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id da página: 5888 Schuon – Forma e substância nas religiões – Atma-Maya Frithjof Schuon

Schuon Atma Maya

''SCHUON, Frithjof. Forme et substance dans les religions. Paris: Dervy-Livres, 1975"

  • A substância do conhecimento é o Conhecimento da Substância, e a função mais real da inteligência humana é a percepção da Substância divina.

    • A natureza fundamental da inteligência humana consiste no discernimento entre o substancial e o acidental, e não na percepção exclusiva deste último.
    • A percepção do acidente pela inteligência opera em função da substância correspondente, tal como quem vê a gota vê também a água.
    • A inteligência deve, com maior razão, perceber o acidental em função da Substância em si.
  • O prolongamento ontológico da Substância divina, que é a Existência, a Relatividade manifesta ou a Maya cósmica.

    • A Substância absoluta, ao se relativizar, prolonga-se nos aspectos de Raio e de Reverberação.
      • O Raio constitui uma emanação dinâmica, contínua e radiante.
      • A Reverberação constitui uma emanação estática, descontínua e formativa.
    • A existência do mundo depende necessariamente do Raio e da Reverberação, que prolongam e relativizam a Substância.
  • A projeção de Deus exige um elemento diversificador, exteriorizador ou relativizador, que é Maya.

    • Maya é o princípio que permite explicar que a Substância não permaneça exclusivamente como um "tesouro oculto".
    • A natureza de Maya pode ser especificada por termos como Relatividade, Contingência, Separabilidade, Objetivação, Distintividade, Exteriorização.
    • O termo Revelação também pode aplicar-se a Maya num sentido fundamental e geral.
  • A presença da Substância em tudo o que existe como condição de possibilidade da existência.

    • As coisas existem porque se realizam em virtude da "Existência" no seu sentido supremo.
    • Esta "Existência" ou Relatividade resulta da Substância em virtude da sua Infinidade.
    • A Realidade divina implica a dimensão paradoxal de uma tendência para um nada que nunca é atingido.
      • Este nada não possui realidade própria, servindo apenas como ponto de referência, em si mesmo, inapreensível e irrealizável.
  • A primeira dualidade ontológica entre a Substância e a Relatividade ou Maya.

    • Maya, estando principialmente na Substância mas efetivamente aquém da sua Realidade absoluta, comporta os aspectos de Raio e de Reverberação.
    • É em e por Maya que se realizam o "Espírito Santo" e o "Filho".
    • A representação geométrica da processão divina.
      • A Substância corresponde ao centro.
      • O Raio corresponde ao feixe de raios.
      • A Reverberação ou a Imagem corresponde ao círculo.
      • A Existência ou a "Virgem" corresponde à superfície que permite este desdobramento.

  • A natureza e as funções essenciais da Maya divina, que é simultaneamente metacosmica e cósmica.

    • A função primordial de separação ou desdobramento, que tem por objetivo a produção de um plano de manifestação.
      • Esta função inicia-se com a cisão em sujeito e objeto.
      • O seu propósito é estabelecer um plano para as funções consecutivas do Raio e da Reverberação.
      • Ao Raio e à Reverberação correspondem, respectivamente, o movimento e a forma.
    • O processo de projeção e segmentação da Relatividade através de diferentes planos da existência.
      • Assim como a Relatividade constitui, em Deus, um plano de atualização do Raio e da Reverberação como princípios, ela projeta um plano eminentemente mais relativo: o Cosmos total.
      • A Relatividade repete, no interior deste Cosmos, o mesmo processo de segmentação, descendo até ao ponto morto que é o mundo material.
      • Em cada plano projetado – mundo angélico, mundo anímico, mundo material – manifesta-se um modo apropriado de Raio e de Reverberação.
    • A presença universal dos elementos de Raio, Reverberação e Substância em todos os níveis da realidade.
      • Não existe ordem de Relatividade que não comporte estas duas funções ou dimensões.
      • O elemento Substância está representado em cada nível ontológico ou cósmico de modo apropriado.
      • A Substância pura ou a Substância em Si é subjacente a cada uma das suas manifestações secundárias.
  • A aplicação do simbolismo metafísico ao mundo material.

