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id da página: 12568 Yates (FYIRC) – Robert Fludd Frances Yates

Yates (FYIRC) – Robert Fludd

Wiki page pagination has not been enabled. O primeiro volume de Fludd, em Oppenheim, a "História do Macrocosmo" de 1617, é oferecido a Jaime I, com uma dedicatória muito imponente, na qual Jaime é aclamado como o "Ter Maximus", o epíteto sagrado para Hermes Trismegistus, e como sendo o príncipe mais poderoso e sábio do mundo. O sentido dessa dedicatória sobressai agora, quando compreendemos mais perfeitamente o significado da publicação dos livros de Fludd, em Oppenheim. Ele e o seu editor do Palatinado estavam admitindo o interesse de Jaime I num trabalho publicado nos domínios de seu genro. Estavam atraindo esse príncipe poderoso para a sua filosofia, atribuindo-lhe um desempenho hermético. Caso esse livro tivesse grande circulação na Alemanha ou na Boêmia, teria confirmado a impressão, ou ilusão, de que os movimentos do pensamento no Palatinado tinham a aprovação do Rei Jaime.

Podemos também começar agora a observar mais claramente a situação, através do ponto de vista de Jaime. Seu genro e os conselheiros e amigos do mesmo não estavam apenas tentando envolver Jaime numa linha de ação política, que ele não aprovava — a política ativista que se dirigia para os grandes empreendimentos da Boêmia. Estavam também tentando envolvê-lo numa filosofia que ele reprovava. Jaime sentia um temor terrível de qualquer coisa que sugerisse magia; essa era a sua mais arraigada neurose. Condenou Dee, não o receberia e submeteu-o a uma espécie de exílio. E no momento, nos domínios de seu genro, é publicado um imenso trabalho do tipo da filosofia hermética de Dee, a ele consagrado, e tentando com essa dedicatória atraí-lo para aquele ponto de vista, ou causar a impressão de ser favorável ao mesmo. Não é de admirar que o segundo volume da "História do Macrocosmo e do Microcosmo" não tenha sido dedicado a Jaime, e que Fludd parece ter encontrado na Inglaterra dificuldades ocultas para a publicação de suas obras.

Em sua réplica às acusações de ter tido seus livros publicados além dos mares porque continham a magia proibida, Fludd disse que o motivo para publicá-lo fora do país, era porque a firma De Bry proporcionava-lhe melhores ilustrações do que seria possível na Inglaterra. As ilustrações apresentam visualmente os complexos "hieróglifos" da filosofia de Fludd. Os gravadores seguiram exatamente suas instruções, como poderá ser constatado por todos os que estudam cuidadosamente o texto de Fludd em relação às ilustrações. As constantes idas e vindas de mensageiros entre Londres e o Palatinado, mantendo contato com a princesa inglesa em Heidelberg, devem ter facilitado muito o trabalho de um editor do Palatinado ao publicar materiais manuscritos provenientes da Inglaterra.

A Utriusque Cosmi Historia, de Fludd, ou Historia dos Dois Mundos — o Grande Mundo do Macrocosmo e o Pequeno Mundo do Homem, o Microcosmo — representa urna tentativa para alcançar e apresentar com alguma clareza a filosofia baseada no projeto harmonioso do cosmos "e as harmonias correspondentes no homem. As ilustrações gravadas ajudam muito na apresentação desses esquemas cósmicos. Basicamente, o esquema de Fludd é o mesmo daquele formulado no início da Renascença, quando Pico delia Mirándola adicionou o renascimento da Cabala hebraica à restauração da filosofia hermética, estimulado pelo emprego dos textos herméticos, de Ficino, recentemente recuperados. Os volumes de Fludd estão cheios de citações dos textos herméticos na tradução latina de Ficino, e "Mercurius Trismegistus", o suposto autor egípcio daqueles textos, é a autoridade mais respeitada, que ele concilia com a autoridade bíblica, através da interpretação cabalista Ao Gênesis. O esquema cósmico que daí resultou é um no qual Jeová, apresentado na forma do Nome de Deus em hebraico, reina glorioso sobre os esquemas dos círculos concêntricos consistindo em anjos, estrelas, elementos, com o homem no centro. As conexões astrais correm através de todos, e as analogias íntimas entre as harmonias macrocós-micas tornam-se ainda mais próximas do que eram na época de Pico e Ficino, por meio da influência de Paracelso, que tornara essas correspondências mais exatas, através de suas teorias médico-astrais.

O segundo volume de Fludd, sobre o microcosmo, inclui uma parte importante à qual ele chama de "história técnica", ou o estudo das artes e ciências empregadas pelo homem. Estas são baseadas na natureza, a qual por sua vez é baseada nos números. Conforme já mostrei em meu Theatre of the World, a subdivisão de Fludd sobre tecnologia, acompanha de perto o prefácio da matemática de Dee para Euclides, no qual ele reiterava o prosseguimento das ciências matemáticas agrupando-as — conforme fez Vitrúvio — sob a arquitetura, como sendo a rainha das ciências matemáticas.

A "História dos Dois Mundos", de Fludd, é em geral uma apresentação da Magia e Cabala Renascentistas, com o acréscimo da Alquimia, conforme desenvolvida por Paracelso, e dos melhoramentos introduzidos por John Dee nessas tradições. Se os manifestos rosa-crucianos são interpretados como uma ficção, através da qual é apresentado um pedido de reforma baseado nos novos desenvolvimentos da Magia, Cabala e Alquimia introduzidos por Paracelso e John Dee, então pode ser observado que a filosofia de Fludd era realmente "rosa-cruciana", uma filosofia renascentista modernizada, tendo sido diretamente bem recebida como tal, mediante a sua publicação no Palatinado.

O estudo da cultura do Palatinado, sob Frederico V, deve incluir como um de seus mais importantes representantes, Salomon de Caus, o projetista do Hortus Palatinus, o engenhoso arquiteto e mecânico que produziu aquelas maravilhas mago-mecânicas, as quais ajudaram a transmitir uma aura de mistério ao castelo de Heidelberg. De Caus trabalhou dentro da harmoniosa visão do mundo, conforme é demonstrado pelo seu veemente interesse pela música e órgãos combinados com o intenso vitruvianismo, deles derivando a sua mecânica na obra Les raisons des forces motivantes. Exceto pelo Hortus Palatinus, os trabalhos de De Caus não foram publicados pelo editor do Palatinado; esta exceção porém é importante, pois devido ao Hortus Palatinus publicado por De Bry e com gravações feitas por Merian, De Caus ingressa no círculo. Como um praticante tecnólogo e arquiteto de jardins, De Caus proporcionou o ambiente harmonioso para a cultura do Palatinado, em seu trabalho para a corte de Heidelberg.