Toda coisa é Deus e o sábio vê a Face divina em toda coisa, - sob aspectos aliás muito diferentes, - ou, mais exatamente, "através" de toda coisa. Esta precisão se impõe a fim de que ninguém seja tentado a ver "panteísmo" numa concepção que está tão distante quanto possível. O erro panteísta provém da incapacidade de ver Deus nas aparências, de onde a confusão, em suma ateia ao mesmo tempo que idólatra, entre o mundo e Deus; é dizer que o panteísmo não consiste em nada além do erro de admitir uma identidade "substancial" entre o Princípio e a manifestação, ou de confundir a identidade "essencial" com uma unidade "substancial", o que pressupõe uma concepção "substancial" ou quase "material", portanto radicalmente falsa do Princípio mesmo. A ideia da "existência de Deus", embora tenha uma certa legitimidade do ponto de vista puramente humano para o qual "existência" é sinônimo de "realidade", não é no entanto estranha à gênese da concepção panteísta, neste sentido que a "existência de Deus" é bem uma primeira etapa para a "divindade do que existe". Se parecemos, nós também, atribuir ao criado um aspecto divino, é todavia de uma maneira totalmente diferente e num sentido puramente metafísico que não tem nada de "material" nem de "quantitativo".