    • A correspondência dos princípios cósmicos com os elementos do plano físico.
      • Maya será o plano espaço-tempo.
      • A Substância será o éter.
      • A Reverberação ou a Imagem será a matéria.
      • O Raio será a energia.
    • A existência de aplicações mais restritas do mesmo simbolismo, uma vez que toda a matéria, forma e movimento se referem, respectivamente, aos três princípios.
  • A dualidade espaço-tempo como expressão de duas dimensões da Relatividade.

    • A complementaridade "espaço-tempo" ou "extensão-duração" concreta indica duas dimensões na Relatividade ou Existência como tal.
      • Uma dimensão é expansiva e conservadora.
      • A outra dimensão é transformadora e destrutiva.
    • Desta dualidade origina-se a complementaridade entre os mundos e os ciclos em todos os escalões do Universo.
  • As duas faces de Maya em Deus.

    • O elemento "Espaço" é Maya enquanto contém ou conserva as possibilidades.
    • O elemento "Tempo" é Maya enquanto transmite as possibilidades ao mundo.
    • A distinção qualitativa entre estas duas funções divinas.
      • A primeira face é intrínseca e contemplativa, pois "contempla o enraizamento indiferenciado das possibilidades na Substância".
      • A segunda face é extrínseca e criativa, pois "realiza estas possibilidades em vista da sua manifestação cósmica".

  • A operação da Relatividade através de uma sucessão de planos hierárquicos e a sua incomensurabilidade.

    • A Relatividade opera essencialmente através de uma sucessão de planos, donde resulta a hierarquia das ordens universais.
    • Estes planos ou graus são incomensuráveis, e sê-lo-ão na medida em que se encontram próximos da Substância.
    • A ausência de medida comum entre o mundo material e o mundo anímico que o envolve e penetra, cujas possibilidades imensamente superam as do espaço e da matéria.
    • A confrontação entre a criação e o Criador revela uma desproporção que se torna quase absoluta.
      • Esta desproporção é dita "quase" absoluta porque, falando metafisicamente e não teologicamente, estes dois planos permanecem solidários pelo seu aspecto de Relatividade, ou seja, pela sua determinação através de Maya.
    • O aniquilamento de Maya perante a Substância absoluta e a limitação da perspectiva teológica.
      • Maya aniquila-se, por sua vez, perante a Substância absoluta, ou seja, perante o Absoluto sem qualificação.
      • Esta forma de ver escapa forçosamente à perspectiva teológica, a qual, por definição, deve considerar o Princípio divino apenas em relação ao mundo e, mais particularmente, em relação ao homem.
      • É esta mesma perspectiva, e a realidade a que ela se refere, que permitiu o uso da noção paradoxal de um "relativamente absoluto", expressão inevitavelmente dissonante, mas metafisicamente útil.
  • A crítica a dois erros teológicos surgidos em clima monoteísta sobre a natureza do poder e da liberdade divinas.

    • O primeiro erro: a concepção de uma Liberdade divina capaz, graças à sua absolutiude, de não criar o mundo ou de o criar sem qualquer necessidade interna.
    • O segundo erro: a concepção asharita de um Poder divino capaz, também graças ao seu carácter absoluto, de punir os justes e recompensar os malfeitores, "se Deus o quisesse".
    • A refutação metafísica baseada na complementaridade dos atributos divinos.
      • No primeiro caso, esquece-se que a Necessidade – não a coação – é uma qualidade complementar da Liberdade.
      • No segundo caso, esquece-se que a Bondade, e portanto também a Justiça – não a impotência nem a subordinação – é uma qualidade complementar da Onipotência.
  • A elucidação da natureza da necessidade divina e da sua relação com a perfeição.

    • A necessidade, para o homem virtuoso, de praticar as virtudes não é uma coação.
    • A aplicação deste princípio a Deus: se Deus "deve" fazer o que resulta da sua Perfeição e não "pode" fazer o que é contrário a ela, isso não é por falta de liberdade ou de poder.
      • Exemplos do que Deus não pode fazer: abster-se da criação ou punir os inocentes.
    • As implicações da Bondade e da Liberdade divinas.
      • A Bondade de Deus implica que Ele pode estar acima, mas não abaixo da sua Justiça.
      • A sua Liberdade implica que pode criar tudo, mas não que possa não criar de todo.
    • A localização da transcendência de Deus em relação à criação.
      • A sua transcendência em relação à criação reside na sua Substância indiferenciada, perante a qual não há criação nem qualidades que a ela digam respeito.

