Resumo do prefácio de Levinas ao estudo de Stéphane Mosès da obra Estrela da Redenção.
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A obra de Stéphane Mosès e a filosofia de Franz Rosenzweig em A Estrela da Redenção
- A exposição por Stéphane Mosès da filosofia de Franz Rosenzweig, um judeu alemão, tal como apresentada em sua obra principal, A Estrela da Redenção (1921).
- A relevância atual da pessoa do filósofo, de seu livro e de seu pensamento, apesar das seis décadas e do Holocausto que separam de sua publicação.
- O merecido destaque dado por Stéphane Mosès através de um estudo talentoso e inteligente.
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A trajetória biográfica e intelectual de Franz Rosenzweig
- A origem de Franz Rosenzweig em uma família israelita profundamente assimilada à cultura e à sociedade da Alemanha pós-Bismarck.
- O reencontro com o sentido e as fontes do judaísmo no momento de sua conversão iminente ao cristianismo, mantendo-se fiel a ele sem abandonar sua abordagem do cristianismo.
- A redação da maior parte de A Estrela da Redenção em cartões postais enviados à sua mãe, enquanto servia na frente balcânica durante a Primeira Guerra Mundial.
- A renúncia à carreira acadêmica após o armistício e a fundação de uma Casa de Estudos Judaicos em Frankfurt.
- A paralisia progressiva que o levou à morte em 1929, durante a qual colaborou com Martin Buber na tradução alemã do Antigo Testamento.
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A natureza extraordinária de A Estrela da Redenção
- A composição do livro em seis meses, como em um êxtase febril do gênio, mas admiravelmente construído e equilibrado.
- A reflexão de uma cultura universal impressionante e a introdução de novas perspectivas filosóficas.
- A ideia surpreendente de que "o Absolutamente Verdadeiro se scinde, por sua própria essência, em cristianismo e judaísmo", ambas as aventuras do espírito sendo necessárias para a verdade do Verdadeiro.
- O caráter inédito desta posição filosófica e teológica na história do pensamento, prenunciando tendências ecumênicas sem ser sincrética.
- A contestação do caráter primordial de uma certa racionalidade tradicional, da filosofia pré-socrática a Hegel, que consistia em totalizar a experiência.
- O esforço da nova filosofia para pensar a religião – Criação, Revelação e Redenção – como o horizonte originário de todo sentido, inclusive da experiência do mundo e da história.
- A qualificação desta filosofia como tal por partir de uma reflexão rigorosa sobre a crise da inteligibilidade do mundo, ou seja, sobre a crise da totalidade e do sistema hegeliano.
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A crítica da racionalidade tradicional e a irredutibilidade de Deus, Mundo e Homem
- A análise de Stéphane Mosès do primeiro livro de A Estrela da Redenção, que começa pela crítica da racionalidade tradicional.
- A demonstração por Rosenzweig da irredutibilidade originária do Homem, do Mundo e de Deus, objetos da tradição metafísica que a especulação hegeliana pensava juntos na Ideia.
- A retomada dos temas kierkegaardianos da angústia, muito antes de Heidegger, onde a angústia da morte quebra a totalidade hegeliana.
- A fragmentação da totalidade em três elementos absolutamente separados: o homem mortal, Deus e o mundo, que retornam ao seu isolamento.
- O fracasso do pensamento omniabrangente da especulação idealista diante desta separação.
- A identificação desta separação como a "verdade" do paganismo: um deus mítico meta-físico, um mundo plástico meta-lógico e um homem trágico meta-ético.
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A relação entre os elementos e a temporalidade originária na Revelação
- A descrição por Stéphane Mosès da entrada em relação dos elementos isolados pelo estilhaçamento da totalidade hegeliana no segundo livro de A Estrela da Redenção.
- A abertura e transcendência dos elementos uns para com os outros, sem uma síntese transcendental.
- A saída de Deus para o mundo como Criação, sempre já passada, dando inteligibilidade ao passado.
- A saída de Deus para o homem como Revelação, presença sempre renovada, ou seja, amor.
- A resposta do homem ao amor de Deus através da saída para o mundo e para os outros homens, arrancando o mundo à sua inércia.
- A interpelação do outro como "tu", em oposição à sua instalação impessoal no mundo como "personagem" ou "terceiro".
- As esperanças e antecipações da Redenção como dimensão do futuro.
- A formação do tempo a partir do relacionamento dos elementos não integráveis em totalidade.
- A conceituação do tempo não como esquema de categorias, mas como ordem que "deve ser levada a sério" e inseparável da Criação, Revelação e Redenção.
- A abertura como temporalidade originária: Criação (passado por excelência), Revelação (presença do presente), Redenção (tensão para o futuro).
- O tempo como vida dos elementos, cujo movimento é a linguagem em sua transitividade essencial.
- A linguagem como verbo e ruptura do enclausuramento, cuja origem está no evento religioso da Revelação e não na passagem do sujeito ao objeto.
