CONNER, Miguel; PAGELS, Elaine H. (ORGS.). Voices of gnosticism: interviews with Elaine Pagels, Marvin Meyer, Bruce Chilton, Bart Ehrman, Karen King, Stevan Davies and other leading scholars. Dublin: Bardic Press, 2011.
Resumo da entrevista de Marvin Meyer
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A história da recuperação do Evangelho de Judas é intrincada e surpreendente, começando com sua aparente descoberta no Egito Central, perto de El Minya, na década de 1970, por um indivíduo local que encontrou um sepultamento em uma caverna com códices antigos em conjunto com a sepultura.
- Os textos foram então movimentados clandestinamente para a Europa, chegando finalmente aos Estados Unidos, onde permaneceram por um tempo considerável em um cofre em Long Island.
- Posteriormente, os textos foram adquiridos por um comprador no Centro-Oeste americano, que planejou o congelamento profundo deles, um processo que contribuiu para um dano progressivo aos manuscritos.
- Somente no início do século XXI os textos, incluindo o Evangelho de Judas, foram finalmente disponibilizados a estudiosos como Kasser e outros, para tradução e acesso público, o que constitui um resultado positivo.
- Apesar da recuperação e da possibilidade de leitura do Evangelho de Judas e dos outros textos da coleção, houve um dano significativo ao frágil papiro antigo, resultando na perda de frases, buracos e lacunas, embora a maior parte do notável e dramático texto tenha sido recuperada e possa ser compreendida.
- Somente no início do século XXI os textos, incluindo o Evangelho de Judas, foram finalmente disponibilizados a estudiosos como Kasser e outros, para tradução e acesso público, o que constitui um resultado positivo.
- Posteriormente, os textos foram adquiridos por um comprador no Centro-Oeste americano, que planejou o congelamento profundo deles, um processo que contribuiu para um dano progressivo aos manuscritos.
- Os textos foram então movimentados clandestinamente para a Europa, chegando finalmente aos Estados Unidos, onde permaneceram por um tempo considerável em um cofre em Long Island.
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É reconhecido que ainda há muito trabalho a ser feito sobre o Evangelho de Judas, e o trio comissionado pela Fundação Maecenas e pela National Geographic Society – Rodolphe Kasser da Suíça, Gregor Wurst da Alemanha e Marvin Meyer dos EUA – conseguiu elaborar uma tradução provisória e disponibilizar um texto copta provisório na internet.
- Publicaram também um livro popular que foi apresentado ao público e a acadêmicos, e logo será lançada uma edição crítica contendo fotografias, o texto copta e uma tradução atualizada do Evangelho de Judas e dos outros textos presentes neste códice.
- Já existe um extenso debate sobre os textos, com a participação de acadêmicos, estudantes, leigos, clérigos e pessoas de dentro e de fora da igreja.
- Um desenvolvimento promissor é a oportunidade para os acadêmicos examinarem o texto conjuntamente, facilitada pela distribuição prévia de cópias das transcrições do texto copta do Evangelho de Judas e dos demais textos antes da edição crítica, iniciando o debate acadêmico usual e instigante.
- As questões centrais do debate envolvem a interpretação e compreensão do texto, a possibilidade de preencher mais lacunas, e a busca por alternativas de leitura para os traços de tinta remanescentes no copta apresentado.
- Uma conferência recente em Paris, na Sorbonne, reuniu cerca de 25 a 30 acadêmicos para apresentar trabalhos e discutir intensamente as interpretações do Judas, marcando um momento empolgante para a discussão hermenêutica.
- Neste contexto de intensa análise, surgem interpretações revisionistas do texto.
- Uma conferência recente em Paris, na Sorbonne, reuniu cerca de 25 a 30 acadêmicos para apresentar trabalhos e discutir intensamente as interpretações do Judas, marcando um momento empolgante para a discussão hermenêutica.
