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Dubant Desafio

Bernard DubantCarlos Castañeda — A Via do Guerreiro: Disponibilidade


B. Dubant e M. Marguerie. Castañeda. La voie du guerrier. Paris: Trénadiel, 1981

A vida do guerreiro é um desafio perpétuo. Se o "iniciado" é chamado de "guerreiro", é porque ele não conhece a paz; mas, no entanto, ele não tem nenhuma inquietude. Ele é alguém que não exige nada de quem quer que seja, e que não espera nada de ninguém. Ele é também alguém que caça o poder: na verdade, aquilo com que ele combate não são os seus semelhantes, nem nada: é com o Poder, que pode quebrá-lo a qualquer momento, e em relação ao qual ele deve se mostrar impecável. O guerreiro comum, o homem que guerreia contra outros homens, pode ter atitudes diferentes: ele pode escolher o heroísmo, ou seja, a consagração pelas pessoas do seu campo, a morte provável por uma abstração imbecil que se chama "glória"; ele pode escolher a fuga, a covardia, ou seja, a submissão de fato ao adversário; ele pode também lutar impessoalmente, como certos guerreiros das grandes Epopeias: o adversário não é mais então nem um inimigo, nem um mestre que ganha de antemão, mas o meio de agir de acordo com a sua natureza de homem. O verdadeiro guerreiro não pode amar o heroísmo, visto que aquele que se submete à opinião não é senão um "feiticeiro negro"; o combate que ele trava é O SEU combate (ele não possui nada mais) e nada pode desviá-lo dele, qualquer que seja o seu resultado. E ele não se atira cegamente no perigo, pois se para ele a morte não tem nenhuma importância, o seu dever é sobreviver, mas não como um rato. Ele não se abandona, de fato, a nada, nem mesmo à sua morte. A sua vigilância deve ser total, visto que ele não se permite nenhum desleixo. Ele age em tudo estrategicamente, sem se preocupar em perder ou em ganhar, estas preocupações sendo "superimposições" ao ato puro. E aquele que não se preocupa nem com a vitória nem com a derrota é certamente o adversário mais temível, visto que nada impede o desdobramento de sua estratégia.

Mas o guerreiro pode muito bem também escolher a fuga, diz Dom Juan, se ele sabe que não pode fazer frente: ele não pode, portanto, cair em uma armadilha, visto que cair em uma armadilha é se deixar levar. Todavia, a fuga só pode ser estratégica, pois o que o guerreiro deve vencer é o medo. "Mesmo totalmente impregnado pelo medo, ele não deve parar." Trata-se de evitar a armadilha, não de parar a busca por causa do pavor que se sente. O guerreiro não se deixa levar nem pela imprudência, nem pelo medo, ambos frutos da vaidade.

Tudo nele deve ser decisão lúcida. "Decidir não significa escolher qualquer momento. Decidir significa que tu puseste em ordem a tua mente de forma impecável e que tu fazes o teu melhor para merecer o conhecimento e o poder."

O que quer que ele escolha, ele estimará sempre honestamente a situação: ele não se desperdiçará, e deixará sempre o seu sentimento decidir a sua atitude. O que quer que ele faça, ele age sempre com conhecimento de causa, não tendo outra preocupação senão a de dar poder aos seus atos, e por seus atos dotados de poder, acumular poder pessoal. "É preciso fazer com que cada ato realizado conte, pois tu não vais ficar senão por pouco tempo nesta terra..."

Carlos Castaneda se apresenta como um homem tímido e hesitante, um homem que tem tempo, que se acredita eterno, e que desperdiça, portanto, o seu tempo a se lamentar, hesitar, ter remorsos. Também Dom Juan lhe diz categoricamente: "Só existe uma coisa má em ti, tu acreditas que tu tens a eternidade diante de ti." E ele sublinha mais tarde a absurdidade do lamento: "Um guerreiro," ele diz, "não pode querer estar em outro lugar, pois ele considera cada coisa como um desafio; e um homem comum também não, porque ele não sabe onde a morte o atingirá."

Considerar cada ato como um desafio é, na verdade, dar-lhes uma importância igual. "Os desafios não podem realmente ser bons ou maus. Os desafios são simplesmente desafios." Aquele que, por outro lado, considera que alguns atos são mais importantes do que outros, é solicitado por um combate que não é o seu; ele se rende, de fato, à sua razão, ao que lhe ensinaram. Mas aquele que está em relação direta com o universo, sabe que o universo — o poder — se apresenta a ele de mil maneiras, e ele não pode privilegiar nenhuma. Todo ato eficaz exige a tomada de consciência de uma responsabilidade total, visto que não há nada mais sobre o qual se apoiar; e esta responsabilidade não é motivo para lamentações; a aposta é muito grave, pois se trata da nossa própria morte.

O desafio é, assim, o contrário da disponibilidade: esta é o desleixo, enquanto o desafio é a escolha. O homem disponível se deixa engolir por tudo o que ele encontra; o desafio faz do guerreiro um homem que não é enganado por nada e que considera todas as coisas como um mistério a ser tratado lucidamente, prudentemente e energicamente.

Considerar cada coisa como um desafio é, portanto, simplesmente tomar as coisas como elas vêm, sem superimposição intencional.