- A transitividade da linguagem como o evento profundo de toda intencionalidade, onde "haveria transcendência da intencionalidade porque houve linguagem da Revelação".
- O lugar central da Revelação em A Estrela da Redenção, justificando o título do livro de Mosès, e sua função como dimensão da temporalidade para a qual toda abertura remete.
- A linguagem como movimento de saída e evento da existência (ex-is-tence).
- A aproximação entre a "experiência" ontológica de Rosenzweig, que é linguagem indo de um ao outro, e o que se chama de existencial.
- O uso do termo "existencial" por Mosès e a referência ao estudo de Karl Löwith sobre Rosenzweig e Ser e Tempo de Heidegger.
- O anúncio por Rosenzweig, a partir do horizonte religioso e como leitor de Nietzsche e Kierkegaard, da filosofia da literatura da existência que floresceria após Heidegger.
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A Redenção, o ritualismo e os modos do judaísmo e do cristianismo
- A dedicação do terceiro livro de A Estrela da Redenção à Redenção, descrita em sua projeção para o futuro.
- A concepção do tema religioso da Redenção como a própria maneira pela qual se expõe a futurição do futuro.
- O caráter de filosofia geral da obra, que usa noções religiosas para falar da futurição sob as espécies da Redenção.
- A revelação do futuro no duplo modo do judaísmo e do cristianismo, em uma visada da eternidade.
- O simbolismo do ritualismo das comunidades religiosas, vivido em sua periodicidade como uma circularidade do tempo que rompe a temporalização linear.
- A imagem da eternidade imóvel, significada e antecipada no ritualismo.
- O simbolismo do rito como um surplus, a meio caminho entre a significação do significado e seu cumprimento, e não uma deficiência do conhecer.
- As análises multidimensionais de Rosenzweig, tocando a sociologia, a estética e a teologia.
- A exposição segundo os dois modos necessários do judaísmo e do cristianismo.
- A caracterização do judaísmo como inseparável da estrutura de "povo eterno", exterior à história, participando desde já da eternidade, mas limitado em seu particularismo.
- A caracterização do cristianismo em seu universalismo missionário, presente na história e nas nações históricas, mas sempre a caminho, certo da Encarnação e da Parúsia.
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O significado moderno da obra para o judaísmo e a relação com o cristianismo
- A introdução por A Estrela da Redenção de um conceito novo e profundo na consciência do judaísmo moderno.
- O desejo de uma comunidade concreta com o mundo cristão ocidental após uma segregação bimilenar.
- A sobrevivência dessa necessidade de simbiose concreta ao desmentido hitleriano e sua manifestação no Estado de Israel.
- A expressão inicial dessa modernidade na Jerusalém de Moses Mendelssohn (1783).
- A fragilidade da primeira filosofia de emancipação, que levou a uma assimilação e desjudaização no século XIX.
- A questão de conservar a essência religiosa judaica em uma civilização ocidental "informada" pelo cristianismo.
- A inovação de A Estrela da Redenção ao postular a maior intimidade entre cristãos e judeus em torno da verdade.
- A concepção da verdade não como enunciados, mas como um evento e um drama escatológico que se desenrola.
- A cisão do "absolutamente verdadeiro", por sua própria verdade, em judaísmo e cristianismo, que se realiza em seu diálogo como uma vida comum.
- A exigência ao judaísmo, reconduzido à sua dignidade ontológica, de todas as dimensões da Torá, conhecidas nas épocas de isolamento.
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A Verdade única e a apresentação da obra por Stéphane Mosès
- O tratamento por Mosès da Verdade única, à qual conduzem judaísmo e cristianismo, não passível de experiência ou visão.
- A esquematização pela Estrela de David, na parte mística do livro, dos temas expostos e do rosto humano como apreensão última da verdade.
- A apresentação admirável por Stéphane Mosès das páginas ricas e às vezes densas de Rosenzweig sobre a Redenção.
- A clareza, fineza e sugestividade da análise de Mosès, que ilumina a obra lírica, alusiva e obscura de Rosenzweig.
- A linguagem sóbria e precisa de Mosès, sempre atenta ao conjunto da proposta, seus prolongamentos atuais, sua dívida para com os Weltalter de Schelling e seus contextos alemães.
- A consideração de Hegel como fonte, e não apenas sistema a destruir, e a recorrência de Mosès aos textos judeus até a Cabala.
- A restituição de A Estrela da Redenção ao pensamento ocidental por meio do livro de Mosès, superando entraves históricos e mal-entendidos.
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A significação filosófica geral e os gestos especulativos de Rosenzweig
- A introdução por Mosès de um pensamento com significado filosófico que vai além da teologia e da filosofia religiosa, em uma era de "morte de Deus".
- A marca do fim de um certo idealismo pelo pensamento de Rosenzweig, sem pressupostos fenomenológicos.