  • A origem e a natureza do mal nos domínios da existência formal.

    • A ausência do mal no mundo celeste, onde não há lugar para manifestações privativas ou "existenciações do nada".
    • O mal, enquanto tal, inicia-se apenas a partir do mundo anímico e estende-se até ao mundo material, sendo próprio do domínio da forma e da mudança.
    • A proveniência do mal do afastamento que separa o mundo formal do Princípio informal.
      • A forma comporta, pela sua própria natureza, o perigo de separação e oposição em relação ao Princípio ou à Substância.
      • Quando este perigo se atualiza, o elemento Raio, tornado ilusoriamente autônomo, afasta de Deus, e o elemento Imagem, divinizando-se a si mesmo, torna-se ídolo.
    • A forma como sinônimo de individuação e a sua tendência intrínseca para o desvio.
      • O indivíduo tende a buscar o seu fim em si mesmo, na sua própria acidentalidade e não no seu princípio, não no seu Si mesmo.
    • A consequência do desvio ontológico: a presença de formas privativas, falsas, e portanto feias ou viciosas, nos planos psíquico e físico.
      • A feiura é o resgate da revolta ontológica.
    • A definição metafísica do mal.
      • A tendência para o mal é o Raio desviado e invertido.
      • A forma do mal é a Imagem falsificada e, por sua vez, invertida.
      • Esta realidade é Satã e, consequentemente, o vício ou o pecado em todos os planos, e não apenas no plano moral.
  • A natureza ambígua da Maya formal e a sua relação com o nada.

    • A Maya formal, que não é angélica e muito menos divina, exerce uma magia coagulante, separativa e individualizante, e por isso eventualmente subversiva.
    • A causa desta subversão reside no fato de ela se ter afastado demasiado do Princípio ou da Substância, tendo ido demasiado ao encontro do nada.
      • O nada, porém, não é uma realidade concreta, mas apenas um sinal ou uma direção.
    • O nada como a única charada metafísica.
      • O nada não é nada e, no entanto, pode-se pensar nele e mesmo tender para ele.
      • O nada é como o "pecado de Maya", e este pecado confere a Maya uma ambiguidade que evoca o mistério "Eva-Maria", ou o "Eterno Feminino" simultaneamente sedutor e salvador.
  • A resolução da ambiguidade de Maya na perspectiva da totalidade e da sua origem divina.

    • Esta ambiguidade, que é muito relativa e longe de ser simétrica, não pode macular Maya.
    • A afirmação da beleza e pureza essenciais de Maya, ilustrada pelas palavras do Cântico dos Cânticos: "Eu sou negra, mas sou bela", e também: "És toda bela, minha amiga, não tens defeito algum".
    • A glorificação de Maria como símbolo da redenção da ambiguidade.
      • A glória de Maria apaga totalmente o pecado de Eva, o que significa que, perante a extensão total da Existência, e sobretudo perante o seu Cume divino, não há mais ambiguidade, e o mal não é.
    • A pureza eterna da Existência universal.
      • A Existência universal, cuja função é um jogo inumerável de velamentos e desvelamentos, é eternamente virgem e pura, ao mesmo tempo que é a mãe de todas as reverberações da Substância una.

  • A simbologia do sinal da cruz católico e a sua relação com um ternário e um quaternário.

    • O sinal da cruz superpõe um ternário a um quaternário, pois o seu conteúdo é a Trindade, mas o signo mesmo compreende quatro estações.
    • A quarta estação do sinal coincide com a palavra "Amém", a qual pode ser interpretada de dois modos principais.
      • Pode-se considerar que o "Amém" representa a oração da Igreja, portanto o corpo místico de Cristo enquanto prolongamento de Deus.
      • Pode-se sustentar igualmente que esta quarta estação do signo corresponde à Santíssima Virgem enquanto Esposa do Espírito Santo e Co-Redentora, ou seja, em última análise, enquanto Maya simultaneamente humana e divina.
    • O "Amém" em si mesmo significa o "Fiat" de Maria.
  • O simbolismo da cor negra da bem-amada e a natureza impessoal da Relatividade.