- As questões centrais do debate envolvem a interpretação e compreensão do texto, a possibilidade de preencher mais lacunas, e a busca por alternativas de leitura para os traços de tinta remanescentes no copta apresentado.
- Um desenvolvimento promissor é a oportunidade para os acadêmicos examinarem o texto conjuntamente, facilitada pela distribuição prévia de cópias das transcrições do texto copta do Evangelho de Judas e dos demais textos antes da edição crítica, iniciando o debate acadêmico usual e instigante.
- Já existe um extenso debate sobre os textos, com a participação de acadêmicos, estudantes, leigos, clérigos e pessoas de dentro e de fora da igreja.
- Publicaram também um livro popular que foi apresentado ao público e a acadêmicos, e logo será lançada uma edição crítica contendo fotografias, o texto copta e uma tradução atualizada do Evangelho de Judas e dos outros textos presentes neste códice.
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A mensagem central percebida no Evangelho de Judas, segundo Marvin Meyer, é que Judas Iscariotes foi o único discípulo que compreendeu corretamente a identidade de Jesus, sendo privilegiado com a sabedoria de Jesus e ouvindo os mistérios que Ele desvendou sobre o cosmos, o mundo superior e este mundo.
- No entanto, a presença de lacunas cruciais no texto e a existência de diferentes formas de interpretar frases obscuras levaram a outras sugestões, por parte de estudiosos como John Turner e April DeConick, de que Judas talvez não seja uma figura tão positiva como a interpretação principal sugere, incitando um debate acalorado e estimulante sobre o significado pretendido pelo Evangelho de Judas.
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A classificação do Evangelho de Judas como uma obra setiana é considerada bastante clara, apesar da reserva inicial de John Turner, especialista em pensamento setiano, que inicialmente viu apenas a presença de elementos setianos.
- O texto contém todos os elementos esperados de um texto setiano primitivo, como Barbelo, o Grande Espírito Invisível, Adamas e Sete, e suas características, juntamente com a data mais provável de meados do segundo século, sugerem que se trata de um texto setiano primitivo.
- Este texto pode oferecer percepções sobre a relação entre o pensamento setiano judaico e o setiano cristão e o desenvolvimento das ideias setianas, incluindo o papel da Sofia (Sabedoria) e a importância ou não de sua queda nos textos setianos, visto que neste Evangelho Sofia é mencionada, mas não parece ser parte central da revelação.
- O texto contém todos os elementos esperados de um texto setiano primitivo, como Barbelo, o Grande Espírito Invisível, Adamas e Sete, e suas características, juntamente com a data mais provável de meados do segundo século, sugerem que se trata de um texto setiano primitivo.
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Marvin Meyer argumenta, em suas palestras, artigos e em seu livro em desenvolvimento sobre o texto de Judas, que a porção central do Evangelho de Judas preserva uma revelação de natureza essencialmente judaica gnóstica ou mística judaica sobre a estrutura do mundo e a devolução do divino dos reinos do infinito até este mundo, culminando com a entrada da luz através de Sete.
- Esta parte, atribuída a Jesus no Evangelho de Judas, é vista como uma tradição judaica fundamental, muito semelhante a outras tradições do misticismo judaico, possuindo características que se assemelham à Cabala (apesar da diferença cronológica), sugerindo que este tipo de misticismo judaico oferece paralelos fascinantes com o que é observado no texto.
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A interpretação predominante sugere a existência de um núcleo setiano muito primitivo no Evangelho de Judas, que foi posteriormente cristianizado, um padrão que não é incomum entre os setianos, como parece ter ocorrido com o Apócrifo de João ou Livro Secreto de João.
- O Apócrifo de João é visto como um texto fundamentalmente judaico-místico e judaico-gnóstico que foi secundariamente cristianizado para se tornar uma revelação de Jesus, mas é amplamente considerado um clássico setiano construído sobre um fundamento judaico com uma cristianização relativamente leve.
