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id da página: 4875 Epopeia de Gilgamesh

Epopeia de Gilgamesh


Ouvindo isso, Gilgamesh deu um salto e saiu correndo para as matas à beira do mar, com a espada numa das mãos e o machado na outra. Destroçou os Uns de Pedra com que topou pelo caminho. Encontrou Urshanabi no fundo das matas, sentado, acepilhando a serpente da proa do seu barco, e disse ao barqueiro:

— Mostra-me o caminho para Utnapishtim, que vive para sempre na terra de Dilmun. Se o caminho for possível, ainda que seja sobre as águas da morte, irei até lá, ou continuarei vagando pelo ermo.

Urshanabi ergueu os olhos para ele, olhou longamente o coração do Rei de Uruk. E disse:

— Gilgamesh, tuas próprias mãos dificultaram tua jornada, quando destruíste os Uns de Pedra, que amparavam este barco em sua passagem. Difícil era o caminho antes disso: agora é quase impossível. Os Uns de Pedra me protegiam das águas da morte, impediam que as águas me tocassem. Agora, onde está a minha proteção? Tens que proporcionar-ma. De outro modo, não será possível cruzar o oceano.

Entra nas matas. Com o machado, corta varas de varejar. Corta cento e vinte varas, Gilgamesh, cada qual de sessenta cúbitos 1Edit Plugin:supEdit Plugin:footnote de comprimento. Em seguida, reveste-as de betume e coloca-lhes ponteiras. E quando todas estiverem prontas, traze-as aqui.

Ouvindo isso, Gilgamesh foi diretamente para a floresta cortar varas para varejar: cento e vinte varas cortou, cada qual de sessenta cúbitos de comprimento; pintou-as com betume, ajustou-lhes ponteiras e levou-as para Urshanabi. A seguir, juntos, puseram o barco no mar.

Célere sobre o mar correu o barco do barqueiro; em três dias cobriu a distância de um mês e meio e atingiu as águas da morte, que impedem a passagem para Dilmun. Disse, então, Urshanabi a Gilgamesh:

— Continua a trabalhar, Gilgamesh: pega uma vara e enfia-a no mar, mas não deixes que tuas mãos toquem a água. Gilgamesh, pega a segunda vara e a terceira e a quarta. Gilgamesh, pega a quinta vara, a sexta e a sétima. Agora, Gilgamesh, pega a oitava vara e a nona e a décima. Gilgamesh, pega a undécima vara e a duodécima.

Assim, lentamente, sobre as águas da morte, eles conduziram o barco e, depois que Gilgamesh usou a centésima vigésima vara, ficaram sem varas. O Rei de Uruk despiu-se e ergueu os braços como se fossem mastros, com as peles de animais em suspenso, como se fossem velas. O vento soprou-lhe nas vestes e, lentamente, cruzaram as águas da morte: assim Urshanabi levou Gilgamesh a Dilmun, à praia em que vivia Utnapishtim, que os homens denominam o Distante.