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id da página: 13661 Silburn – Xivaísmo de Caxemira – Tantraloka (Ahnika) Lilian Silburn Abhinavagupta

Silburn Tantra Tantraloka Ahnika

Lilian SilburnXivaísmo de Caxemira – Luzes sobre o Tantra

ABHINAVAGUPTA. La lumière sur les tantras: chapitres 1 à 5 du Tantrāloka. Lilian Silburn; André Padoux. Paris: De Boccard, 1998.

Títulos e Conteúdo dos 37 Capítulos (Ahnika) do Tantraloka
  1. As diversas formas do conhecimento (vijnanabheda): Introdução geral sobre a natureza do conhecimento (jnana) e da ignorância, e sobre a da consciência, e apresentação do sistema dos caminhos (upaya) de realização do Absoluto por absorção ou compenetração (avesha, samavesha) segundo o ensinamento do MVT, em 334 shloka.
  2. A "não-via" (anupaya): Nomeada também gatopaya ("onde todo o caminho desaparece" ou "todo caminho desaparecido"), em 50 shloka.
  3. A via suprema (paropaya) ou via de Sambhu (shambhavopaya): A via de Shiva, em 293 shloka.
  4. A via da energia (shaktopaya) ou via do conhecimento (jnanopaya): Em 278 shloka.
  5. A via do ser humano comum (naropaya): Também chamada anavopaya, via do indivíduo, do ser limitado (o "átomo", anu, espiritual), na qual os ritos e práticas desempenham um grande papel; é, portanto, também chamada kriyopaya, via da ação (ritual, yogica), em 159 shloka.
  6. A via do tempo (kalopaya): Trata do tempo (kala) humano e cósmico e de suas divisões, bem como de sua ligação ao ciclo respiratório, e, a partir disso, da maneira pela qual, por meio do controle yogico da respiração e da mente (associado, aliás, aos fonemas do sânscrito), é possível reabsorver o fluxo temporal e, portanto, escapar ao fluxo do devir, o samsara, em 251 shloka.
  7. O aparecimento (ou surgimento) das rodas (chakrodaya): As rodas de energia, seu papel e uso em conjunção com os mantras e os "sopros" (prana) na busca da liberação, em 71 shloka.
  8. O caminho do espaço (deshadhvan): A cosmologia, os "mundos" (loka), com as divindades que os animam, representando o contexto cósmico no qual o adepto shivaita prossegue sua busca, em 432 shloka.
  9. O caminho e a divisão dos tattva (tattvadhvan e tattvabhedanam): Exposição do sistema do mundo resultante do aparecimento dos tattva, as categorias da manifestação. Estes dois capítulos também tratam da retribuição dos atos, o karman, e da mala, a impureza inerente à natureza humana, das modalidades da consciência (vigília, sonho, etc.), das propriedades das coisas, bem como dos meios corporais e mentais para se encaminhar ao conhecimento libertador, em 314 e 309 shloka.
  10. O caminho dos kala (kaladhvan): Os kala são tanto energias parceladoras e limitadoras, quanto divisões do cosmos produzidas pelo poder divino. Essas kala são descritas, assim como os fonemas e mantras que lhes estão associados, em 118 shloka.
  11. adhvaprayoga: A implementação, visando à liberação, do caminho dos kala por meio de práticas de ordem psicossomática, em 26 shloka.
  12. A queda da energia (shaktipata): A graça divina, cujo papel é fundamental não apenas nos caminhos da liberação, mas também para a iniciação, a diksha. Este capítulo (que também trata dos obstáculos à ação da graça nascidos da mala ou resultantes da ação de diversos poderes de obscurecimento (tirodhana)) faz aparecer a superioridade da via shivaita, tal como descrita pelo TA, sobre os sistemas filosóficos clássicos indianos (o Samkhya, etc.), pois esta é inteiramente submetida à graça divina e iluminada por ela, em 361 shloka.
  13. Introdução à iniciação (dikshopakrama): A vontade divina está na origem tanto do obscurecimento (tirobhava) que acorrenta os seres quanto do conhecimento que os liberta, com a ajuda notadamente da iniciação. É inútil tentar escapar ao samsara pelo suicídio, pois apenas o conhecimento e a graça divina podem conceder a liberação na morte ou durante esta vida, em 46 shloka.
  14. samayadisksha: A iniciação "regular" ou "segundo a regra" (samaya). É o primeiro grau da iniciação, pelo qual se entra na família shivaita como um adepto "regular" (samayin), autorizado a conhecer as Escrituras, a assistir às cerimônias, mas não a executar os ritos. Os ritos da samayadiksha (exame de sonhos, banho ritual, imposição de mantras, purificações, adorações, oblações, etc.), que se realizam em um pavilhão sacrificial, são numerosos, visando a purificar o adepto a ser iniciado e a instaurar nele forças novas, puras e salvadoras. O TA descreve detalhadamente esta iniciação, que pouco difere daquela prescrita pelos agamas; a importância a ela atribuída é evidente pelo fato de este capítulo ser o mais longo do TA, com 611 shloka.
