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id da página: 10145 Alexandre Koyre – A Filosofia de Jacob Boehme – Mal Jacob Boehme

Koyre Boehme Mal

mal
  • A Questão Teodiceica da Queda de Adão e a Aceitação Divina do Mal
    • O questionamento sobre o motivo pelo qual Deus não pôde ou não quis prevenir a queda de Adão, aceitando-a antecipadamente juntamente com a criação e o mal efetivo.
    • A proposição de que, para Jacob Boehme, foi melhor criar um mundo repleto de mal do que não criar mundo algum, fundamentada em razões metafísicas e teológicas.
  • As Razões para a Possibilidade e Aceitação do Mal na Criação
    • A inevitabilidade da possibilidade do mal, dada a necessidade da liberdade de indiferença, ou liberdade indeterminada, preceder a liberdade determinada para o bem ou para o mal.
    • A vontade divina de criar seres livres, filhos, e não servos ou servos, capazes de servir a Deus por amor e não por necessidade, para que pudessem representá-Lo e amá-Lo.
    • A impossibilidade de Deus se revelar e se manifestar à criatura por meio de "servos", o que tornaria a criação sem sentido.
  • A Natureza Não Necessária do Mal e a Garantia da Vitória Final do Bem
    • A distinção entre a possibilidade do mal e a sua não-necessidade, afirmando que ele não foi expressamente querido por Deus.
    • A crença na vitória final do bem, que não é posta em causa, mas apenas retardada até o fim dos tempos, apesar da realização do mal.
  • O Valor Positivo da Luta e da Superação do Mal
    • A geração de novos valores no mundo através da vitória real sobre um adversário real, incluindo uma maior tensão, luta, interesse dramático, risco, mérito e uma alegria que não depende diretamente do objetivo, mas da dificuldade superada.
    • A alegria maior nos céus por um pecador convertido do que por um justo que nunca pecou, encapsulada na ideia de que "na superação está a alegria".
  • A Revelação de Deus como Graça através da Queda
    • A concepção de que a queda e o mal foram permitidos para revelar Deus como o Deus da graça, um aspecto que de outra forma teria permanecido oculto.
    • A necessidade da aparição do mal, o seu contrário, para que o amor pudesse manifestar-se como ajuda, dom, clemência e misericórdia.
    • A dupla função do mal: criar um beneficiário para a graça e permitir que esta seja reconhecida em oposição à severidade, à cólera e à justiça implacável de um Deus irado.
  • O Princípio da Oposição dos Contrários e o seu Perigo Teológico
    • A justificação do pecado e a aceitação da oposição entre o Deus Bondade e o Deus Justiça através do famoso princípio da oposição necessária dos contrários.
    • O perigo deste princípio levar a uma justificação tão completa do mal, invocando motivos tão poderosos, que acaba por não se distinguir, na prática, da necessidade, representando um leva metafísico demasiado poderoso para a sua teologia.
  • A Metafísica Boehmista como Fundamento para a Compreensão do Salvação
    • A necessidade de estudar a estrutura metafísica do Universo para compreender como é possível, no mundo presente, não desesperar e manter a esperança e a fé num Deus bom.
    • A concepção do Universo como tendo por fonte um Deus vivo, bom e mestre da natureza eterna, que o revela pela sua ação criadora.
    • A compreensão de Deus como absolutamente livre em Si mesmo, mas ligado na sua manifestação realizadora a condições essenciais da expressão, do ser e do conhecimento, como a lei da oposição dos contrários.
  • A Liberdade e Responsabilidade do Homem como Agente do seu Próprio Destino
    • A posição do homem como uma criatura tão livre quanto o próprio Deus, que deve colaborar com Ele na obra da criação, possuindo uma liberdade inalienável.
    • A afirmação de que é o próprio homem que se salva ou se dana, e não Deus que o predestina, pois em Deus não há escolha nem deliberação, sendo a sua vontade una e eternamente semelhante a Si mesma.
    • A ideia de que cada homem é para si mesmo uma causa determinante, carregando dentro de si o paraíso e o inferno, o seu próprio Deus e o seu próprio Satanás.
  • A Crítica de Boehme à Doutrina Luterana e à Fides Historica
    • A identificação da doutrina luterana, com a sua imputação da justiça e salvação pela fé, como a inimiga, por destruir o sentimento de responsabilidade pessoal e a vida espiritual e religiosa genuína.
    • A condenação da fé histórica como um simples conhecimento de uma história, uma adesão formal e intelectual, que substitui a comunhão da alma com Deus pela crença no valor de certos ritos.
    • O lamento pelo estado da fé nos seus dias, considerada um logro e um perigo, especialmente para os pobres e simples que seguem cegamente os seus pastores, ignorando o verdadeiro sentido do cristianismo e da segunda nascença.
  • A Natureza Verdadeira da Fé como Força e Ação Transformadora
    • A definição da fé verdadeira não como uma adesão intelectual, mas como uma força, um ato de vontade que transforma interiormente e une efetivamente a Deus, na qual a vontade humana e a vontade divina se tornam uma substância e um ser.
    • A função útil, mas insuficiente, da fé-saber e da fé-confiança, sendo esta última uma etapa que permite à graça agir, mas que ainda é uma expectativa de ação divina e uma renúncia ao esforço pessoal.
    • A concepção da fé como uma "forte imaginação", uma potência plástica e mágica que transforma o homem na imagem que ele forma em si mesmo, nomeadamente a imagem de Cristo.
  • O Mecanismo da Imaginatio e a Incarnação de Cristo no Homem
    • O poder da imaginação como o mecanismo de ação da vontade, através do qual a alma, "imaginando em" Deus ou "no" Cristo, se reconstrói e se transforma nessa imagem.
    • A transformação operada pela imaginação como uma incarnação de Cristo no homem, tornando-o imagem, incarnação e expressão de Deus, realizando a sua verdadeira função e missão.
  • A Imitação de Cristo como Missão Essencial do Homem
    • A definição do objetivo e missão do homem na terra como a imitação de Cristo, interpretada não como uma mera cópia exterior, mas como uma transformação interior através da imaginação e da vontade.
  • A Obra de Cristo como Vitória sobre o Mal e a Morte, não como Pagamento Expiatório
    • A compreensão da obra de Cristo essencialmente como uma vitória sobre o mal e a morte, enfatizando a ressurreição e o renascimento, e não a morte expiatória como pagamento ou satisfação à justiça divina.
    • A visão de que Cristo, substituindo-Se a Adão, cumpriu a sua tarefa ao vencer a Si mesmo, recompondo em Si a ordem dos poderes e princípios, e devendo a Deus as forças que Lhe competiam.