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id da página: 4163 Nascimento ao Espírito

Nascimento ao Espírito

Leo Schaya — Nascimento ao Espírito

Nascimento ao Espírito

Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. (Jo 3:1-8)

  • Em todas as religiões autênticas distingue-se o “nascimento do alto” co “nascimento de baixo”, o nascimento espiritual do homem de seu nascimento corporal.

  • Nascer do Espírito, é nascer ao Espírito: ligação formal do homem ao Princípio transcendente de onde veio a “Deus que é Espírito” e que também é a finalidade do ser humano, como de todos os seres e de todas as coisas.
    • A religio sendo precisamente o que “recolhe de novo” (relegere) o homem em Deus ou que o “recolhe de novo” (relegere) com Ele, após sua parente separação de Ele, devida não somente ao seu nascimento corporal, a seus estado de criatura.

  • Antes de sua criação o ser humano não era nada mas essência incriada (ageneton), oculta na Essência divina, unida eternamente a Ela.

  • Quando o Cristo diz a Nicodemo que é preciso “renascer da água e do espírito”, ele responde a um dos doutores de Israel, logo a um homem que não somente associado a uma religião, mas profundamente enraizado nela, sem no entanto em ter realizado as implicações espirituais decisivas. Neste caso, “nascer da água e do espírito” significa o nascimento espiritual efetivo, sobre a base de uma associação formal ao Divino pelo batismo.

  • Este nascimento espiritual do cristão no pleno sentido do termo é prefigurado e operado eternamente pelo engendramento do Filho in divinis.
    • Prefigurado na exegese esotérica judaica: “Filho” (bem ou Bar) representa ao mesmo tempo a “Beleza” (Tiphereth), a “Misericórdia” (Rahamim) e a “Omniciência” (Da'ath) criadora, reveladora e salvadora, nascida do divino “Pai” (Aw ou Abba) — denominado também a eterna Sabedoria (Hokhmah) — e de Sua Receptividade própria, a suprema “Mãe” (Em ou Immah) — a “Inteligência” (Binah) transcendente.

  • ”Falarei do decreto do Senhor; ele me disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei.” (Sl 2:7) (hbr.: YHVH amar elaï benni attah ani hayom yelidtikha)
    • Interpretada esotericamente: YHVH (a “Essência” divina, enquanto que Ela se revela como Pessoa suprema) amar elaï (me disse, em me engendrando por aí mesmo como seu Verbo e Filho) hayom (“hoje em dia”, no eterno Instante) yelidtikha (“Eu te engendrei ou “conceberei”, — engendramento, filiação: eterna revelação da única Essência para Ela mesma e a tudo aquilo que decorre de Ela, a tudo aquilo que é).