WIKIPEDIA: Inglês
René Guénon: NOÇÕES SOBRE O AGARTTHA NO OCIDENTE
Pierre Gordon: A REVELAÇÃO PRIMITIVA
Estas breves notas, juntas às indicações similares que fornecemos em outros lugares, estabelecem bem, nos parece, que a ocultação primitiva, a brusca transformação do mundo luminoso inicial em um universo de matéria grosseira, a súbita metamorfose da energia pura em forças espaciais e temporais, orientou desde o início da inteligência humana e se encontra no coração mesmo de suas preocupações: não é uma sociedade, a algum nível de cultura que se o visualiza, que não conserva, sob uma forma ou sob outra, um tesouro de tradições desvelando a existência de um mundo real, donde depende o mundo dos sentidos. Por toda parte é entrevisto este universo inapreensível, inacessível, inviolável, que a Ásia denomina Agarttha (termo que se traduz por estes três mesmos adjetivos). Por toda parte há um esforço de entrar em contato com ele, e dele utilizar o poder, por meios que escapam aos procedimentos ordinários do mundo físico, e que se referem às leis do mundo verdadeiro, conhecidas antes da ocultação. Temos verdadeiramente aí o centro mesmo do homem, o ponto onde se entende melhor o batimento das asas de seu pensamento. De resto, nada de surpreendente: a ocultação, resultado imediato do pecado, sendo o fato dominante da história humana, aquele que projeta sua sombra sobre todas nossas démarches, como a alma não teria por necessidade essencial de aí levar remédio?
Frequentemente, além do mais, ela ignora o único remédio eficaz, que é a exclusão da causa, quer dizer do pecado. A este respeito, os primitivos e as selvagens são frequentemente avançados sobre os civilizados: os sofrimentos e os jejuns de que se acompanha para eles a iniciação provam bastante, com efeito, seu desejo de quebrar entraves. A infelicidade é que eles concebem mais frequentemente de viés a natureza de suas correntes.
Philippe Lavastine
[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]
Agartha é um adjetivo que significa “inapreensível”: a privativo e gartha, apreensível. E, na literatura védica mais antiga, encontra-se a expressão agartha atmaha: o Atman — não se pode apreendê-lo.
Ossendowsky, que não conhecia o sânscrito e não era iniciado em coisa alguma, apenas relatou narrativas populares. Saint-Yves d’Alveydre também havia contado essa história, e Guénon, ainda jovem, ingenuamente escreveu O Rei do Mundo.
O Agartha situa-se em um nível popular; jamais um pandit fala dele de outro modo que não seja como de uma lenda.