- No Evangelho de Judas, a qualidade cristianizada pode ser mais evidente e substancial, pois envolve narrativas sobre Jesus, Judas Iscariotes e os discípulos, culminando na entrega de Jesus no final de sua vida.
- Ainda assim, o núcleo essencial do texto parece manter um padrão de revelação judaica que é menos dualista que outros exemplos do pensamento setiano, sugerindo uma evolução ou involução gradual da luz e do espírito superiores para os reinos inferiores, acompanhada por uma diminuição progressiva da luz.
- O texto implica que Judas, e potencialmente todos, podem possuir uma centelha dessa luz divina interior, que necessita ser manifestada.
- Ainda assim, o núcleo essencial do texto parece manter um padrão de revelação judaica que é menos dualista que outros exemplos do pensamento setiano, sugerindo uma evolução ou involução gradual da luz e do espírito superiores para os reinos inferiores, acompanhada por uma diminuição progressiva da luz.
- No Evangelho de Judas, a qualidade cristianizada pode ser mais evidente e substancial, pois envolve narrativas sobre Jesus, Judas Iscariotes e os discípulos, culminando na entrega de Jesus no final de sua vida.
- O Apócrifo de João é visto como um texto fundamentalmente judaico-místico e judaico-gnóstico que foi secundariamente cristianizado para se tornar uma revelação de Jesus, mas é amplamente considerado um clássico setiano construído sobre um fundamento judaico com uma cristianização relativamente leve.
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O Evangelho de Judas estabelece uma distinção entre a geração de Sete, muitas vezes referida simplesmente como “aquela geração”, e os meros mortais, que são os estranhos ou de fora, que não têm acesso a essa visão ou conhecimento, sendo considerados os ignorantes.
- A implicação final desta distinção para o destino de todos os indivíduos não é totalmente clara no texto, mas sugere que existem aqueles que são o povo da Gnose, possuidores de um conhecimento e iluminação especiais, e que provavelmente possuem algo do espírito, da luz e do conhecimento do divino interior.
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O Evangelho de Judas é caracterizado por ser um evangelho apaixonado, com um forte sentimento que, em alguns aspectos, é politicamente incorreto.
- O texto projeta uma hostilidade comparável à dos heresiologistas contra as pessoas da grande igreja (ortodoxa emergente), criticando a liderança e as ideias desta igreja.
- Argumenta-se que a ideia de Jesus como um sacrifício pelos pecados e o valor da Eucaristia deveriam ser descartados.
- Questiona-se a utilidade de morrer como mártir ou de emular a morte de Jesus, que é comparada a um assassinato dos filhos de Deus (os que morrem), ecoando possíveis indicações de um novo livro de Elaine Pagels e Karen King.
- O Evangelho de Judas contém réplicas iradas que sugerem que o caminho emergente da igreja ortodoxa (baseado na piedade, na crença na expiação sacrificial e no sacrifício da própria vida) deve ser totalmente rejeitado em favor de um caminho alternativo: o da Gnose (conhecimento), da iluminação e da plena expressão da pessoa interior e espiritual.
- Questiona-se a utilidade de morrer como mártir ou de emular a morte de Jesus, que é comparada a um assassinato dos filhos de Deus (os que morrem), ecoando possíveis indicações de um novo livro de Elaine Pagels e Karen King.
- Argumenta-se que a ideia de Jesus como um sacrifício pelos pecados e o valor da Eucaristia deveriam ser descartados.
- O texto projeta uma hostilidade comparável à dos heresiologistas contra as pessoas da grande igreja (ortodoxa emergente), criticando a liderança e as ideias desta igreja.
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As polêmicas do Evangelho de Judas, refletindo um interesse evangélico e cristão, claramente estabelecem distinções entre o grupo por trás do Evangelho de Judas e o povo da igreja ortodoxa emergente.
