PIC DE LA MIRANDOLE, Jean. Neuf cents conclusions philosophiques, cabalistiques et théologiques. Tradução: Bertrand Schefer. 4e éd ed. Paris: Éditions Allia, 2017
Cinquenta e cinco conclusões segundo Proclo.
1. O que está nos seres inteligíveis é limite e infinito, nos seres intelectivos masculino e feminino, nos seres supramundanos identidade e alteridade, similitude e dissimilitude, na alma circulação do Mesmo e circulação do Outro.
2. Os deuses que mantêm e que aperfeiçoam são isentos das leis de Saturno; os deuses saturninos são isentos das leis de Júpiter. Toda alma que vive segundo o intelecto é isenta das leis da Fatalidade. Mas todos os seres obedecem à lei de Adrasteia.
3. A denominação de Deus, tomada absolutamente e simplesmente, convém ao Um, que é o Deus dos deuses; tomada simplesmente e não absolutamente, convém a cada ser supersubstancial segundo sua essência, a cada ser intelectivo segundo sua participação nas almas divinas, segundo seu contato e sua conjunção com os demônios, e enfim segundo sua semelhança com as almas humanas.
4. A propriedade de manter é aquela da ordem intermediária da segunda trindade chamada “circuito celeste” no Fedro.
5. Nos seres inteligíveis, não há número, mas a multiplicidade e a causa paternal e material dos números; nos seres intelectivos, há o número segundo a essência e a multiplicidade de uma maneira comunicativa.
6. A mesma coisa é chamada “alteridade” no Parmênides e “lugar supraceleste” no Fedro.
7. Devem-se compreender os termos “um” e “vários”, “tudo” e “partes”, “finito” e “infinito”, dos quais se trata no Parmênides, segundo a ordem da trindade inteligível e intelectiva, e segundo a divisão trinitária desta mesma ordem.
8. O que é chamado “o dorso da abóbada celeste” no Fedro chama-se “o Um” no Parmênides, porque lá onde há a profundidade do céu, lá está o todo, e lá onde se encontra o eixo do céu, lá está o limite.
9. Platão exprime a terceira ordem da segunda trindade por três termos: “os extremos”, “o perfeito” e “segundo a figura”.
10. Os deuses intelectivos tiram as unidades do Um primeiro, as realidades substanciais dos inteligíveis, as vidas divinas perfeitas que mantêm e engendram, dos inteligíveis e intelectivos, e enfim tiram sua propriedade intelectual de si mesmos.
11. Do mesmo modo que os deuses inteligíveis produzem uniformemente todas as coisas, os deuses inteligíveis e intelectivos produzem todas as coisas de maneira trinitária, e os deuses intelectivos de maneira hebdomádica.
12. Entre os deuses “paternais”, Saturno e Júpiter, dos quais é cercada, Reia é necessariamente intermediária por sua propriedade de vida fecunda.
13. A segunda trindade da hebdômada intelectiva é a trindade dos Curetes, que a teologia chama os “deuses sem mácula”.
14. O próprio dos Curetes é tornar imaculada a obra da trindade paternal, a permanência do primeiro, a cessão do segundo, a iluminação do terceiro.
15. Pelos “massacres dos deuses”, os teólogos designam sob uma forma trágica a sétima unidade que mantém separada a hebdômada intelectiva.
16. A mesma divindade chamada Reia, que coexiste com Saturno em seu ápice, é chamada Ceres quando produz Júpiter e, com Júpiter, as ordens inteiras e parciais dos deuses.
17. Embora, como ensina a teologia, as hierarquias divinas sejam distintas, deve-se no entanto compreender: que estão todas em todas segundo seus modos particulares.
18. Do mesmo modo que a propriedade paternal só está nos deuses inteligíveis, a propriedade construtiva, ou operativa só está nos deuses novos, onde é ao mesmo tempo paternal e construtiva: construtiva nos modelos inteligíveis, paternal nas obras.
19. Todas as operações dos deuses ou da natureza são duplas, imanentes e transitivas; pelas operações imanentes cada realidade se mantém ela mesma assim como suas próprias razões internas, e pelas operações transitivas converte-se para o exterior.
20. A ordem da hebdômada intelectiva é imediatamente seguida pela ordem dos deuses supramundanos, que não estão nem ligados às partes do universo, nem coordenados com este mundo, mas o abraçam de toda parte segundo a causa.
21. O próprio dos deuses supramundanos é assimilar e transmitir aos seres a simpatia e a comunhão recíproca que detêm de sua mútua semelhança.
22. Se a propriedade assimilativa, da qual se tratou na conclusão precedente, é o próprio dos deuses-chefes, é contudo o próprio da ordem intermediária desta trindade que se liga imediatamente segundo a substância aos deuses intelectivos na primeira ordem e se mistura aos segundos gêneros na terceira ordem.
23. O Júpiter do qual se trata no Górgias não é aquele que, entre os deuses intelectivos, é o terceiro fundador universal, mas aquele que é o supremo e o primeiro dentre os deuses-chefes.
24. Na trindade dos deuses-chefes, Júpiter dá a substância, Netuno a vida, Plutão a conversão.
25. Há uma quádrupla construção: a primeira aperfeiçoa os universais dos universais em totalidade, a segunda aperfeiçoa também os universais, mas de uma maneira particular, a terceira segundo as divisões que seguem a universalidade, e a quarta, segundo a particularidade, liga as partes aos universais.
26. Júpiter, Netuno e Plutão, ao repartirem o reino de Saturno, não herdam senão por intermédio do fundador Júpiter.
27. Sob o primeiro deus da trindade dos deuses-chefes há o ser substancial, toda alma nobre que não é submetida à geração, o primeiro móvel, o fogo, a parte superior do ar, o que cresce sobre a terra e a parte oriental.
