" e de todo o mal físico por tal pessoa, através do sofrimento inocente.
- A morte de Cristo como um juízo sobre o pecado e, portanto, um juízo sobre o próprio juízo, uma genuína maldição da maldição.
- A coincidência de julgar e ser julgado na morte de Cristo.
- A ocorrência do mesmo processo para o cristão individual no segundo nascimento do batismo, que remove a culpa do primeiro nascimento.
- A superação da necessidade da morte para o pecador através de sua livre escolha desta morte em Cristo.
- A criação de uma morte para a morte através da renúncia de toda preocupação pela carne, ganhando poder sobre a morte.
- A liberação do poder reprodutivo real da alma através desta morte, concebendo e dando à luz o Verbo eterno.
- A alma tornando-se mãe passiva e ativamente, nutrindo o Logos com os seios da contemplação e da virtude ativa.
- O cumprimento do mistério da sexualidade para ir além dele.
- A síntese sexual permanecendo demasiado carregada pela tragédia e dialética do pecado original para encontrar um lugar positivo entre as sínteses alcançadas por Cristo.
- A interpretação extensiva de Máximo, o Confessor, sobre Gálatas 3:28, excluindo a diferença sexual da "semelhança" com Deus.
- A ausência de um lugar exaltado para Maria como Nova Eva, a Noiva de Cristo, nas grandes sínteses de Máximo.
- A ligação da sexualidade ao tempo e à corruptibilidade, e estes ao pecado.
- A conquista de Cristo como mais do que a restauração do estado original, tornando-se uma condição superior e terceira, sintetizando o estado incorrupto do Paraíso e a condição mortal presente.
- A remoção das fraquezas de ambos os lados: a transformação do estado desonroso em fonte de salvação e renovação para o primeiro, e a santificação do aspecto vulnerável do segundo através da inocência do primeiro.
-