- A crítica é em grande parte baseada em uma visão dos discípulos sobre o templo, que parece ser uma crítica judaica ao culto do templo (com a descrição do templo em Jerusalém, a compra de animais e a presença do sacerdote) que é interpretada alegoricamente para criticar os templos e igrejas cristãs.
- O texto sugere que os sacrifícios nas igrejas cristãs são igualmente maus ou piores do que aqueles encontrados no templo judaico, manifestando uma severa reprovação à ênfase no sacrifício.
- Esta ênfase no sacrifício, presente em diversos aspectos e apresentações do evangelho primitivo e persistindo na tradição cristã dominante até hoje (simbolizada pela presença do altar nas igrejas), é precisamente o que o Evangelho de Judas combate.
- A perspectiva do Evangelho de Judas levanta questões contemporâneas sobre a necessidade da cruz na tradição cristã atual, dada a aparente indiferença do Evangelho de Judas em relação a qualquer qualidade salvífica da cruz, sugerindo a busca por outras formas de seguir Jesus e de espiritualidade mais apropriadas.
- Esta ênfase no sacrifício, presente em diversos aspectos e apresentações do evangelho primitivo e persistindo na tradição cristã dominante até hoje (simbolizada pela presença do altar nas igrejas), é precisamente o que o Evangelho de Judas combate.
- O texto sugere que os sacrifícios nas igrejas cristãs são igualmente maus ou piores do que aqueles encontrados no templo judaico, manifestando uma severa reprovação à ênfase no sacrifício.
- A crítica é em grande parte baseada em uma visão dos discípulos sobre o templo, que parece ser uma crítica judaica ao culto do templo (com a descrição do templo em Jerusalém, a compra de animais e a presença do sacerdote) que é interpretada alegoricamente para criticar os templos e igrejas cristãs.
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O impacto do Evangelho de Judas é evidente, com o Papa Bento XVI emitindo polêmicas na Páscoa, pedindo aos católicos que não o lessem.
- A cena da Última Ceia, onde Jesus começa a rir dos discípulos, é interpretada como parte da polêmica contra a igreja ortodoxa, pois a linguagem utilizada emprega o termo eucharistea (Eucaristia), um empréstimo grego no copta que remete claramente ao sacramento.
- Qualquer leitor perceberia que Jesus não está rindo de uma simples refeição, mas sim da Eucaristia, indicando que a comemoração do sacrifício de Jesus é ridícula, sem poder ou significado.
- Isso se soma ao ciclo de temas que critica o sacrifício, questionando por que celebrar um sacrifício de Jesus na Eucaristia ou por que buscar o martírio (emulação do sacrifício de Jesus), em vez de permitir que a pessoa interior alcance a iluminação e realize sua espiritualidade.
- Qualquer leitor perceberia que Jesus não está rindo de uma simples refeição, mas sim da Eucaristia, indicando que a comemoração do sacrifício de Jesus é ridícula, sem poder ou significado.
- A cena da Última Ceia, onde Jesus começa a rir dos discípulos, é interpretada como parte da polêmica contra a igreja ortodoxa, pois a linguagem utilizada emprega o termo eucharistea (Eucaristia), um empréstimo grego no copta que remete claramente ao sacramento.
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O Evangelho de Judas apresenta Jesus como um mensageiro da luz que veio para transmitir a Gnose (conhecimento).
- Embora Jesus não seja nomeado como Allogenes (o Estranho ou Forasteiro) neste texto (mas é nomeado assim no texto seguinte do Codex Tchacos), a descrição é apropriada, pois Ele é visto como alguém que não procede do demiurgo (criador, o Deus dos outros discípulos), mas sim de um reino transcendente.
- Jesus vem de um reino cujo nome (o do Ser inefável) Judas e outros não seriam dignos de pronunciar.
- Neste contexto, é usada a palavra Barbelo, que às vezes é vista como a mãe exaltada de Deus ou a mãe do redentor, e outras vezes não possui essa especificidade de gênero.
