Na primeira metade do século VII, Constantinopla possuía portanto dois Cristos Capadocianos acheiropoietoi, um na coleção imperial de relíquias, o outro num convento. Mas na época em que o ícone de Melitene chegou à capital, o quadro de Camuliana havia se tornado o paládio principal do império bizantino, e foi frequentemente carregado pelo exército durante as guerras persas. O marechal de campo Philippicus, lutando para o imperador Maurice (582-602), exibiu o acheiropoietos do Cristo de Camuliana diante de suas tropas para elevar o espírito dos soldados. Da mesma forma sob o Imperador Heraclius, o retrato Sagrado de Jesus deu assistência ao exército. Essa posição central do paládio deve ter sido a razão para a interpretação do retrato de Melitene não só como mais uma impressão original, mas como uma cópia do acheiropoietos de Camuliana.
Quando desfilavam em procissões através do campo, exibidos nos festivais religiosos das igrejas, mostrados aos exércitos antes das batalhas, ou trazidos com o propósito da cura ou da salvação, os acheiropoietoi e suas cópias substituíam Jesus e reproduziam seus milagres. As imagens "verdadeiras", multiplicando-se consideravelmente devido à sua facilidade de reprodução (através de um simples toque), representavam um novo tipo de retratação. Eram cópias xerox de Deus fixadas pela sua divindade — e não pela ação humana. A partir desse momento, entretanto, precisamos distinguir entre os acheiropoietoi "idôneos" e suas reproduções artísticas.
Os primeiros eram, supostamente, verdadeiramente miméticos e foram portanto executados aproximadamente no mesmo tamanho e material que o original; os segundos eram mais ou menos (reproduções) exatas dos acheiropoietoi desenhados, pintados, em mosaico, relevo, escultura, tessitura, bordado, etc., e apareciam sob a forma de quadros separados ou inclusos em programas pictóricos. Sempre que uma reprodução artística se constituía numa imagem autônoma, as linhas divisórias entre um acheiropoietos e sua reprodução pictórica tornavam-se facilmente imprecisas e o artefato terminava sendo reverenciado como se fosse "não feito pelas mãos", especialmente quando a reprodução se encontrava num lugar distante, removido de sua localização original. E claro que todo mundo desejava possuir a coisa verdadeira e assim os acheiropoietoi eram fabricados por artesãos espertos e comercializados por negociantes astutos, como hoje em dia as "gravuras originais" — num estúdio do Soho por um Chagall ou um Dali, já falecidos.