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id da página: 7771 Julius Evola A DOUTRINA DO DESPERTAR Julius Evola

Evola Sankharas

SANKHARAS

Na série em cadeia, os sankharas sucedem ao avijja. Este termo, ele também, foi diversamente interpretado. Literalmente, sankhara significa «formar» ou «preparar com vistas a uma dada meta». Em outros termos, trata-se do estado no qual o movimento potencial, próprio ao primeiro nidada, já assume uma certa direção, escolhe a via que seguirá seu desenvolvimento ulterior. Traduzir sankhara por «distinções» (Neumann) logo é exato, sob um certo aspecto, visto que não se pode escolher uma direção sem a delimitar a princípio, e logo distingui-la entre outras possíveis. Todavia, convém também ter presente ao espírito o fator volitivo e ativo (sankhara enquanto kamma cetana) e o fator «concepcional». A este respeito, E. Burnouf já tinha lembrado a exegese, segundo a qual sankhara é «paixão que compreende o desejo, a aversão, o medo e a alegria», não sem notar que «desejo» e «paixão» são, aqui, conceitos muito restritos. Em um comentário, citado por Hodgson, pode-se ler: «A crença do princípio sensível incorporal na realidade do que é somente uma miragem, é acompanhada de um desejo por esta miragem e da convicção de seu valor e de sua realidade: este desejo se chama sankhara». Ao que Burnouf adiciona: «Os sankharas são coisas que fingit animus, quer dizer que o espírito criado, faz, imagina (sankaroti); são, em uma palavra, os produtos da faculdade que tem de conceber, de imaginar». É em tais termos que começa a se concretizar o objeto da «mania» e a se definir uma corrente determinada — santana — na descida para a existência samsarica. Os sankaras podem se referir ao kamma (scr. karma) segundo um duplo sentido: na concatenação verbal, em tomando kamma com a significação geral de ação e de princípio geral da diferença dos seres; e na concatenação samsarica, temporal, horizontal, nisto considerando, ao contrário, as raízes do caráter, as predisposições, as tendências inatas, assim como as tendências novas que se desenvolvem e que, estando estabelecidas e incorporadas no tronco da concupiscência, passam de um ser a um ser, de um estado de existência a um estado de existência. Neste segundo sentido, veremos que os sankaras são considerados como um dos cinco troncos constitutivos da personalidade. Mas, em última instância, a raiz última destes sankaras particulares sobre o plano condicionado — samsarico — reconduz, em cada um, aos sankharas, constituem o segundo nidana da série vertical.