    • A cor negra da bem-amada no Cântico dos Cânticos e em muitas imagens da Santíssima Virgem representa menos a ambiguidade, muito relativa, da Existência do que o seu "apagamento".
    • A impossibilidade de personificar a Relatividade na Trindade, uma vez que ela constitui, de certo modo, o espaço das personificações.
    • A analogia cósmica: no Universo, Maya não é o Raio nem a Imagem, mas o princípio de projeção ou o continente.
      • Na Terra, percebem-se as coisas e as mudanças, mas não se percebe diretamente o espaço e o tempo.
    • A hipóstase de Maria como condição para as suas funções salvíficas.
      • Se Maria não fosse uma espécie de hipóstase, não poderia ser "Esposa" do Deus-Raio nem "Mãe" do Deus-Imagem.
  • A hipostasiação do "Amém" e a identificação de Maya com o Amor criador.

    • A palavra final "Amém" é hipostasiada pela própria simetria da fórmula e do signo que a veicula.
    • A Maya cósmica identifica-se metafisicamente com a Palavra criadora "Seja", portanto com o Ato criador.
      • Ela é a efetuação deste Ato e, consequentemente, o seu prolongamento hipostático.
    • A relação entre Maya e o Amor divino.
      • Sendo que "Deus é Amor" e "criou o mundo por Amor", Ele é Amor na sua bipolarização em Raio e Imagem – em função de Maya – e criou o mundo por Amor, portanto por Maya.
      • Maya é o Amor projetando-se na noite do nada, ou projetando-se ilusoriamente "fora de Deus" a fim de englobar, de certo modo, até o nada na divina Realidade.
  • A polaridade do Amor em Bondade e Beleza e o fenômeno do mal.

    • O Amor, seja em Deus ou no Universo, comporta os polos da Bondade e da Beleza.
      • A Beleza concerne a Forma, a Imagem, a Reverberação.
      • A Bondade concerne a Energia, o Ato, o Raio.
    • Todos os fenômenos cósmicos derivam desta polaridade, seja direta ou indiretamente, positiva ou negativamente, de modo comunicativo ou privativo.
    • O papel da Maya divina face aos fenômenos privativos.
      • Não é a Maya divina que produz diretamente os fenômenos privativos; "ela chora por detrás do seu véu".
      • Ela chora por essas fissuras que são os diversos modos do mal ou do absurdo, mas não pode evitá-los, pois o raio criador implica, em última instância e no seu ínfimo limite, o afastamento subversivo e corruptor.
    • A compensação do mal pela Divindade vitoriosa da Existência.
      • O mal é o resgate da Relatividade ou da Existência, mas esta compensa-o de antemão pela sua vitoriosa Divindade.
      • Eva é infinitamente perdoada e vitoriosa em Maria.
  • A tradição muçulmana sobre Eva e Maria e a dupla condição de Eva.

    • Segundo uma tradição muçulmana, Eva perdeu a sua beleza após a expulsão do Paraíso, enquanto Maria personifica a própria beleza, conforme atesta o Alcorão: "E seu Senhor... a fez crescer com belo crescimento".
    • A aplicação do simbolismo da ambiguidade de Maya a Eva, independentemente da complementaridade Eva-Maria.
      • Discernem-se em Eva, por um lado, duas taras: o pecado e a perda da beleza.
      • Discernem-se, por outro lado, duas glórias: a reintegração na Perfeição e a beleza incorruptível que esta glória confere aos eleitos.

  • O fundamento do problema cosmológico e a sequência necessária da manifestação.

    • O cerne do problema cosmológico reside no seguinte desdobramento: a infinitude da Substância divina exige e produz a Relatividade ou a Existência.
    • A Relatividade, por sua vez, exige ou produz, ou implica por definição, a Manifestação cósmica.
    • Esta mesma Relatividade implica ou acarreta consigo o mistério do afastamento e, incidentemente, o mal, visto que somente Deus é o Bem absoluto.
      • Por outras palavras, a negação aparente deste Bem não pode deixar de produzir-se num certo plano, dado que a Possibilidade divina não conhece limites.
    • A natureza relativa e absorvida do mal.
      • O mal, se é real nos seus limites – que são, contudo, metafisicamente ilusórios –, não é mais do que um fragmento de um Bem maior, que o compensa e de certo modo o absorve.
      • No seu próprio centro existencial, que ultrapassa a sua acidentalidade, o mal cessa de ser, ressurge numa substância sempre pura, e nesta, ele nunca existiu.
  • A objetividade do Bem e a refutação do relativismo moral.