- Barbelo é uma palavra que provavelmente deriva de um original hebraico ou aramaico (provavelmente hebraico) e pode ser uma referência ao Tetragrammaton (o nome de Deus de quatro letras YHWH), sendo a melhor interpretação que venha do hebraico para Deus em Quatro.
- O fato de Judas compreender esta origem e natureza transcendente de Jesus é o motivo pelo qual Jesus diz: “Judas, podemos conversar!”, tornando Judas o destinatário privilegiado da revelação, que aprende todos os segredos e mistérios de Jesus.
- Os outros discípulos acreditavam que Jesus vinha do criador deste mundo, ao que Jesus responde: “Não! Eu não sou do seu Deus.”, afirmando que Ele vem de um lugar totalmente diferente, ou seja, de um reino espiritual e exaltado, e que parece usar um corpo.
- O fato de Judas compreender esta origem e natureza transcendente de Jesus é o motivo pelo qual Jesus diz: “Judas, podemos conversar!”, tornando Judas o destinatário privilegiado da revelação, que aprende todos os segredos e mistérios de Jesus.
- Barbelo é uma palavra que provavelmente deriva de um original hebraico ou aramaico (provavelmente hebraico) e pode ser uma referência ao Tetragrammaton (o nome de Deus de quatro letras YHWH), sendo a melhor interpretação que venha do hebraico para Deus em Quatro.
- Neste contexto, é usada a palavra Barbelo, que às vezes é vista como a mãe exaltada de Deus ou a mãe do redentor, e outras vezes não possui essa especificidade de gênero.
- Jesus vem de um reino cujo nome (o do Ser inefável) Judas e outros não seriam dignos de pronunciar.
- Embora Jesus não seja nomeado como Allogenes (o Estranho ou Forasteiro) neste texto (mas é nomeado assim no texto seguinte do Codex Tchacos), a descrição é apropriada, pois Ele é visto como alguém que não procede do demiurgo (criador, o Deus dos outros discípulos), mas sim de um reino transcendente.
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O final do texto é de leitura difícil devido às lacunas no papiro, justamente onde seria crucial saber quem é transfigurado (provavelmente Judas, mas teoricamente poderia ser Jesus) e o que acontece antes de Judas entregar Jesus às autoridades.
- A passagem-chave é quando Jesus se dirige a Judas e diz que ele “ultrapassará a todos os outros” (provavelmente os discípulos) porque “sacrificará o homem que me carrega”.
- Esta frase é interpretada como uma referência ao fato de que Jesus está usando ou habitando a carne, mas que a pessoa real de Jesus (o redentor), assim como a pessoa real de cada um, é a pessoa interior, que é o verdadeiro ser humano.
- O texto sugere que somos mais do que nossa biologia, havendo algo de espiritual em nós, e que Jesus é o mesmo, sendo mais do que a carne que o carrega.
- O que será crucificado é a carne, o que não significa a morte da pessoa interior ou o fim da pessoa real.
- Desta forma, Jesus e todos os que são pessoas de Gnose são vistos como indivíduos neste mundo que são mais do que seus corpos biológicos, e a pessoa real é o ser interior e espiritual.
- O que será crucificado é a carne, o que não significa a morte da pessoa interior ou o fim da pessoa real.
- O texto sugere que somos mais do que nossa biologia, havendo algo de espiritual em nós, e que Jesus é o mesmo, sendo mais do que a carne que o carrega.
- Esta frase é interpretada como uma referência ao fato de que Jesus está usando ou habitando a carne, mas que a pessoa real de Jesus (o redentor), assim como a pessoa real de cada um, é a pessoa interior, que é o verdadeiro ser humano.
- A passagem-chave é quando Jesus se dirige a Judas e diz que ele “ultrapassará a todos os outros” (provavelmente os discípulos) porque “sacrificará o homem que me carrega”.