  15. putrakadiksha: A iniciação dos "filhos espirituais" (putraka), chamada também visheshadiksha, iniciação especial, ou ainda nirvanadiksha, iniciação libertadora. É concedida ao samayin e faz dele um putraka, um iniciado verdadeiro, liberado da impureza (mala) e autorizado a cumprir os ritos. O capítulo descreve notadamente o mandala utilizado para a iniciação, os sacrifícios de animais, diversas purificações, variantes do rito, o emprego e a natureza dos mantras, etc., em 311 shloka.
  16. Ritos a serem cumpridos pelo putraka para que ele se identifique a Bhairava: Confecção dos cordões, purificação dos tattva (tattvashuddhi), combustão dos laços (pashadaha), etc., em 122 shloka.
  17. A iniciação abreviada (samkshiptadiksha): Rito de iniciação simplificado, mas que, no entanto, confere àquele que a recebe o estado de Shiva (shivatapattida), mostrando a eficácia reconhecida a este rito, que também é descrito pelos agamas, em 11 shloka.
  18. A iniciação imediatamente libertadora (sadyonirvanadadiksha): Permite àquele que recebeu graça suficiente e que, doente ou idoso, está prestes a deixar seu corpo, unir-se a Shiva logo após sua morte. É também chamada iniciação de Shankara (isto é, de Shiva): shankaradiksha, em 56 shloka.
  19. A iniciação que alivia o iniciado do peso de seus atos (tulashuddhidiksha): Serve para enfraquecer os laços do karman de seu beneficiário, destruindo seu germe. O TA pouco diz sobre isso, remetendo a outros tantras, mas indica que, se esta iniciação for "muito ardente" (sudipta), pode até conceder a liberação às plantas, o que sublinha a eficácia atribuída ao rito, em 16 shloka.
  20. A iniciação dos ausentes (parokshadisksha): Seja para os mortos ou para os vivos. Esta iniciação, que possui várias formas, mais ou menos eficazes, é realizada com a ajuda de uma rede (jala) ritual que se destina a capturar aqueles que estão sendo iniciados, bem como com o mantra navatman, em 61 shloka.
  21. A erradicação das marcas (lingoddhara): Rito complementar da iniciação (chamado diksha por Abhinavagupta) que consiste em remover do iniciado samayin as "marcas" conservadas do período de sua vida anterior à iniciação, em particular aquelas resultantes dos ritos ou observâncias que ele poderia ter cumprido ou seguido. O lingoddhara o purifica de seus pecados e destrói a dúvida (shankaccheda), em 48 shloka.
  22. A consagração (abhisheka ou abhishechana): É a acharyadiksha, a iniciação conferida a um putraka que o transforma em um mestre espiritual, um acharya ou guru. Abhinavagupta não descreve muito o rito em si (que lembra a unção real), mas insiste na ciência e nas qualidades intelectuais e espirituais que um mestre deve possuir. Ele descreve o voto ou observância (vrata) que ele deve seguir após o rito e o que deve saber para destruir a ignorância de seus discípulos e instruí-los na via shivaita. Essas prescrições, ele acrescenta, não concernem aos mestres "gnósticos" (jnanin), ou seja, aqueles que receberam diretamente de Shiva (e não de um rito) a aptidão para ensinar. As duas últimas estrofes do capítulo indicam que os ritos de iniciação do adepto, o sadhaka (a sadhakadiksha ou sadhakabhisheka), são os mesmos que os do acharyabhisheka, mas o sadhaka deve, contudo, receber, além disso, as instruções relativas ao mantra, que ele deve dominar por uma ascese apropriada a fim de utilizá-lo em sua busca pela liberação e/ou (ou melhor) de "fruição" (bhoga), em 103 shloka.
  23. antyeshti: A "última oferenda", ou seja, o rito funerário. É considerado uma iniciação, sendo o ritual o da parokshadisksha descrita no capítulo 21. Esta iniciação funerária tem por efeito purificar o corpo sutil (puryashtaka) do falecido e, portanto, assegurar-lhe um destino póstumo favorável, em 24 shloka.
  24. shraddha: As cerimônias seguintes aos funerais, que se supõe agirem como uma iniciação, destruindo os efeitos da ignorância e auxiliando a obter tanto a fruição de estados beatíficos quanto a liberação (bhogamokshada), em 29 shloka.
  25. As outras ações a serem cumpridas (sheshavritti): Trata-se das regras a serem seguidas e do culto regular a ser realizado em uma área purificada (sthandila) pelo iniciado, em 76 shloka.
  26. O culto do linga (lingapuja ou lingarcha): O culto diário obrigatório do fiel shivaita. São enumeradas diversas sortes de linga, ou seja, de suportes materiais do culto (imagem esculpida ou pintada, linga, etc., sendo o mais apreciado o tura, um crânio incisado), as regras a serem seguidas na execução do culto, as diversas sortes de rosários (akshasutra), assim como variantes do culto, que deve sempre tender à união com a divindade, em 59 shloka.