- A condução a um humano onde as noções manifestam, em sua relatividade, um significado mais rico que seu absoluto metafísico.
- A origem desse humano em sua presença a Deus, a partir do presente da Revelação, sem verificação a partir do sujeito transcendental.
- A origem da significação de termos como luz natural, sujeito e homem-no-mundo em uma constelação de sentido produzida na Revelação.
- O recurso a um novo horizonte de sentido e o reconhecimento de sua inteligibilidade como prioritários, constituindo a grande originalidade da obra.
- A identificação por Mosès de movimentos gerais de pensamento característicos em Rosenzweig, importantes para a filosofia do diálogo.
- O primeiro gesto de manter-se na totalidade estilhaçada, a ideia de que "nem tudo é reunível": Deus, mundo e homem não formam um todo.
- A contestação da totalidade a partir da mortalidade do homem, um "conteúdo" excepcional, e não da ideia de totalidade como em Kant.
- O escândalo da morte como desintegrador da síntese universal, a ideia de que "nem tudo se 'arranja'".
- O hábito de pensar o não-sintetizável, a diferença, contra a tradição filosófica onde o Mesmo absorve o Outro.
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O pluralismo absoluto, a positividade do mito e a saída pela Revelação
- A fixação dos elementos na separação, mantidos aquém da totalidade formal pela diferença absoluta.
- A ousadia da pensamento tradicional em reunir termos díspares sob títulos vazios, em contraste com o pluralismo absoluto em Rosenzweig.
- A estranheza a toda universalidade abrangente não pensada negativamente, mas tornando-se mítica e enclausurada.
- A caracterização deste estágio como pré-lógico e subjacente à cultura ontológica, ou pré-religioso e subjacente à cultura da Revelação.
- A descrição no primeiro livro de A Estrela da concretude do "pré" e do "sub" no segredo mítico de um encantamento pagão.
- A possibilidade de análise somente após a desmitologização e a saída dos elementos de sua elementaridade.
- A saída cujo gesto é a Revelação, um "fora-de-si" originário, mais antigo que a intencionalidade.
- O arrancamento dos elementos das profundezas do imemorial onde estão isolados.
- A Revelação como uma "entrada-em-relação" totalmente outra que uma síntese ou categoria entre elementos.
- A ligação do não-adicionável por uma ligação cuja metáfora originária é a linguagem, a socialidade ou o amor.
- A vida descrita nos dois últimos livros como nem isolamento mítico, nem reunião no ser, mas como transcendência e "dias do Senhor".
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A deformalização das relações e a intriga primordial
- A deformalização notável das conjunções e preposições, remontando a uma dimensão do sentido além da inteligibilidade lógica.
- A denúncia do primado racional da ontologia através desta deformalização.
- A negação de uma síntese tematizável para "Deus e o mundo", exceto como Criação, sempre já passada.
- A negação de uma síntese para "Deus e o homem", exceto como Revelação, uma relação "frontal" no agora.
- A concretude da conjunção "e" em "o homem e o mundo" somente na resposta do homem à Revelação, na abertura para o mundo como mundo-a-vir.
- A abertura para o mundo não como ser-no-mundo, mas como relação com um mundo futuro e com os outros homens como "eles" a quem se ensina a dizer "tu".
- A definição da Redenção como "aprender a dizer 'tu' a um 'il'".
- A remontada aos "eventos primordiais" e às "êxtases" da temporalidade na deformalização do formal.
- A significação singular da eternidade nas dimensões do tempo, longe das relações intemporais de um sistema.
- A reciprocidade assimétrica nas relações: o amor de Deus pelo homem tem sua recíproca na redenção do mundo pelo homem.
- O enlace de Criação, Revelação e Redenção em uma intriga que não é a do conatus essendi.
- A condução do ser humano à relação frontal com o outro homem, rompendo a totalidade na angústia do nada.
- A descrição concreta do "dia" mesmo do diálogo, restaurando sua fonte a um novo horizonte de sentido.
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A prioridade do lenguaje e a estrutura última do espiritual
- A impossibilidade de desmistificar a "antiga" intriga para reduzir o "dia" do diálogo a uma justaposição de termos.
- A inexistência de um falante ou espectador por trás da intriga de A Estrela da Redenção.
- A união de Deus, homem e mundo não na consciência de um filósofo, mas no evento de sua saída do isolamento mítico à luz do dia do Senhor.
- O fundamento da prioridade da linguagem sobre o "pensamento puro" neste estilhaçamento da totalidade.
- A razão desta prioridade não ser cultural ou retórica, mas porque a relação onde o pensamento se torna vida é primariamente Revelação.
- A travessia de um intervalo absoluto como fundamento, onde o nó último do psiquismo não é a unidade do sujeito, mas a "separação ligante" da sociedade.
- A identificação desta "separação ligante" com o "dia" do diálogo, a diacronia, o tempo levado "a sério" e, numa palavra gasta, o amor.