- A Questão Teodiceica da Queda de Adão e a Aceitação Divina do Mal
- O questionamento sobre o motivo pelo qual Deus não pôde ou não quis prevenir a queda de Adão, aceitando-a antecipadamente juntamente com a criação e o mal efetivo.
- A proposição de que, para Jacob Boehme, foi melhor criar um mundo repleto de mal do que não criar mundo algum, fundamentada em razões metafísicas e teológicas.
- As Razões para a Possibilidade e Aceitação do Mal na Criação
- A inevitabilidade da possibilidade do mal, dada a necessidade da liberdade de indiferença, ou liberdade indeterminada, preceder a liberdade determinada para o bem ou para o mal.
- A vontade divina de criar seres livres, filhos, e não servos ou servos, capazes de servir a Deus por amor e não por necessidade, para que pudessem representá-Lo e amá-Lo.
- A impossibilidade de Deus se revelar e se manifestar à criatura por meio de "servos", o que tornaria a criação sem sentido.
- A Natureza Não Necessária do Mal e a Garantia da Vitória Final do Bem
- A distinção entre a possibilidade do mal e a sua não-necessidade, afirmando que ele não foi expressamente querido por Deus.
- A crença na vitória final do bem, que não é posta em causa, mas apenas retardada até o fim dos tempos, apesar da realização do mal.
- O Valor Positivo da Luta e da Superação do Mal
- A geração de novos valores no mundo através da vitória real sobre um adversário real, incluindo uma maior tensão, luta, interesse dramático, risco, mérito e uma alegria que não depende diretamente do objetivo, mas da dificuldade superada.
- A alegria maior nos céus por um pecador convertido do que por um justo que nunca pecou, encapsulada na ideia de que "na superação está a alegria".
- A Revelação de Deus como Graça através da Queda
- A concepção de que a queda e o mal foram permitidos para revelar Deus como o Deus da graça, um aspecto que de outra forma teria permanecido oculto.
- A necessidade da aparição do mal, o seu contrário, para que o amor pudesse manifestar-se como ajuda, dom, clemência e misericórdia.
- A dupla função do mal: criar um beneficiário para a graça e permitir que esta seja reconhecida em oposição à severidade, à cólera e à justiça implacável de um Deus irado.
- O Princípio da Oposição dos Contrários e o seu Perigo Teológico
- A justificação do pecado e a aceitação da oposição entre o Deus Bondade e o Deus Justiça através do famoso princípio da oposição necessária dos contrários.
- O perigo deste princípio levar a uma justificação tão completa do mal, invocando motivos tão poderosos, que acaba por não se distinguir, na prática, da necessidade, representando um leva metafísico demasiado poderoso para a sua teologia.
- A Metafísica Boehmista como Fundamento para a Compreensão do Salvação
- A necessidade de estudar a estrutura metafísica do Universo para compreender como é possível, no mundo presente, não desesperar e manter a esperança e a fé num Deus bom.
- A concepção do Universo como tendo por fonte um Deus vivo, bom e mestre da natureza eterna, que o revela pela sua ação criadora.
- A compreensão de Deus como absolutamente livre em Si mesmo, mas ligado na sua manifestação realizadora a condições essenciais da expressão, do ser e do conhecimento, como a lei da oposição dos contrários.
- A Liberdade e Responsabilidade do Homem como Agente do seu Próprio Destino
- A posição do homem como uma criatura tão livre quanto o próprio Deus, que deve colaborar com Ele na obra da criação, possuindo uma liberdade inalienável.
- A afirmação de que é o próprio homem que se salva ou se dana, e não Deus que o predestina, pois em Deus não há escolha nem deliberação, sendo a sua vontade una e eternamente semelhante a Si mesma.
- A ideia de que cada homem é para si mesmo uma causa determinante, carregando dentro de si o paraíso e o inferno, o seu próprio Deus e o seu próprio Satanás.
- A Crítica de Boehme à Doutrina Luterana e à Fides Historica
- A identificação da doutrina luterana, com a sua imputação da justiça e salvação pela fé, como a inimiga, por destruir o sentimento de responsabilidade pessoal e a vida espiritual e religiosa genuína.
- A condenação da fé histórica como um simples conhecimento de uma história, uma adesão formal e intelectual, que substitui a comunhão da alma com Deus pela crença no valor de certos ritos.
- O lamento pelo estado da fé nos seus dias, considerada um logro e um perigo, especialmente para os pobres e simples que seguem cegamente os seus pastores, ignorando o verdadeiro sentido do cristianismo e da segunda nascença.
- A Natureza Verdadeira da Fé como Força e Ação Transformadora
- A definição da fé verdadeira não como uma adesão intelectual, mas como uma força, um ato de vontade que transforma interiormente e une efetivamente a Deus, na qual a vontade humana e a vontade divina se tornam uma substância e um ser.
- A função útil, mas insuficiente, da fé-saber e da fé-confiança, sendo esta última uma etapa que permite à graça agir, mas que ainda é uma expectativa de ação divina e uma renúncia ao esforço pessoal.
- A concepção da fé como uma "forte imaginação", uma potência plástica e mágica que transforma o homem na imagem que ele forma em si mesmo, nomeadamente a imagem de Cristo.
- O Mecanismo da Imaginatio e a Incarnação de Cristo no Homem
- O poder da imaginação como o mecanismo de ação da vontade, através do qual a alma, "imaginando em" Deus ou "no" Cristo, se reconstrói e se transforma nessa imagem.
- A transformação operada pela imaginação como uma incarnação de Cristo no homem, tornando-o imagem, incarnação e expressão de Deus, realizando a sua verdadeira função e missão.
- A Imitação de Cristo como Missão Essencial do Homem
- A definição do objetivo e missão do homem na terra como a imitação de Cristo, interpretada não como uma mera cópia exterior, mas como uma transformação interior através da imaginação e da vontade.
- A Obra de Cristo como Vitória sobre o Mal e a Morte, não como Pagamento Expiatório
- A compreensão da obra de Cristo essencialmente como uma vitória sobre o mal e a morte, enfatizando a ressurreição e o renascimento, e não a morte expiatória como pagamento ou satisfação à justiça divina.
- A visão de que Cristo, substituindo-Se a Adão, cumpriu a sua tarefa ao vencer a Si mesmo, recompondo em Si a ordem dos poderes e princípios, e devendo a Deus as forças que Lhe competiam.