B. Dubant e M. Marguerie. Castañeda. La voie du guerrier. Paris: Trénadiel, 1981
Um guerreiro não pode ser pego desprevenido; tudo o que ele empreende, ele o faz estrategicamente; o guerreiro não deixa nada ao acaso: "Os caçadores devem ser homens excepcionalmente em posse de si mesmos. Eles deixam o mínimo possível de coisas ao acaso."
E, no entanto, o guerreiro, apagando ao seu redor toda certeza, não sabe absolutamente o que vai acontecer: "É uma situação misteriosa e apaixonante. Ninguém sabe de onde vai sair o coelho; nem mesmo nós."
Dom Juan não faz senão seguir as indicações do poder para mostrar a "justa via" a Carlos Castaneda. A sua "impecabilidade" o colocava em condições de ler o que o poder decidia, mas ele não sabia de nada de antemão.
O que guia o guerreiro é a sua "intenção inflexível", da qual não apenas nada pode desviá-lo, mas que também pode desviar qualquer coisa. Esta "intenção inflexível" é o "desígnio" do guerreiro.
O seu desígnio e a sua inflexibilidade não consistem em "agarrar-se a coisas que não existem senão nos nossos pensamentos". As "convicções" adormecem e tornam tímido. O universo é misterioso, e nós somos tão misteriosos quanto ele; por isso o guerreiro recusa toda explicação; ele permanece em alerta no seu mundo, o seu único mundo, assustador e incomensurável. E a sua decisão, quando é tomada diante da sua morte, é irrevogável, já que apenas "as decisões de um imortal podem ser anuladas, ser objeto de uma dúvida".
A ausência de referência a um mundo familiar, a tomada total de responsabilidade do homem que recusa deixar-se ir, fazem com que o guerreiro combine o controle e o abandono. Ele não pode ceder ao pânico, pois ele não se crê importante, e ele tem confiança em si, pelo menos no "seu" poder. A desconfiança radical em relação ao mundo descrito é confiança em si mesmo, no seu "espírito de homem": tal é o seu "dever crer". Ele deve se concentrar nos seus dons, sem a menor vaidade nem a menor falsa modéstia, já que em um mundo onde ele é perseguido pela morte, ele não tem nada a fazer com estes "escrúpulos" mundanos.
Para que Carlos Castaneda se convença, e realize esta combinação importante, Dom Juan o coloca diante de uma situação muito perigosa: à noite, no deserto, Carlos Castaneda é perseguido por um puma. Ele se sai muito bem, e Dom Juan o parabeniza: "Tu te abandonaste até um certo ponto e ao mesmo tempo te controlaste até um certo ponto. Subir nesta parede no escuro exigia que tu te agarrasses e que te deixasses ir ao mesmo tempo. É o que eu chamo o temperamento do guerreiro."
O abandono e o controle são a combinação perfeita, na ação, do ativo e do passivo da inspiração e da expiração (Lin Tsi, mestre Ch'an, incita os seus aprendizes a "se segurarem" e a "soltarem"); do cálculo e da audácia, da desconfiança e da confiança: a desconfiança cria o controle, a confiança o abandono. Desconfiança em relação ao mundo, confiança em si mesmo: e "a confiança em si mesmo do guerreiro não é a do homem comum: o homem comum está suspenso aos seus semelhantes e o guerreiro está suspenso apenas a si mesmo. A confiança em si mesmo faz com que se esteja sobre coisas". O guerreiro não é de modo algum um ser calculista e pusilânime; ele não é também temerário e excessivo. Ele só exerce a sua coragem a propósito, semelhante a um general que reúne todas as chances para o seu lado, e que se entrega para o resto ao destino. O guerreiro nunca está certo de sobreviver, mas ele faz tudo com este objetivo: não para sobreviver como um rato, para ainda se empanturrar, mas como um guerreiro. E se o seu destino é morrer, ele está pronto. Por isso ele não pode se comportar como um "moleque chorão". Ele aceita sempre a sua sorte, seja qual for. Ele sabe que "ninguém nunca faz nada a ninguém". Quando Carlos Castaneda era perseguido pelo leão da montanha, nunca lhe veio à mente se queixar e o acusar. Dom Juan lhe diz que ele deve agir do mesmo modo com os seus semelhantes.
Em um universo do qual ele não sabe nada e que pode esmagá-lo a qualquer momento, tendo-se aberto a forças assustadoras, o guerreiro só tem uma latitude: a impecabilidade.