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id da página: 2528 Máximo, o Confessor – Centúrias sobre vários textos de Teologia... (1) Maximo

Maximo Centurias Varios Textos 1

Máximo o Confessor — Centúrias sobre vários textos de Teologia, a Divina Economia, e Virtude e Vício

Tradução em grande parte feita a partir da versão francesa da Philokalia, mas eventualmente utilizada a versão inglesa.


Primeira Centúria

Na Philokalia esta Centúria se encontra dentro das Centúrias sobre Teologia, como Terceira Centúria

1. Um é o bem que, acima de tudo, não tem começo e que é mais que a essência: a Santa Unidade em três hipóstases, Pai e Filho e Espírito Santo. União infinita de três infinitos, guardando totalmente inacessível aos seres a razão do ser: como ele é, o que ele é e qual ele é. Pois esta razão escapa à compreensão daqueles que pensam: ela não sai absolutamente da interioridade oculta segundo a natureza, e ela supera infinitamente todo conhecimento de todos os conhecimentos.

2. O bem no sentido próprio, em sua essência, é o que não tem nem começo, nem fim, nem causa do ser, nem também, no ser, algum movimento, qualquer que seja, para uma causa. Mas este que não é assim não é em sentido próprio, pois tem um começo, um fim, uma causa do ser e, no ser, o movimento para uma causa. O que não é no sentido próprio, quando assim mesmo será denominado ser, é e é denominado ser por participação, pela vontade dAquele que é no sentido próprio.

3. Se uma razão guia o devir dos seres, ela não seria, ela não é, ela não será uma razão mais alta que o Verbo. O Verbo não é nem sem inteligência nem sem vida, mas é inteligente e vivente, pois ele porta nele realmente o Pai que é a Inteligência geradora, e ele porta nele a vida cuja existência é realmente ligada ao Espírito Santo.

4. Ele é um só Deus, Pai que engendra um só Filho, e que é a fonte do Espírito Santo, Unidade sem confusão e Trindade sem divisão, Inteligência que não tem começo, Pai único engendrando realmente o único Verbo que não tem começo, e fonte da única vida eterna, quer dizer do Espírito Santo.

5. Ele é um só Deus, pois é uma única Divindade: Unidade que não tem começo, que é simples, mais que a essência, sem partilhamento e sem divisão. A mesma é Unidade e Trindade, etc.

6. Se toda participação daqueles que participam é preconcebida, a causa dos seres que, por conta de sua natureza, existe e é concebida antes dos seres, supera de toda evidência e de toda maneira todos os seres, claramente e incomparavelmente. Não porque ela é a essência das criaturas pois o divino se revelaria composto, desde quando tivesse a realidade dos seres para completar sua própria existência. Mas porque ela é a supra-essência da essência. Se, com efeito, as artes imaginaram formas que moldam e se a natureza em seu conjunto inventou as espécies que suscita, quanto mais Deus criou do nada as essências dos seres, ele que é mais que a essência e que, ainda mais, está infinitamente além do que poderia o estabelecer na supra-essência, ele que uniu as ciências e as artes para que elas inventem formas, que deu à natureza a energia que lhe permite suscitar as espécies, e que fundou tal qual ele é este ser das essências.

7. Aquele à essência do qual os seres não participam, mas que, de uma outra maneira, quer que aqueles que o possam, participem nele, não sai absolutamente do secreto da essência. Então mesmo que o modo segundo o qual ele quer ser partilhado, como ele o sabe, permanece continuamente invisível a todos, ele quer assim fundar o que participa, segundo uma razão que ele mesmo conhece, na superabundante potência de sua bondade. O que foi feito pela vontade do Criador não poderia então ser eterno com Aquele que o quis.

8. O Verbo de Deus, nascido uma vez por todas segundo a carne, quer sempre, por amor do homem, nascer segundo o Espírito naqueles que o desejam. Ele se torna pequenino, se formando ele mesmo neles pelas virtudes, se revelando na medida onde sabe que o porta aquele que o recebe, e não diminuindo pela inveja a revelação de sua própria grandeza, mas avaliando a potência daqueles que desejam o ver. Assim, enquanto ele se manifesta sempre nas modos daqueles que o participam, o Verbo de Deus, na transcendência do mistério, permanece sempre invisível a todos. Eis porque, depois de ter sabiamente examinado o poder do mistério, o divino Apóstolo disse: "Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje, e para sempre" (Hebr. 13,8). Ele sabia que o mistério é sempre novo e que não envelhece jamais na compreensão da inteligência.

