Em espiritualidade, mais do que em qualquer outro campo, é importante entender que o caráter de uma pessoa é parte de sua inteligência: sem um bom caráter - um caráter normal e, portanto, nobre - até mesmo a inteligência metafísica é parcialmente inoperante, pela simples razão de que o conhecimento pleno do que está fora de nós exige o conhecimento pleno de nós mesmos. O caráter de uma pessoa é, por um lado, o que ela quer e, por outro, o que ela ama; a vontade e o sentimento são uma extensão da inteligência, são, como a inteligência - que obviamente os penetra -, faculdades de adequação. Conhecer verdadeiramente o Soberano Bem é, ipso facto, por um lado, desejar aquilo que nos aproxima dele e, por outro, amar aquilo que o testemunha. A inteligência que não é acompanhada pelas virtudes dá origem a um conhecimento que é, por assim dizer, planimétrico: é como se nós apenas compreendêssemos o círculo ou o quadrado, mas não a esfera ou o cubo.