28. Sob o segundo deus da trindade dos deuses-chefes, há a vida e a geração, toda alma submetida à geração, as esferas errantes, as águas e a parte inferior do ar, os minerais contidos nas grutas, os tremores de terra, a parte intermediária da terra e o que está em torno do centro.
29. Sob o terceiro deus da mesma ordem, há a conversão das divisões segundo as espécies, a purificação das almas, as esferas das realidades ativas e passivas, a Terra com as coisas terrestres, o que está em torno do Tártaro e a parte ocidental.
30. Embora toda a segunda trindade dos deuses supramundanos seja chamada Prosérpina, sua primeira unidade é contudo chamada entre os gregos Diana, a segunda Perséfone e a terceira Minerva; mas entre os bárbaros a primeira é chamada Hécate, a segunda “alma” e a terceira “virtude”.
31. Segundo a conclusão precedente, pode-se expor no espírito de Proclo um dos oráculos de Zoroastro tal como se o lê entre os gregos, embora seja lido e interpretado diferentemente entre os caldeus.
32. Chama-se a terceira trindade dos deuses supramundanos Apolo, e é a propriedade convertiva que lhe convém.
33. As trindades protetora e conservadora assistem de cada lado a trindade de Prosérpina.
34. Os doze deuses dos quais se trata no Fedro são deuses intermediários entre os deuses supramundanos e os deuses do mundo e são seu elo.
35. Os deuses dos quais se trata no Fedro distinguem-se em quatro trindades: obreira, protetora, vivificante e conservadora.
36. Há quatro tropas de jovens deuses. A primeira habita entre o primeiro céu e o ar superior, a segunda entre este último e a parte intermediária do ar, a terceira entre esta última e a Terra.
37. A cada uma delas corresponde respectivamente uma quádrupla tropa de anjos, de demônios e de almas.
38. No vivo por si aparece em primeiro lugar a trindade: um que é, um sendo, ser unitário.
39. O Obreiro, ao olhar para a quaternidade do ser animado por si, constrói as quatro partes principais do mundo.
40. Quando o Obreiro olha o modelo da forma do Um no vivo por si, produz a primeira parte do corpo do mundo.
41. Ao olhar o Um do Um essencial na forma do Um, o Obreiro produz os deuses do mundo desta parte; ao olhar o ser do Um essencial, produz os anjos na mesma parte; ao olhar o Um do ser unitário, produz nela os demônios; e ao olhar o ser do ser unitário produz nela os seres vivos.
42. O Obreiro produz as outras partes proporcionalmente aos modelos de suas próprias formas, como se disse do primeiro, e não convém explicá-lo, pois quem conhece o método da analogia, poderá ele mesmo deduzi-lo.
43. Eleva-se à sabedoria, à beleza e à bondade do Senhor pelo intelecto, o amor e a fé.
44. Do mesmo modo que a fé que é apenas credulidade é inferior à ciência, a fé que é uma fé verdadeira, unindo-nos imediatamente a Deus, é supersubstancialmente superior à ciência e ao intelecto.
45. Do mesmo modo que a alma participa, não de todo corpo, mas do corpo perfeito, do mesmo modo, não é toda alma, mas somente a alma perfeita que participa do intelecto; todas, contudo, participam do Um.
46. O vivo, o intelecto, a vida, o ser e o Um sucedem-se nesta ordem segundo o circuito da causalidade, como segundo a sublimidade da natureza e do grau.
47. Toda ordem intermediária permanece de forma estável naquele que a precede e estabiliza nele aquele que a segue.
48. Do mesmo modo que o próprio da primeira trindade após a unidade é ordenar todas as coisas segundo o inteligível e a forma finita, do mesmo modo o próprio da segunda trindade é ordenar verdadeiramente todas as coisas segundo a vida e a forma infinita. O próprio da terceira é ordenar tudo segundo a propriedade do misto e a forma da beleza.
49. A primeira trindade faz apenas permanecer, a segunda trindade permanece e procede, a terceira converte-se após a processão.
50. A eternidade está acima do ser animado por si na segunda trindade intermediária.
51. Do mesmo modo que as realidades inteligíveis são causas de todas as séries, do mesmo modo as realidades intelectivas são causas das divisões segundo os gêneros comuns; as supramundanas das diferenças segundo a espécie, e aquelas do mundo das diferenças segundo os indivíduos.
52. Por “lugar supraceleste”, deve-se compreender o que, na segunda trindade, é mais inteligível que intelectivo; por “concavidade subceleste” o que é mais intelectivo que inteligível; por “céu” o que participa igualmente dos dois.
53. Tudo o que o Fedro declara positivamente do “lugar supraceleste” não é afirmado absolutamente enquanto é o primeiro, mas enquanto é precedido pelos gêneros superiores dos quais participa. Tudo o que o Fedro afirma negativamente a este respeito é afirmado analogicamente do primeiro Bem, que é a cabeça absoluta de tudo, e não de tal ou qual ordem determinada.
54. A ambrosia é análoga ao limite e o néctar ao infinito.
55. Do mesmo modo que o intelecto perfeito deve ser procurado junto aos deuses inteligíveis, a virtude elevadora deve sê-lo junto aos deuses intelectivos, a operação absoluta e separada da matéria junto aos deuses supramundanos, a vida alada junto aos deuses do mundo, a expressão verdadeira das realidades divinas junto aos coros angélicos, e a plenitude da aspiração que vem dos deuses deve ser procurada junto aos bons demônios.