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Não há certeza de que o Evangelho de Judas recuperado seja o mesmo que Irineu mencionou, já que Irineu nunca o citou e nem sequer se sabe se o viu, e sua descrição é muito geral, embora se encaixe de forma genérica no conteúdo recuperado na tradução copta, expressando uma indignação geral.
- A suposição mais provável é que se trata de uma tradução copta a várias gerações de distância do original grego, composto em meados do século II, que era conhecido por Irineu.
- Presume-se que o texto foi copiado e recopiado na antiguidade, o que geralmente envolvia edição e alterações, algo que aconteceu com todos os textos antigos e com a Bíblia, e deve ter acontecido também com o Evangelho de Judas, com atualizações e edições ao longo do tempo.
- Apesar disso, existem boas razões para estabelecer uma conexão com o texto que Irineu conheceu.
- Presume-se que o texto foi copiado e recopiado na antiguidade, o que geralmente envolvia edição e alterações, algo que aconteceu com todos os textos antigos e com a Bíblia, e deve ter acontecido também com o Evangelho de Judas, com atualizações e edições ao longo do tempo.
- A suposição mais provável é que se trata de uma tradução copta a várias gerações de distância do original grego, composto em meados do século II, que era conhecido por Irineu.
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Não há conhecimento de grupos que se auto-denominassem Cainitas, o que leva à suspeita de que este termo tenha sido usado pelos caçadores de heresias (os pais da igreja) como um rótulo pejorativo.
- Os grupos em questão estavam muito mais claramente ligados aos que Irineu chamou de gnostikoi (gnósticos), termo que Marvin Meyer se sente à vontade para usar, assim como Gnose, mas preferindo evitar Gnosticismo por ser um termo moderno.
- O uso do termo Gnósticos é legitimado pelo fato de os heresiologistas admitirem que seus oponentes se autodenominavam gnostikoi.
- A existência real dos Cainitas é incerta, mas a palavra Caim surge ocasionalmente em certos textos, inclusive em alguns setianos, levantando a possibilidade de que textos que ainda possam estar preservados no Egito possam revelar mais sobre Caim e seu uso por esses grupos.
- O uso do termo Gnósticos é legitimado pelo fato de os heresiologistas admitirem que seus oponentes se autodenominavam gnostikoi.
- Os grupos em questão estavam muito mais claramente ligados aos que Irineu chamou de gnostikoi (gnósticos), termo que Marvin Meyer se sente à vontade para usar, assim como Gnose, mas preferindo evitar Gnosticismo por ser um termo moderno.
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A obsessão pelo Evangelho de Judas, que tem desviado a atenção da Biblioteca de Nag Hammadi, é um fenômeno notável, com um interesse que tem sido fenomenal.
- Este interesse pode ser parcialmente atribuído à conectividade internacional atual (incluindo a Internet e a National Geographic), que facilitou a divulgação coordenada do texto (com livros, um programa de televisão e um website).
- O título em si é o principal fator de fascínio: a ideia de um evangelho (boas novas cristãs) de Judas Iscariotes (o traidor quintessencial e vilipendiado) é chocante e surpreendente.
- A revelação de que no Evangelho de Judas, ele é, na verdade, o discípulo que entende Jesus, é elogiado por Jesus, privilegiado com todos os segredos sobre o mundo e Deus, e desempenha um papel de sacrifício (embora um sacrifício de transcendência da carne e realização do eu espiritual, não de expiação), constitui um Judas positivo.
- O título em si é o principal fator de fascínio: a ideia de um evangelho (boas novas cristãs) de Judas Iscariotes (o traidor quintessencial e vilipendiado) é chocante e surpreendente.
- Este interesse pode ser parcialmente atribuído à conectividade internacional atual (incluindo a Internet e a National Geographic), que facilitou a divulgação coordenada do texto (com livros, um programa de televisão e um website).
