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id da página: 9499 Marsilio Ficino – Sobre a ira divina e outros textos – Poesia Marsilio Ficino

Ficino Poesia

Marsilio Ficino – Sobre a ira divina e outros textos – Poesia

Marsilio Ficino. Sobre el furor divino y otros textos. Tr. Juan Maluquer y Jaime Sainz

Marsilio Ficino saúda Alejandro Braccio, sacerdote das Musas

Nosso Platão, no diálogo intitulado Ion, considera verdadeiros poemas apenas aqueles em que os poetas são penetrados pela música divina e pelo furor das Musas, e que, quando são entoados pela música humana, excitam de certo modo reciprocamente ao furor tanto o próprio cantor quanto os ouvintes. Com efeito, minha cítara comprovou de imediato que os poemas de Alejandro, escritos ontem em honra de Marsílio, eram dessa natureza para muitos ouvintes, e pouco depois também o comprovou João Batista Boninsegnio, nosso amigo, varão extraordinariamente versado nas letras latinas e gregas.

Por essa razão, deves, Braccio, esta tua poesia não tanto a teu esmero — que, contudo, não é medíocre —, quanto à inspiração das Musas. Assim, após esta poesia, deixa de lado, amigo, rogo-te, os mortais e, quando cantares com a inspiração de Deus, canta a Deus. Esse conselho não foi dado apenas por Moisés, Davi e os demais profetas dos hebreus, mas também por Zoroastro, Lino, Orfeu, Museu, Moseu, Empédocles, Parmênides, Heráclito e Xenófanes, claramente em seus poemas religiosos.

Foi-o dado sobretudo por Pitágoras e Platão, que expulsaram Homero e Hesíodo da comunidade dos homens para os infernos, porque, em certas ocasiões, como ingratos, atribuíram o divino aos homens e, em outras, como ímpios, o humano aos deuses. Portanto, se porventura cantares apenas aos homens — o que, oxalá, te esteja distante —, como se fosses ingrato a Deus, cantarás quase sempre sentimentos ingratos; mas todas as vezes que cantares a Deus — o que espero faças preferencialmente —, tantas vezes o eco acompanhará teu canto de modo suave e venturoso.