Embora a Anáfora de Addai e Mari seja preservada apenas em manuscritos siríacos, ela representa uma versão arcaica das orações eucarísticas. É verdade que é impossível provar de forma conclusiva que o núcleo mais antigo desta anáfora remonta ao início do século III, mas há fortes indícios de que uma forma primitiva desta oração se originou nessa data. Se assim for, esta oração eucarística seria a anáfora mais antiga preservada do cristianismo antigo sem um contexto narrativo. A Anáfora de Addai e Mari tem atraído muita atenção acadêmica porque não contém o relato da instituição. É provável que esta anáfora continue a prática mais antiga, especialmente atestada na tradição siríaca, na qual as orações eucarísticas não continham as palavras da instituição.
Anthony Gelston apresentou uma reconstrução de uma forma primitiva da Anáfora de Addai e Mari que consiste em várias seções claramente identificáveis:
A. Diálogo introdutório
B. Louvor ao nome de Deus Criador e Redentor
C. Referência à adoração das hostes celestiais, levando ao Sanctus
D. Ação de graças pela graça e redenção, com doxologia
E. Memória dos pais no corpo e sangue de Cristo oferecidos no altar
F. “Para que todos os habitantes da terra saibam que só tu és Deus...”
G. Comemoração de Cristo
H. Epiclese
I. Doxologia
A intenção da refeição eucarística supostamente é tornada suficientemente clara pela invocação do Espírito Santo (H) e pela ação de graças (D). A oração é dirigida ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo no início e ao Pai no final; outra seção (D) é dirigida em parte a Cristo, em parte ao Pai. Muito notável é o uso do Sanctus na seção C. Na seção G, a oração fala sobre a comemoração do corpo e sangue de Cristo e se refere à paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. (The Earliest History of the Christian Gathering. Vigiliae Christianae)