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A descoberta de um Judas positivo levou as pessoas a reexaminarem os evangelhos do Novo Testamento para entender a origem do Judas mau (visto como um símbolo do antissemitismo), o que sugere que a história de Judas no Novo Testamento merece uma análise mais aprofundada.
- Pode ser que a narrativa do Novo Testamento indique que Jesus e Judas eram bons amigos e que Judas fazia parte do círculo íntimo de confiança.
- O evento frequentemente traduzido como traição pode não ter sido uma traição em absoluto, mas sim a entrega de Jesus às autoridades ou uma apresentação de Jesus para que Ele e as autoridades judaicas pudessem discutir suas visões de reforma dentro do judaísmo, algo que deu terrivelmente errado.
- O termo grego paradidomi significa tanto trair quanto entregar ou passar adiante.
- O autor mais antigo do Novo Testamento, Paulo, ao mencionar a entrega de Jesus (e nunca Judas), usa o mesmo verbo grego para dizer que Deus entregou Jesus ou que Jesus se entregou, o que sugere que o Evangelho de Judas pode provocar uma discussão mais ampla sobre o que os textos mais antigos do Novo Testamento dizem sobre Judas.
- É notável que nos textos do Novo Testamento há uma crescente demonização de Judas, que se manifesta cronologicamente de Marcos a João, vista como parte de um processo de edição que progressivamente culpa os judeus (e Judas como um mau judeu) em vez dos romanos, de modo que Pilatos é absolvido.
- A interpretação do sobrenome Iscariotes é incerta, sendo a melhor possibilidade que signifique ish (homem) de Queriote, um homem da cidade ou vila de Queriote, o que o situaria na Judeia, perto de Jerusalém.
- É notável que nos textos do Novo Testamento há uma crescente demonização de Judas, que se manifesta cronologicamente de Marcos a João, vista como parte de um processo de edição que progressivamente culpa os judeus (e Judas como um mau judeu) em vez dos romanos, de modo que Pilatos é absolvido.
- O autor mais antigo do Novo Testamento, Paulo, ao mencionar a entrega de Jesus (e nunca Judas), usa o mesmo verbo grego para dizer que Deus entregou Jesus ou que Jesus se entregou, o que sugere que o Evangelho de Judas pode provocar uma discussão mais ampla sobre o que os textos mais antigos do Novo Testamento dizem sobre Judas.
- O termo grego paradidomi significa tanto trair quanto entregar ou passar adiante.
- O evento frequentemente traduzido como traição pode não ter sido uma traição em absoluto, mas sim a entrega de Jesus às autoridades ou uma apresentação de Jesus para que Ele e as autoridades judaicas pudessem discutir suas visões de reforma dentro do judaísmo, algo que deu terrivelmente errado.
- Pode ser que a narrativa do Novo Testamento indique que Jesus e Judas eram bons amigos e que Judas fazia parte do círculo íntimo de confiança.
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O público está entusiasmado com a ideia de que o cristianismo foi e continua sendo um fenômeno muito diverso, com muitas histórias, crenças e interpretações além da linha ortodoxa única.
- A redescoberta de diferentes narrativas (como a de Tomé, que era visto como um incrédulo antes do Evangelho de Tomé, e a de Maria Madalena, que era considerada uma prostituta antes de ser vista como uma discípula próxima de Jesus) e agora a história diferente de Judas, sugere que o cristianismo primitivo era muito fluido.
- Esta fluidez ocorria antes de Constantino introduzir elementos políticos, antes do estabelecimento de dogmas e credos, e antes que a ortodoxia fosse assentada.
- No início, havia diversidade de evangelhos, crenças e argumentos sobre Jesus e Seus seguidores.
- Esta fluidez ocorria antes de Constantino introduzir elementos políticos, antes do estabelecimento de dogmas e credos, e antes que a ortodoxia fosse assentada.