  27. Os ritos ocasionais (naimittika): Os dias e circunstâncias em que devem ser cumpridos, tratando-se do culto de diversas divindades, de ritos de propiciação, de expiação, ou de homenagem ao mestre (gurupuja), em 434 shloka.
  28. Ritual secreto: Este capítulo é dedicado à descrição de um rito secreto, o kulayaga, sacrifício esotérico do Kula, ou mahayaga, "grande sacrifício", que só pode ser cumprido pelos mestres, ou pelos discípulos mais qualificados, sendo um rito tantrico que envolve uma união sexual com uma parceira iniciada, em 291 shloka.
  29. Enumeração dos principais mantras em uso: Na tradição do Trika, do Kula e do Krama, com Abhinavagupta lembrando que sua natureza essencial (svarupa) é a da tomada de consciência (vimarsha), ou seja, o aspecto da livre consciência e da palavra da Consciência divina, em 123 shloka.
  30. O mandala: Descrição da maneira de traçar o mandala dos tridentes e lótus (trishulabjamandala) segundo cinco tantras shivaitas: Trikasadbhava, Malinivijayottara, Devyayamala, Trishirobhairava e Siddhayogeshvarimata, em 163 shloka.
  31. As mudra: Para Abhinavagupta, são imagens refletidas (pratibimba) das divindades, que representam figurativamente, identificando-se a elas o adepto que as executa e, por isso mesmo, tornando essas divindades presentes a esse adepto. O capítulo descreve várias variantes da principal mudra do Trika, a khecharimudra, postura corporal complexa ao mesmo tempo que atitude mística que identifica o adepto com a divindade assim representada, mas para o ser realizado, qualquer que seja a atitude que ele tome, esta é uma mudra, sendo o restante mera gesticulação, em 67 shloka.
  32. A conjunção (ekikara) das rodas e das energias: No culto e na busca espiritual, onde todas essas forças devem fundir-se em uma só, em 32 shloka.
  33. A entrada do adepto em sua natureza própria (svasvarupapravesha): Aquele que, para atingir o estado de Shiva, penetra cada vez mais na via do ser limitado (anavopaya), repousará no plano próximo de seu ser real, depois, abandonando esse plano limitado, ele alcança o nível da energia portanto, do shaktopaya, e, por fim, pouco a pouco, o da natureza de Sambhu o shambhavopaya. Assim, aquele que participa da natureza de Bhairava, irrigado e fertilizado pelos potentes raios emanados da Consciência divina, chegará finalmente a repousar eternamente em seu próprio Si, transcendendo assim os caminhos da liberação, mas guardando em si toda a diversidade do mundo. É assim que o supremo Senhor descreve a entrada do adepto em seu próprio Si, em 3 shloka e meio.
  34. A reunião das Escrituras (shastramelana): Todas as Escrituras são válidas e úteis em seu domínio e em seu nível próprio, sendo o mais elevado, contudo, o dos tratados shivaitas não dualistas, cuja essência se encontra nos textos do Trika e cujo conhecimento foi transmitido a Abhinavagupta por seu mestre Shambhunatha, em 44 shloka.
  35. A transmissão das Escrituras (shastravasara): Desde sua revelação por Bhairava até os mestres do Trika, cujo ensinamento é descrito no TA, em 15 shloka e meio.
  36. Os tratados que se deve ler: As Escrituras da tradição de Bhairava (bhairavagama), cuja essência se encontra no MVT e cujo ensinamento metafísico foi exposto por Abhinavagupta no Malinivijayavarttika (MVV). É, portanto, esta obra (e o TA) que se deve ler para obter todos os frutos desejados, assim como a liberação nesta vida (jivanmukti). Nas estrofes finais (33 a 85) deste capítulo, Abhinavagupta narra como sua família se estabeleceu na Caxemira, cuja beleza ele celebra, evoca seus pais e seus mestres e relata em que circunstâncias ele compôs o TA, em 85 shloka.
  • Este resumo do TA demonstra a lógica e o sentido da obra, inteiramente orientada para a busca da liberação, para a qual a iniciação abre ritualmente a porta e que técnicas espirituais, mentais e yogicas podem facilitar, mas que, na realidade, não depende desses meios, pois provém acima de tudo da graça divina (com a ajuda do mestre). Daí uma exposição que vai da irrupção irresistível de uma graça totalmente iluminante aos ritos e observâncias, para terminar com a referência às Escrituras shivaitas, sem nunca perder de vista — como recorda o breve capítulo 34 — que é sempre para o mesmo objetivo: o conhecimento da própria essência (svasvarupa) pelo adepto, a identificação com a divindade, ou seja, a liberação, que este, por uma via ou por outra (ou fora de toda via), se encaminha.