9. O Cristo Deus nasceu, se tornou homem assumindo uma carne que tem uma alma espiritual, ele que concedeu aos seres de nascer do nada, e que a Virgem procriou sobrenaturalmente (Lc, 1,31) sem perder nenhuma marca da virgindade. Pois assim como se tornou homem sem mudar a natureza e sem alterar o poder, do mesmo modo fez Mãe e guardou Virgem aquela que o procriou. Ele explica o milagre por um milagre, ao mesmo tempo que oculta um pelo outro. Pois, para ele mesmo, Deus é sempre mistério em sua essência: não sai do secreto natural a não ser para o deixá-lo ainda mais secreto pela manifestação, e do mesmo modo faz da Virgem Mãe que só procria para fazer pela gestação as ligações da virgindade impossíveis de romper.

10. As naturezas são renovadas e Deus se torna homem. Não é apenas a natureza divina, constante e imóvel, que se põe em movimento em direção da natureza móvel e inconstante a fim de que ela cesse de ser carregada. E não é somente a natureza humana que, sem semente, mais alta que a natureza, cultiva uma carne levada a seu termo pela razão divina, a fim de cessar de ser carregada. Mas é também a estrela que em pleno dia aparece no Oriente, e conduz os Magos (Mt 2,2-9) ao lugar da encarnação do Verbo, a fim de significar a palavra que estava na Lei e nos Profetas, misticamente mais forte que os sentidos, conduzindo as nações à imensa luz do conhecimento. Pois a palavra da Lei e dos Profetas tinha claramente em vista o conhecimento do Verbo encarnado, assim como a estrela, considerada com piedade, conduz aqueles que, no desígnio de Deus, foram chamados pela graça.


Parágrafos restantes como tópicos

A queda da natureza humana e a sua restauração em Cristo

  • A transgressão do mandamento divino e o advento da morte na natureza humana
    • O pecado original: a transgressão de Adão pela sedução do diabo
    • A encarnação de Deus como homem perfeito para restaurar a natureza humana, exceto o pecado
    • A destruição do diabo e a restauração da graça por meio da divindade na carne de Cristo

O mistério da encarnação divina

  • A natureza incompreensível da encarnação
    • O mistério eterno: a encarnação de Deus é maior do que o que foi revelado
    • O paradoxo divino: Deus, que transcende o ser, torna-se ser de maneira transcendente
    • A incompreensibilidade do mistério para a razão humana
  • As manifestações do mistério da encarnação
    • As perguntas irrespondíveis da concepção e nascimento de Cristo
    • A superação das leis da natureza pela divindade na vida de Cristo: crescimento, batismo, fome, cansaço, sofrimento e morte
    • A coexistência da natureza divina e humana em Cristo

O propósito da encarnação e a natureza do sofrimento

  • O papel do sofrimento na restauração humana
    • A causa da geração humana pelo prazer sensual: a desobediência de Adão
    • A origem do sofrimento: a transgressão da mulher
    • A negação da dor e do prazer pela paixão de Cristo para a renovação do espírito
    • O sofrimento como instrumento de purificação e libertação
    • A morte do prazer como forma de destruir a morte que veio através do prazer
    • O aumento da virtude através da aflição da carne
  • A perspectiva do sofrimento: virtude, desapego e glória
    • O valor do sofrimento para os santos: a luta entre a malícia e a virtude
    • A recompensa da vitória sobre o sofrimento: a impassibilidade da alma e a união com Deus
    • O papel da aflição corporal para a força da alma
    • A aflição como disciplina da alma
    • A participação dos santos no sofrimento
  • A analogia de Cristo: sofrer com Deus
    • A superação do mundo por Cristo através do sofrimento
    • A participação no sofrimento de Deus como via para o reino
    • A importância da paciência na aflição
    • A aceitação dos sofrimentos temporários para a libertação do tormento eterno

O amor como princípio unificador e a natureza do mal

  • A primazia do amor: fundamento, força e consumação
    • O amor como a consumação de todas as bênçãos, unindo os homens a Deus
    • A fé como o fundamento da esperança e do amor
    • A esperança como a força da fé e do amor
  • A manifestação do amor perfeito
    • A união do homem com Deus através do propósito e da atividade da vontade
    • A imagem de Deus e a deificação pela graça
    • O amor como realização dos mandamentos
    • A bondade, compaixão e devoção a Deus como marcas do amor
  • A origem do mal: a ignorância, o amor-próprio e a tirania
    • A desunião causada pelo diabo através do amor-próprio e do prazer sensual
    • A interdependência dos três autores do mal
    • O uso dos poderes da alma (inteligência, desejo e poder incisivo) para atingir Deus
    • A erradicação do mal pela ausência do amor-próprio
    • A caridade como a verdadeira teosofia dos fiéis
    • A prova do amor a Deus: a boa vontade para com o próximo
  • O caminho da verdade e o temor a Deus
    • O Logos de Deus como o caminho
    • A porta para a visão da beleza da Trindade
    • O temor de matar a vida dada por Deus, o dom do Espírito Santo
    • A paz com Deus: o fim da guerra através das paixões e o combate ao diabo