- A redescoberta de diferentes narrativas (como a de Tomé, que era visto como um incrédulo antes do Evangelho de Tomé, e a de Maria Madalena, que era considerada uma prostituta antes de ser vista como uma discípula próxima de Jesus) e agora a história diferente de Judas, sugere que o cristianismo primitivo era muito fluido.
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Marvin Meyer defende o uso dos termos Gnose e Gnóstico, derivado de gnostikoi, porque os heresiologistas admitem que esses termos eram usados por seus oponentes para se autodenominar.
- Embora concorde com a crítica de Karen King em seu livro What Is Gnosticism? sobre os aspectos políticos e retóricos da ortodoxia e da heresia, Meyer opta por usar os termos que os próprios grupos usavam, em vez de Gnosticismo, que é um termo moderno.
- A ortodoxia é definida pelos vencedores (os que têm mais votos, os argumentos mais fortes), e aqueles que perdem o debate são chamados de hereges, o que é um termo de acusação e retórica usado por Irineu, Hipólito e Epifânio para atacar.
- Os grupos frequentemente referidos como Setianos eram aqueles que Irineu chamava de gnostikoi, e Meyer considera justo chamá-los pelo nome que preferiam.
- A ortodoxia é definida pelos vencedores (os que têm mais votos, os argumentos mais fortes), e aqueles que perdem o debate são chamados de hereges, o que é um termo de acusação e retórica usado por Irineu, Hipólito e Epifânio para atacar.
- Embora concorde com a crítica de Karen King em seu livro What Is Gnosticism? sobre os aspectos políticos e retóricos da ortodoxia e da heresia, Meyer opta por usar os termos que os próprios grupos usavam, em vez de Gnosticismo, que é um termo moderno.
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O Codex Tchacos continha pelo menos quatro textos, e o Livro de Allogenes ou Livro do Estranho é um texto inteiramente diferente do encontrado no Codex de Nag Hammadi.
- Os textos contidos no Codex Tchacos são: uma versão da Carta de Pedro a Filipe e um texto chamado Tiago (uma versão do Primeiro Apocalipse ou Revelação de Tiago, ambos já conhecidos da Biblioteca de Nag Hammadi), o texto completo do Evangelho de Judas, e o quarto texto é o Livro de Allogenes ou Livro do Estranho.
- O Livro de Allogenes está bastante fragmentário, com apenas algumas páginas e vários fragmentos restantes.
- Há evidências que sugerem que o Codex Tchacos pode ter sido muito mais longo e que parte dele pode estar perdida ou destruída.
- A menção de “Trismegistos” (três vezes maior) nos fragmentos sugere a possível presença de uma tradução copta de um texto hermético, talvez o Corpus Hermeticum 13.
- A esperança é que páginas adicionais do códice sejam disponibilizadas, caso sobrevivam, ou que elas não tenham se transformado em pó.
- A menção de “Trismegistos” (três vezes maior) nos fragmentos sugere a possível presença de uma tradução copta de um texto hermético, talvez o Corpus Hermeticum 13.
- Há evidências que sugerem que o Codex Tchacos pode ter sido muito mais longo e que parte dele pode estar perdida ou destruída.
- O Livro de Allogenes está bastante fragmentário, com apenas algumas páginas e vários fragmentos restantes.
- Os textos contidos no Codex Tchacos são: uma versão da Carta de Pedro a Filipe e um texto chamado Tiago (uma versão do Primeiro Apocalipse ou Revelação de Tiago, ambos já conhecidos da Biblioteca de Nag Hammadi), o texto completo do Evangelho de Judas, e o quarto texto é o Livro de Allogenes ou Livro do Estranho.
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Marvin Meyer expressa uma honra e a convicção de que é um momento empolgante e uma aventura maravilhosa poder ter desempenhado um papel na disponibilização deste texto ao público, o que trará benefícios a todos que tiverem a chance de ler e aprender com esses textos.