    • Deus é o Bem absoluto que quer o Bem relativo, ou seja, a relatividade concomitante do seu próprio Bem, sendo o resgate deste Bem relativo o mal.
    • A refutação do argumento de que o "bem" é apenas uma noção moral e uma mera questão de apreciação humana.
      • Em primeiro lugar, o Bem é uma realidade universal, da qual o bem moral é uma aplicação entre outras.
      • Em segundo lugar, afirmar que uma coisa é uma questão de apreciação humana só faz sentido se não se esquecer que o homem, como tal, está predisposto por definição à apreciação adequada das coisas.
    • A relação entre o homem e o Bem.
      • As noções inerentes ao homem são forçosamente verdadeiras; apenas o indivíduo, ao aplicá-las mal, pode enganar-se.
      • O facto de o sentimento encontrar a sua satisfação na noção de bem não pode provar que esta noção seja inadequada, desprovida de sentido ou criada apenas pelo desejo.
      • "O Bem não é um valor porque o homem o ama, mas o homem ama o Bem porque ele é um valor".
      • A noção de bem é atribuída a um valor não porque é amada pelo homem, mas porque é objetivamente amável em virtude das suas qualidades diretas ou indiretas de verdade e de felicidade.
      • Nem a Verdade nem a Beatitude foram inventadas pelo homem, e o facto de o homem tender para elas intelectualmente, volitivamente ou sentimentalmente não lhes remove qualquer realidade objetiva.
  • A aceitação humana da fatalidade do mal e a vocação libertadora do homem.

    • Sendo o mal o resgate do Bem relativo, é absurdo da parte do homem aceitar e desejar o Bem relativo sem aceitar ao mesmo tempo, não o mal sob tal ou qual forma, mas a fatalidade do mal.
    • Toda a pessoa, por definição, aceita e deseja o Bem relativo sob alguma forma, devendo, portanto, aceitar o fenômeno do mal como base para uma superação final.
    • A plena realização do ser humano.
      • Ser plenamente homem consiste, por um lado, em registrar e aceitar a inelutabilidade do absurdo e, por outro, em libertar-se do absurdo pelo discernimento entre o acidente e a Substância.
      • Este discernimento vitorioso é precisamente a vocação mesma do ser humano.
    • A libertação da Maya terrestre através do homem.
      • A Maya terrestre liberta-se a si mesma por meio do homem, sendo que cada libertação particular é algo de absoluto e realiza, sob um certo ângulo de visão, a Libertação em si.
  • A Substância como Bem supremo e a sua tendência comunicativa como explicação para Maya.

    • A Substância não é apenas a Realidade suprema, mas, sendo esta, é também o Bem supremo.
    • A tendência ontológica do bem para se comunicar fornece uma explicação.
      • Explica não apenas a Relatividade hipostática – ou a "Ex-sistência" –, radiante e reverberante no próprio Deus.
      • Explica também a existência cósmica, por definição também radiante e reverberante, mas "fora de Deus".
    • A consequente bondade e natureza divina de Maya.
      • Deste modo, Maya não é apenas "ilusão", como querem os Advaitins, mas também concomitância necessária da Bondade inerente ao Real absoluto.
      • Por outras palavras, se a Substância é boa, ela deve projetar Maya; e se Deus é bom, Ele deve criar o mundo.
      • Desta causalidade resulta que Maya é boa; se não fosse boa, não teria qualquer lugar em Deus e não poderia proceder d'Ele.
      • E se Maya é boa, é porque, de uma maneira misteriosa mas não inapreensível, ela "não é outra senão Deus".
  • A metáfora da respiração de Atma para descrever a relação entre o Princípio absoluto e Maya.

    • Maya é o sopro de Atma: Atma "respira" por Maya.
    • A natureza desta respiração.
      • Esta respiração – para além das suas prefigurações internas ou substanciais – é extrínseca, à maneira da respiração terrestre, onde a relação se estabelece entre o interior, o corpo vivo, e o exterior, o ar ambiente.
    • O ciclo cósmico universal.
      • O Universo procede de Deus e retorna a Ele: estes são os ciclos cósmicos, próprios tanto do microcosmo como do macrocosmo.
    • A identidade última entre Maya e a Infinitude divina.
      • Maya é o ar que Atma respira, e este ar é uma qualidade da sua própria Infinitude.