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id da página: 4598 Frithjof Schuon Ter um Centro Frithjof Schuon

Schuon Gnose FSTC


É um fato que muitos autores - quase se dirá: a opinião geral - atribuem à gnose o que é próprio ao gnosticismo e a outras falsificações da sophia perennis e, além disso, não fazem nenhuma distinção entre esta e os movimentos mais fantasiosos, como o espiritismo, o teosofismo e os pseudo-esoterismos que surgiram no século XX. É particularmente lamentável que estas confusões sejam levadas a sério pela maioria dos teólogos, que têm evidentemente interesse em ter da gnose a pior opinião possível; ora, o fato de que uma impostura imita forçosamente um bem, sem o que ela não existiria, não saberia autorizar a carregar este bem com todos os pecados da imitação.

Na realidade, a gnose é essencialmente o caminho do intelecto e, portanto, da intelecção; o motor do caminho é antes de tudo a inteligência, não a vontade e o sentimento, como é o caso nas místicas monoteístas semíticas - incluindo o sufismo médio. A gnose se caracteriza por seu recurso à metafísica pura: distinção entre Atma e Maya, e consciência da identidade potencial entre o sujeito humano, jivata, e o Sujeito divino, Paramatma. O caminho comporta por um lado a "compreensão" e por outro, a "concentração"; portanto a doutrina e o método. As modalidades destes são muito diversas; há notadamente, por um lado o mantra, a fórmula evocadora e transformadora, e por outro o yantra, o símbolo visual. O caminho, é a passagem da potencialidade para a virtualidade e desta para a atualidade, cujo cume é o estado do "liberto vivo", do jivan-mukta.

Quanto ao gnosticismo, que ele se produza em clima cristão, muçulmano ou outro, é um tecido de especulações mais ou menos delirantes de origem frequentemente maniqueísta, e é uma mitomania que se caracteriza por uma mistura perigosa de conceitos exotéricos e esotéricos. Sem dúvida, há simbolismos que não carecem de interesse - o contrário seria surpreendente -, mas é dito que "o caminho para o inferno é pavimentado de boas intenções"; poder-se-ia dizer igualmente que ele é pavimentado de simbolismos.

Alguns talvez farão notar que na gnose assim como no gnosticismo, a "iluminação" desempenha um papel preponderante; é confundir a "iluminação" com a intelecção, ou esta com aquela, enquanto que na realidade a intelecção é ativa e a iluminação passiva; qualquer que possa ser o nível destas experiências. Não quer dizer que o fenômeno da iluminação não se produza em clima de gnose, ele se produz forçosamente, mas não a título de método ou de ponto de referência. Uma observação análoga pode ser feita no que diz respeito à hermenêutica, isto é, a interpretação das Escrituras sagradas; sem dúvida, o comentário das Escrituras se pratica em clima de gnose - é óbvio que se explicou os Upanishads -, mas isto é muito diferente da interpretação distante e incontrolável de fórmulas escriturais cujo sentido literal não indica em nada o que os exegetas místicos pretendem tirar delas - a "iluminação" ajudando, precisamente.

É verdade que a palavra "iluminação" pode ter uma significação superior, ela não designa mais então um fenômeno passivo; a iluminação libertadora e unitiva está além da distinção entre a passividade e a atividade. Ou mais exatamente: a iluminação é a Atividade divina em nós, mas por isso mesmo ela possui também um aspecto de suprema Passividade neste sentido que ela coincide com a "extinção" dos elementos passionais e tenebrosos que separam o homem de sua Essência divina imanente; esta extinção constituindo a receptividade ao Influxo do Céu. Sem perder de vista que a Ordem divina comporta uma "Perfeição passiva" assim como uma "Perfeição ativa", e que o espírito humano deve participar em última análise dos dois mistérios.

Em gnose, há em primeiro lugar o conhecimento intelectivo do Absoluto - não do "Deus pessoal" somente - e em seguida o conhecimento de si, pois não se saberia conhecer a Ordem divina sem se conhecer a si mesmo. "Conhece-te a ti mesmo", diz a inscrição no portal do templo iniciático de Delfos; e "o Reino de Deus está dentro de vós".

Da mesma forma que o eter está presente em cada um dos elementos sensíveis, como o fogo e a água, e da mesma forma que a inteligência está presente em cada uma das faculdades mentais, como a imaginação e a memória, da mesma forma a gnose está necessariamente presente em cada uma das grandes religiões, quer se apreenda seus traços ou não.

O motor do caminho de gnose, foi dito, é a inteligência; ora, está-se longe de que este princípio seja aplicável em uma sociedade espiritual - a menos que ela seja pouco numerosa - pois, em geral, a inteligência é largamente inoperante a partir do momento em que se lhe pede para manter em equilíbrio uma coletividade; com toda justiça, não se pode negar à moral sentimental e humilitarista um certo realismo e, portanto, uma eficácia correspondente. Resulta de tudo isso, não que a gnose deva renegar socialmente seu princípio de primazia da inteligência, mas que ela deva colocar cada coisa em seu lugar e tomar os homens como eles são; é por isso precisamente que a perspectiva de gnose será a primeira a insistir, não em um moralismo simplificador, mas na virtude intrínseca, a qual - como a beleza - é "o esplendor do verdadeiro". A inteligência deve ser não somente objetiva e conceitual, mas também subjetiva e existencial; a unicidade do objeto exige a totalidade do sujeito.