A deificação e a redenção pela providência divina

  • O propósito da criação: a participação na natureza divina
    • A semelhança com Deus pela deificação
    • A reestruturação e permanência de todas as coisas através da deificação
  • A fidelidade ao Logos
    • A não traição do Logos, como fez Judas
    • A não negação do Logos, como fez Pedro
    • A escolha deliberada do pecado como traição e a negação como falha por medo
  • O resultado da aflição por causa da virtude
    • A alegria, o descanso e a glória
    • O resultado dos sofrimentos: a permanência com Deus e o descanso eterno
  • A misericórdia e a unidade da natureza humana
    • A missão de Deus de unir a natureza humana através dos mandamentos
    • O amor-próprio e a esperteza humana como causas da divisão da natureza humana
    • A restauração da natureza humana à sua forma original
    • O amor como unificador da vontade e do propósito
    • O bem como unificador e o mal como dispersivo
  • O caminho para a salvação e a deificação
    • O amor a Deus e a rejeição do afeto pela carne e pelo mundo
    • A liberdade do desejo e do medo pela impassibilidade
    • O abandono do amor-próprio para a deificação
    • O intelecto livre para se unir a Deus
    • A diferença entre o culto a Deus e o culto à criação
    • O pecado como esquecimento da bondade
    • O controle da inteligência sobre os sentidos para produzir a virtude
    • O Evangelho como guia para a vida no espírito
    • O sofrimento com alegria como sinal de morte para a carne
  • A purificação do intelecto e a visão de Deus
    • A desconstrução das paixões para a restauração da natureza
    • A vida manchada pelas paixões como uma vestimenta suja
    • As virtudes como vestimenta de incorrupção
  • A deificação como a restauração da natureza humana
    • O Deus que se tornou homem sem pecado divinizará a natureza humana sem a alterar
    • A deificação pela graça
  • O papel das paixões e da graça divina
    • A purificação da alma pelo sofrimento
    • As paixões como elementos infiltrados na natureza humana
    • O uso das paixões para a aquisição do que é celestial
    • A lei do Velho Testamento e a do Novo Testamento
    • A jornada espiritual: de temente a Deus a perfeito
    • O duplo temor: impuro (por medo da punição) e puro (por reverência)
  • As manifestações do Espírito Santo
    • A criação como forma de conhecer o seu criador
    • A sabedoria incorporada de Deus em todos os seres criados
    • A presença do Espírito em todos os seres
    • O Espírito Santo na vida dos cristãos: filiação e sabedoria
  • A providência de Deus
    • O zelo de Deus pela salvação
    • A murcha do amor-próprio para a humildade
    • A punição como instrumento de cura
    • A diferença entre a capacidade de fazer e de sofrer
    • A deificação como experiência passiva
  • A ação da inteligência e a deificação
    • O intelecto fiel como Pedro
    • Herodes (o rei das peles) como a vontade da carne
    • As duas prisões: ataques das paixões e assentimento
  • O diabo: inimigo e vingador de Deus
    • O diabo como inimigo de Deus: a sedução
    • O diabo como vingador: a punição
    • A punição do diabo como instrumento de Deus para a humildade
    • A punição como resultado de uma escolha voluntária
  • A punição do intelecto contemplativo e gnóstico
    • O sofrimento como forma de aprender a humildade
    • A aceitação das provações
    • O exílio do estado de graça por falta de gratidão e arrependimento
    • A humildade como salvaguarda dos tesouros da alma
  • O discernimento espiritual e a fé
    • A contemplação das essências internas das coisas visíveis
    • A prática das virtudes como purificação
    • A ultrapassagem do ser para a união com o Um
    • A revelação de Deus
    • Os diferentes dons do Espírito Santo

O batismo e o cálice

  • O batismo e o cálice como símbolos de sofrimento
    • O batismo do Senhor: mortificação da propensão para o mundo sensível
    • O cálice: a negação da vida presente em prol da verdade
    • A diferença entre batismo e cálice: batismo é voluntário e o cálice é involuntário